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Brasil 22/04/2015

Empresas já demitiram ao menos 21 mil trabalhadores após Lava Jato

Obras da Refinaria Abreu Lima, em Pernambuco | Divulgação/Petrobras

Obras da Refinaria Abreu Lima, em Pernambuco | Divulgação/Petrobras

Empreiteiras citadas na Lava Jato, algumas com executivos presos em novembro de 2014, já demitiram pelo menos 21,3 mil trabalhadores. O balanço do Metro World News, com dados de sindicatos, considera apenas obras da Petrobras ou da Sete Brasil, empresa que prestava serviços para a estatal.

No Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), as empresas dispensaram 8 mil funcionários. Já houve cortes nos consórcios Te-AG (Techint e Andrade Gutierrez) e CCPR (Odebrecht, Mendes Júnior e UTC), além de empresas como a Alumini (ex-Alusa) e a GDK, todas investigadas pela Polícia Federal.

O Sintramon Itaboraí, sindicato que representa os trabalhadores, informa que o quadro das empresas já vinha diminuindo desde antes da Lava Jato, mas a situação piorou em 2015.

“O pico da crise foi no começo do ano, e alguns trabalhadores ainda recebem valores de rescisão. Para a construção civil, temos a sensação de que o pior já passou, mas não vai ser fácil recolocar todos no mercado de trabalho”, avalia Marcos Hartung, vice-presidente do Sintramon.

A refinaria, segundo a Petrobras, estava 82% concluída em fevereiro, mas obras como a da rede de esgoto ainda nem começaram. No Nordeste, o panorama é menos animador, especialmente na Rnest (Refinaria Abreu e Lima), em Ipojuca (PE).

Também citada na Lava Jato, a obra dispensou 6,2 mil empregados, sendo 5 mil da Alumini, segundo o Sintepav-PE, que representa os trabalhadores no Estado. A Alumini e outras cinco citadas na Lava Jato já pediram recuperação judicial, incluindo a gigante OAS.

No caso específico da Sete Brasil, a empresa deve cerca de R$ 12 bilhões a fornecedores e empreiteiras que constroem sondas em cinco estaleiros.

Desde dezembro, o estaleiro Atlântico Sul (PE) já demitiu 2,4 mil pessoas. O Enseada do Paraguaçu (BA), parado desde fevereiro, dispensou 4,7 mil e, segundo o Sintepav-BA, a maioria segue desempregada.

“A gente achou que o caminho natural seria terminar o estaleiro e já começar a construir navios, mas nem temos esperança de retomar o trabalho esse ano”, lamenta Irailson Warneaux, vice-presidente do Sintepav-BA.

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