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Foco 14/04/2015

Manifestações marcam um ano do sequestro de estudantes na Nigéria

| Gonzalo Fuentes/Reuters

Em Paris, a ex-primeira-dama Valerie Trierweiler compareceu a um pequeno protesto em frente à Torre Eiffel | Gonzalo Fuentes/Reuters

Há um ano, o mundo se chocava com a notícia do rapto de 219 estudantes nigerianas de uma escola de Chibok, no nordeste da Nigéria pelo, até então pouco conhecido, grupo terrorista Boko Haram. Para marcar o triste aniversário do sequestro, que até o momento não teve solução, diversas cidades do mundo farão homenagens às meninas.

Na Nigéria, uma marcha com 219 garotas atravessará Abuja, segundo a “BBC”. Outras capitais, como Washington, preparam eventos semelhantes para lembrar a data. Já em Nova York, o Empire State Building ficará iluminado em lilás e roxo para pedir o fim da violência contra as mulheres. Em Paris, a ex-primeira-dama Valerie Trierweiler compareceu a um pequeno protesto em frente à Torre Eiffel.

A vencedora do prêmio Nobel da Paz de 2014, Malala Yousafzai, enviou uma mensagem às jovens pedindo que elas não percam a esperança em um resgate. Porém, a paquistanesa lembrou que o ex-presidente nigeriano Goodluck Jonathan e a comunidade internacional não fizeram o suficiente para salvar as estudantes raptadas.

O atual presidente do país, Muhammadu Buhari, se manifestou sobre o sequestro, segundo o jornal “The Telegraph”. “Não sabemos se as meninas raptadas em Chibok podem ser salvas. A sua sorte é desconhecida. Por mais que eu queira, eu não posso prometer que irei encontrá-las. Mas, eu digo a cada pai, parente e amigo que o meu governo fará de tudo para levá-las para casa”, destacou o mandatário.

Ele aproveitou o momento para pedir “uma reflexão sobre a dor e o sofrimento das vítimas, de suas famílias e de seus amigos” e disse que “em oração, toda a nação nigeriana está com vocês”.

Porém, como as chances de reencontrar as alunas é quase remota, as organizações que criaram o movimento “Bring Back Our Girls” (Tragam de volta nossas garotas) decidiram mudar o slogan para a data e divulgam o “Never to be Forgotten (Nunca serão esquecidas). – O caso: No dia 14 de abril de 2014, um comboio armado invadiu a escola de Chibok e raptou 233 meninas. O grupo é contrário à educação de mulheres porque diz que isso é contra o “Corão”. Três dias após o sequestro, os terroristas decidiram libertar, sem explicação, 14 alunas.

Cerca de 20 dias após o rapto, no dia 5 de maio, o grupo jihadista divulgou um vídeo de 57 minutos em que disseram que as jovens seriam tratadas como “escravas”, “vendidas” ou “forçadas a se casarem”. “Sequestrei a filha de vocês e as venderei no mercado em nome de Alá”, disse o líder do grupo, Abubakar Shekau nas imagens, defendendo que a “educação ocidental deve cessar” e, portanto, “elas deixarão a escola para se casarem”.

Sabendo apenas que as garotas teriam sido “convertidas”, diversas ações de resgate foram anunciadas pelo governo nigeriano. Porém, nenhuma delas surtiu efeito e o Boko Haram negou que estivesse fazendo alguma negociação para a libertação delas. A última informação sobre as estudantes foi divulgada em um vídeo de 1º de novembro de 2014 e dizia que todas teriam se casado com os jihadistas.

| Afolabi Sotunde/Reuters

Na Nigéria, uma marcha com 219 garotas atravessará Abuja | Afolabi Sotunde/Reuters

| Afolabi Sotunde/Reuters

Na Nigéria, uma marcha com 219 garotas atravessará Abuja | Afolabi Sotunde/Reuters

Presidente nigeriano eleito diz que não pode prometer resgate de alunas raptadas

O presidente eleito da Nigéria, Muhammadu Buhari, disse nesta terça-feira (14) que não pode prometer que vai encontrar as 219 alunas raptadas pelo grupo radical Boko Haram há exatamente um ano.

“Não sabemos se as jovens de Chibok podem ser resgatadas. O seu paradeiro permanece desconhecido. Gostaria muito, mas não posso prometer que vamos encontrá-las”, afirmou em comunicado.

“Mas eu digo a todos os pais, familiares e amigos das crianças que o meu governo vai fazer tudo o que estiver ao seu alcance para trazê-las de volta para casa”, acrescentou.

A Nobel da Paz Malala Yousafzai acusou, nessa segunda-feira (13), os governantes nigerianos e a comunidade internacional de não fazer o suficiente para que as 219 jovens, mantidas em cativeiro pelo grupo Boko Haram, sejam libertadas.

“Na minha opinião, os líderes nigerianos e a comunidade internacional não têm feito o suficiente para conseguir a liberdade delas”, escreveu a ativista em carta dirigida às adolescentes, na véspera de completar um ano do rapto.

Na noite de 14 de abril do ano passado, o grupo Boko Haram raptou 276 adolescentes de uma escola da localidade de Chibok, no estado de Borno, no Nordeste da Nigéria.

Do total, 57 conseguiram fugir. Não se sabe onde estão as outras. Elas foram vistas pela última vez em um vídeo divulgado pelo Boko Haram em maio.

O líder do grupo radical, Abubakar Shekau, disse que todas as adolescentes foram convertidas ao Islã e obrigadas a casar.

Malala criticou o ex-presidente da Nigéria Goodluck Jonathan por não ter feito o suficiente para libertar as jovens raptadas.  Ela elogiou, no entanto, o presidente eleito, Muhammadu Buhari, por ter prometido dar prioridade ao resgate das adolescentes e não tolerar mais violência contra as mulheres.