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Foco 21/04/2015

Polícia busca dois suspeitos de chacina em sede de torcida

Disputa por ponto de venda de drogas pode ter motivado assassinatos na quadra da Pavilhão Nove, na zona oeste | Edison Temoteo/Futura Press

Disputa por ponto de venda de drogas pode ter motivado assassinatos na quadra da Pavilhão Nove, na zona oeste | Edison Temoteo/Futura Press

A Polícia Civil identificou dois dos três homens responsáveis pela chacina que deixou oito mortos na sede da torcida organizada do Corinthians Pavilhão Nove, na noite de sábado. Nesta terça-feira, agentes do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) fizeram buscas na zona leste à procura da dupla, identificados apenas como André e Domênico, mas os suspeitos não foram localizados até as 22h.

Para chegar aos acusados, a polícia utilizou imagens de câmeras de segurança de um posto de gasolina localizado ao lado da quadra e os depoimentos de quatro sobreviventes. Três conseguiram escapar e o quarto, um faxineiro, foi enrolado em uma bandeira enquanto os criminosos executavam as vítimas com tiros na nuca.

Ao Brasil Urgente da Band, ele contou que os suspeitos entraram na sede da organizada gritando que eram policiais. “Jogaram todo mundo no chão e começaram a atirar sem parar. Foram muitos tiros.”

De acordo com as investigações, os criminosos tinham como alvo Fábio Neves Domingos, 34 anos, com passagem por tráfico de drogas. Domingos foi um dos corintianos presos na Bolívia, em 2013, após o disparo de um silenciador matar o jovem Kevin Espada.

A polícia trabalha com a hipótese de uma disputa por um ponto de tráfico de drogas como motivação para chacina. Domingos comprava drogas e as revendia na região.  Outras três vítimas tinham passagem na polícia por tráfico e roubo.

A delegada-chefe do DHPP, Elisabete Sato, disse que não descarta a participação de integrantes do crime organizado na ação.

A delegada informou que serviços de inteligência das policias já confirmaram a participação de integrantes de uma facção na torcida uniformizada. Os investigadores buscam uma ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital), que atuaria até na distribuição de ingressos dentro do Pavilhão Nove.

As informações obtidas  pelo DHPP indicam que os autores do crime seriam matadores profissionais. Inicialmente, a polícia trabalhava com a participação de três homens. Mas já há indícios de que dois homens em duas motos garantiam a segurança dos criminosos do lado de fora da quadra.

Elisabete Sato pediu que a investigação seja realizada em segredo de Justiça para que o vazamento de informações não prejudique a apuração. Nesta quarta, a polícia ouvirá sobreviventes da chacina e familiares das vítimas.  Nos próximos dias, o delegado responsável pelo caso, Luiz Fernando Lopes Teixeira, também deve convocar ex-presidentes da torcida organizada.