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Brasil 15/04/2015

Governo e oposição comentam a prisão de tesoureiro do PT

Aécio Neves: 'Nossas propostas não foram elaboradas do dia para noite, sem consultas e para uma aventura. É um programa que retrata as experiências dos nossos governos' | André Porto/Metro

| André Porto/Metro

O governo e a oposição comentaram a prisão do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira. Para o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), a detenção é o “triste retrato” de um partido que, na avaliação do tucano, desistiu de realizar um projeto de país para se manter no poder “a qualquer custo”.

Aécio, derrotado pela presidente Dilma Rousseff na eleição presidencial do ano passado, a mais acirrada desde a redemocratização, afirmou ainda que o PT cometeu “sucessivos crimes” para se manter no governo federal e que foi por alguns desses crimes que o tesoureiro foi preso.

“O Brasil passa a ser protagonista de uma cena, para mim, absolutamente inédita na nossa história. O tesoureiro, o responsável pelas finanças do partido que governa o Brasil, hoje está preso com sucessivas acusações, e acusações extremamente graves”, disse Aécio.

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“Eu acho que esse é o mais triste retrato de um partido político que abdicou de um projeto de país para se manter a qualquer custo no poder, cometeu crimes sucessivos, como esses que hoje levam o seu tesoureiro, o responsável por suas finanças, a estar preso”.

Aécio chegou a ter seu nome citado na Lava Jato, mas o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, considerou que não havia elementos para pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que o tucano fosse investigado.

Afilhado político de Aécio e sucessor do tucano no governo de Minas Gerais, o agora também senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), no entanto, teve processo de investigação aberto no Supremo a pedido de Janot por também ter sido citado durante as investigações.

Para ministro da Defesa, prisão de Vaccari não justifica saída do PT

Tereza Sobreira/ Ministério da Defesa

Jaques Wagner afirmou que a prisão não aumentou a pressão sobre o governo | Tereza Sobreira/ Ministério da Defesa

O ministro da Defesa, Jaques Wagner, disse nesta quarta-feira que a prisão do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, no âmbito da operação Lava Jato, não aumenta a pressão sobre o governo da presidente Dilma Rousseff e também não justifica a saída dele da Secretaria de Finanças do partido.

“Vaccari não faz parte do governo”, disse Wagner, ex-governador da Bahia e um dos quadros históricos do PT, a jornalistas durante a Laad, feira do setor de defesa e segurança que acontece no Rio de Janeiro.

“Não acho que coloca pressão na presidenta, e se tem alguém distante disso tudo é a presidente Dilma Rousseff… isso é a história da vida dela, pessoal e política. Algumas coisas não colam mesmo que a oposição queira… Parte dos problemas que ela (Dilma ) tem na política é exatamente pela rigidez e dureza dela no trato das relações políticas”, avaliou.

Vaccari foi preso nesta quarta-feira, em São Paulo, e levado para a sede da Polícia Federal em Curitiba, onde estão concentradas as investigações da Lava Jato, que investiga um esquema de corrupção na Petrobras envolvendo funcionários da empresa, empreiteiras e partidos políticos.

O tesoureiro já é réu na Justiça Federal do Paraná, onde estão os processos da Lava Jato, acusado de corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo o Ministério Público Federal, Vaccari recebeu doações oriundas de propina para o PT e sabia da origem ilegal dos recursos.

Tanto Vaccari quanto o PT negam as acusações e afirmam que todas as doações recebidas pelo partido foram legais e declaradas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O partido convocou uma reunião de emergência de seu Diretório Nacional para discutir a prisão do tesoureiro do partido nesta quarta.

Para o líder do partido na Câmara, Sibá Machado (AC), há motivações políticas na prisão do correligionário.

“Temos posição muito clara sobre Vaccari. Ele não fez nenhum tipo de arrecadação fora do que determina a lei brasileira. Essa é a nossa posição. Confiamos no que foi feito. Estamos extremamente desconfiados de que há uma orientação deliberada nessas delações premiadas para prejudicar o PT”, disse.

“Os partidos, com poucas exceções, receberam dinheiro das empresas que hoje estão sendo investigadas na Lava Jato. De papel passado, de recibo, e aprovadas no TSE”, disse.

Sistema viciado

Wagner avaliou ainda que a prisão do tesoureiro petista não justifica sua saída do cargo que ocupa dentro do partido e criticou o sistema político brasileiro, que classificou de “viciado”.

“Pessoalmente, sei que tem pessoas que pensam diferente, não vejo motivo (de retirá-lo do PT ou da função de tesoureiro). A não ser pela impossibilidade dele exercer seu cargo, até que se conclua definitivamente as acusações”, disse.

“Se nós, como brasileiros, quisermos não nos assustar com episódios como esse, a bandeira que deveria se levantar era a da reforma política. A máquina de fazer política no Brasil está viciada”, afirmou o ministro.

Ele defendeu entre as mudanças necessárias, o fim das coligações proporcionais nas eleições, mudanças nas regras de financiamento das campanhas e o fortalecimento dos partidos.