logo
Brasil
Brasil 07/04/2015

Com aval do PT, CUT realiza atos contra mudanças na terceirização

Após o ex-presidente Lula defender, na semana passada em São Paulo, uma reaproximação do PT com os movimentos sociais, líderes da legenda declararam nesta segunda-feira apoio aos atos que estão sendo realizados nesta terça pela CUT, com a participação de outras entidades, contra a aprovação do PL 4.330, que muda as regras de terceirização no país, e em defesa da Petrobras e da democracia.

Até o momento, dez Estados, além do Distrito Federal,  já tiveram manifestações: Acre, Bahia, Amapá, Alagoas, Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte, Maranhão, Rio Grande do Sul e São Paulo.

Em São Paulo,  integrantes da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e MST (Movimentos dos Trabalhadores Sem Terra) realizam manifestação no centro da capital desde às 9h desta terça-feira. Organizadores do ato estimam que mil pessoas estejam presentes. A Polícia Militar calcula que 100 pessoas participem do ato.

Eles começaram a se concentrar em frente à sede da Secretaria Estadual de Saúde, e iniciaram a caminhada às 11h20. Os manifestantes pretendem seguir até a Praça da República, no centro da cidade.

De acordo com a categoria, o protesto é realizado em defesa da saúde pública, da Petrobras, pelos direitos trabalhistas, por mais democracia e apoio ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT).

Eles devem caminhar até a Praça da República, onde farão um ato contra o projeto de lei  4.330. Segundo os manifestantes, a aprovação do projeto acabará com o regime CLT.

Representantes sindicais aproveitaram a celebração do Dia Mundial da Saúde, nesta terça-feira (7), para reivindicar melhor atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Fazemos o protesto para ver se essa questão da melhora da saúde vai para frente, é muito difícil. É um ato suprapartidário, a gente faz isso para esclarecer a população”, disse Luís Antônio Queiroz, diretor da executiva da Central Única dos Trabalhadores (CUT). A principal reivindicação das centrais é o aumento do orçamento para a saúde.

Gervásio Foganholi, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado de São Paulo(SindSaúde-SP), reclamou da forma como o problema da dengue está sendo tratado pelas autoridades públicas. Ele criticou a Superintendência de Endemia do Estado de São Paulo (Sucen) que a seu ver foi precarizado nos últimos 30 anos. “A Sucen repassou serviços para os municípios, fez a descentralização da gestão, mas não repassou os recursos necessários, não deu infraestrutura”.

Adão do Carmo, representante do Movimento Popular de Saúde, também criticou a saúde oferecida à população. “A gente vive um dos piores momentos, a saúde está totalmente sucateada. Não tem mais funcionário público, a maioria são prestadores de serviço, de forma desordenada”.

O coordenador da Pastoral da Saúde da Igreja Católica, Paulo Moura, disse que a falta de informação atrapalha o atendimento à população. “Hoje, sendo o Dia Mundial da Saúde, nós queremos qualidade nas informações. As coisas não acontecem porque não tem informação”, disse.

O PL 4.330

Com o aval da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), o texto (veja o que muda no quadro abaixo) pode ser votado nesta terça. Caso seja aprovado, o projeto segue para o Senado.

Favorável ao projeto, o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, contesta as críticas à terceirização, segundo as quais ela traz precarização do trabalho e redução de salários, pois, afirma ele, as empresas prestadoras de serviço registram seus funcionários e cada categoria tem seu piso salarial.

O objetivo dos protestos, segundo Vagner Freitas, presidente da CUT, é pressionar a bancada conservadora do Congresso Nacional a manter as regras atuais. O MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) e a UNE (União Nacional dos Estudantes) também participarão dos atos.

A avaliação No PT é que a legenda errou ao não declarar apoio e participar efetivamente dos atos organizados pela CUT.

Com a mudança na atitude, o PT espera que as centrais amenizem as críticas contra o pacote de ajuste fiscal proposto pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

Lula enviou recado aos líderes da legenda para que  incentivem a participação da militância do partido nos atos, que serão monitorados pelo Planalto.

20150407_SP06_trabalho-terceirizado