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Foco 13/04/2015

Sabesp ignorou alertas sobre a crise da água, diz especialista

A crise hídrica que afeta o Estado de São Paulo poderia ser menos crítica, caso a Sabesp tivesse cumprido exigências e recomendações feitas pelo Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica) e pela ANA (Agência Nacional de Águas).

“Desde 2004, a Sabesp já havia sido avisada pelo Daee que era preciso reduzir a dependência do sistema Cantareira”, afirma especialista em recursos hídricos Glauco Kimura, coordenador do Programa Água para a Vida do WWF-Brasil. A companhia, entretanto, não atendeu as exigências.

Em 2011, o Atlas, estudo feito pela ANA, apontava a necessidade de providências e pedia a implantação do sistema São Lourenço. Mas só em abril de 2014, quando a região metropolitana já passava por uma crise no abastecimento, as obras foram iniciadas. O mesmo estudo recomendava o reforço do sistema Alto Tietê, medida que só foi anunciada em dezembro do ano passado.

“A falta de chuvas foi apenas a gota d’água”, afirma Kimura. De acordo com ele, as obras começaram tarde demais. “O Plano Diretor de Recursos Hídricos para a Macrometrópole, realizado pela Sabesp em 2008, já revelava a incapacidade do Cantareira de dar conta do recado. Mas não deu resultado. O governo não cobrou como deveria.”

Segundo Kimura, o Estado também falhou ao não impedir a degradação dos mananciais e fontes de água que abastecem a Grande São Paulo, como as represas Billings e a Guarapiranga.

Outro lado

A Sabesp afirma que, entre 1995 e 2013, investiu R$ 9,3 bilhões em ações para garantir a segurança do abastecimento de água na região metropolitana. Para o período de 2014 a 2018, o investimento está estimado  em R$ 12,8 bilhões.

A companhia afirma que tem realizado diversas obras no plano emergencial para ampliar a produção de água potável, entre elas o sistema São Lourenço, que vai ampliar a capacidade de produção de água tratada para São Paulo em 4,7 mil litros por segundo, previstas para 2017. A Sabesp cita ainda obras de reforço para o sistema Alto Tietê e o aumento da capacidade do sistema Guarapiranga.

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