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Brasil 12/04/2015

Mesmo menores, protestos contra Dilma e corrupção mantêm governo acuado

Pela segunda vez em menos de um mês, brasileiros foram às ruas em todo o país para protestar contra a presidente Dilma Rousseff neste domingo.  Embora tenham reunido um número menor de pessoas– 700 mil, quase um terço dos 2,2 milhõesDe carona arte protestos dilma do dia 15 de março–, as manifestações mantém a pressão sobre o governo Dilma Rousseff.

Em São Paulo, o protesto voltou a tomar conta da avenida Paulista. Segundo a PM, 275 mil pessoas participaram. O número representa 31,8% do registrado pela PM no protesto de 15 de março (1 milhão). O Datafolha disse que foram 100 mil, e os organizadores, 800 mil.

Ao descer na estação Consolação, era possível montar um kit anti-Dilma em pouco minutos. Ambulantes ofereciam camisetas, faixas e bandeiras com slogans anti-PT. Um kit completo saía por R$ 30. Alguns ofereciam o pão de mel (R$ 5) e as garrafas de água com rótulos “fora PT” (R$ 3,50).

Na Paulista, era possível andar com facilidade e caminhar entre os carros de som dos grupos que organizaram a manifestação. Isolado dos demais grupos,  o SOS Força Armadas, que defende a volta dos militares, atraía apenas 200 pessoas em torno dos três carros colocados na altura da rua Carlos Sampaio.

A maior concentração era na frente nos “trios elétricos” do MBL (Movimento Brasil Livre) e do Vem Para Rua. Os dois grupos alternavam discursos contra a presidente Dilma, gritos de fora PT e contra a doutrinação comunista no Brasil. A oposição também foi alvo de críticas. Os grupos pediram mais atitude do PSDB e das demais legendas para colocar em discussão um pedido de impeachment. “Nosso ato foi um sucesso. O governo seguirá pressionado pelo grito das ruas. E 20 de maio estaremos em Brasília”, disse Renan Santos, 31 anos, um dos coordenadores do MBL.

O clima  era de piquenique,  com o público circulando com cachorros e crianças. A trilha sonora incluía Legião Urbana, Cazuza e Raul Seixas. Os cartazes traziam pedidos de Fora Dilma e imagens da presidente e do ex-presidente Lula presos.

O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) foi recebido na Paulista com abraços, beijos e gritos de presidente. Bolsonaro atendeu a uma fila de pedidos de selfies. Também estavam presentes os deputados Paulinho da Força (SDD-SP) e Roberto Freire (PPS-SP).

O senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, não participou de nenhum ato, mas divulgou nota nas redes sociais afirmando que os tucanos estavam juntos com os brasileiros que foram às ruas.

Nua

Não foram registrados confrontos e os PMs voltaram a ser procurados por gente que queria uma selfie. A única ocorrência foi a detenção de uma mulher que ficou completamente nua na frente do Masp. 

Governo decide não comentar 

Diferentemente do dia 15 de março, o Palácio do Planalto decidiu não comentar os protestos deste domingo. Internamente, o governo avaliou como positivo o número menor de pessoas.

Embora admitam que os protestos deste domingo não devam ser menosprezados, os ministros mais próximos a Dilma acham que o momento mais crítico já passou.

Dilma retornou da Cúpula das Américas, realizada no Panamá, na madrugada de domingo e foi informada a cada hora do desenrolar dos atos pelos ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil) e José Eduardo Cardozo  (Justiça).

À noite, a presidente postou no Facebook mensagem dizendo que “a guerra contra a corrupção deve ser uma ação permanente e também um momento de reflexão da sociedade”.

Ato na esplanada pede impeachment 

A concentração de manifestantes começou a se formar em Brasília, às 9h30. Com três trios elétricos – um deles defendendo a intervenção militar –, a multidão começou a caminhar em direção ao Congresso Nacional.

Ao contrário do protesto de 15 de março, em que as reivindicações eram pulverizadas, desta vez as palavras de ordem focavam-se no impeachment da presidente.  Afastado dos demais manifestantes, um grupo que pedia a volta do regime militar era acompanhado de perto por policiais militares, que tentavam evitar agressões e discussões. De acordo com a PM, 25 mil pessoas participaram do ato.

No Rio de Janeiro, a multidão ocupou a orla de Copacabana com bandeiras, faixas e gritos de “impeachment” e “chega de corrupção”.  O protesto teve início às 10h, na altura do Posto 5, e se encerrou por volta das 15h.  Participaram cerca de 10 mil pessoas, segundo a Polícia Militar. Já os organizadores estimaram o público em 20 mil.

Vestidos de verde e amarelo, os manifestantes caminharam pela avenida Atlântica, acompanhados por três carros de som. O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas investigações da Operação Lava Jato, foi citado nos discursos e recebeu aplausos dos participantes. Considerado pacífico, o protesto registrou três incidentes provocados por pessoas contra o movimento.

Em um dos casos, a corretora de imóveis Denise Almeida, 55 anos, militante do PT,  iniciou uma discussão com uma mulher próximo à rua Santa Clara, quando outros manifestantes chegaram. Já um homem a favor do governo provocou os manifestantes com um megafone. Ele foi hostilizado e precisou ser escoltado pela PM para sair do local.

Em Porto Alegre (RS), a manifestação reuniu 35 mil pessoas, segundo a Brigada Militar. O único incidente registrado envolveu duas ciclistas que se manifestaram a favor da presidente Dilma, o que gerou um princípio de conflito.

Já em Belo Horizonte (MG), 6 mil pessoas seguiram a pé até a praça da Estação carregando bandeiras, faixas e cartazes nos quais lia-se “Fora Dilma”, “Impeachment” e “Quero Respeito”. Ao som do Hino Nacional e de músicas como “Que país é esse” e “Pacato cidadão”, o grupo gritava palavras de ordem contra o governo e o PT.

Em Curitiba (PR), o protesto no centro da cidade reuniu 40 mil pessoas, segundo a PM. O  vereador Professor Galdino (PSDB) disse aos policiais ter sido agredido durante o ato. 

manifestação pelo brasil

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