logo
Foco
Foco 06/04/2015

Apenas 32% dos pontos para food trucks são preenchidos

Empresário Zeca Amaral do truck Cozinha com Z, prefere ficar em áreas particulares e eventos | André Porto/Metro

Empresário Zeca Amaral do truck Cozinha com Z, prefere ficar em áreas particulares e eventos | André Porto/Metro

Onze meses depois de começar a valer na capital, a lei que regulamenta a venda de comida de rua emitiu permissões para apenas 80 dos 253 pontos destinados aos chamados food trucks.

Segundo Rolando Massinha, 54 anos, presidente da Associação de Comida de Rua e proprietário de dois food trucks, o problema é que muitos comerciantes querem permanecer nos locais onde já trabalham há anos, mas os pontos não são liberados pela prefeitura. “Eu, por exemplo, quero ficar na avenida Sumaré, onde estou há oito anos em uma área particular”, disse o comerciante.

Quem teve permissão emitida reclama da dificuldade para estacionar no ponto liberado. Zeca Amaral, de 56 anos, da Cozinha com Z, tem TPU (Termo de Permissão de Uso) na avenida Faria Lima, mas não consegue trabalhar lá porque nunca encontra vaga para estacionar. “Sempre que eu  tento, já tem carros estacionados”, diz. Por isso, ele optou por trabalhar apenas em áreas particulares e eventos. As dificuldades já haviam sido previstas antes da lei entrar em vigor. Massinha afirma que, há um ano, em reunião sobre a lei com o prefeito Fernando Haddad (PT), defendeu que os espaços para os trucks fossem demarcados como são os pontos de táxi. “Para ter o TPU você paga anualmente um valor entre R$ 3 mil e R$ 5 mil. Se você paga por aquele espaço, ele deveria ser reservado.”

De acordo com a lei, os trucks que usarem espaços públicos e não tiverem TPU podem ser multados pela prefeitura. Por isso, a maioria dos proprietários está optando por espaços particulares, como food parks e eventos.

20150406_SP04_Comida-de-ruaCarrinhos de mão

No caso dos vendedores que trabalham com carrinhos puxados à mão, como os pipoqueiros, o percentual de adesão é ainda menor: apenas 17% dos pontos oferecidos pela prefeitura foram preenchidos.

De acordo com Valdir Marcolino Leandro, 59 anos, presidente da Associação de Pipoqueiros, o problema é o mesmo enfrentado pelos trucks. “Tem gente que trabalha há 20 anos em um local e as subprefeituras autorizam em outro, onde não há movimento.”

No mês passado, a associação se reuniu com assessores do vereador Andrea Matarazzo (PSDB), autor do projeto de lei da comida de rua. Segundo o vereador, a regulamentação inverteu a sistemática da escolha do ponto porque a prefeitura retirou do projeto original a criação de uma comissão com representantes locais que avaliaram os pedidos de uso do espaço público de acordo com a demanda.

A prefeitura informou que os pontos indicados pelas subprefeituras levam em consideração critérios técnicos para que não atrapalhem pedestres e o tráfego de veículos, garantindo a segurança de todos. Em relação ao estacionamento dos food trucks, eles estão sujeitos às mesmas normas dos demais veículos, desde que estejam com a autorização de serviço.