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Foco 05/04/2015

Governador do Rio anuncia que polícia irá reocupar complexo do Alemão

Passeata contra o assassinato de Eduardo reuniu 50 pessoas ontem, na praia de Copacabana | Ricardo Moraes/reuters

Passeata contra o assassinato de Eduardo reuniu 50 pessoas ontem, na praia de Copacabana | Ricardo Moraes/reuters

O governador Luiz Fernando Pezão anunciou no domingo que a Polícia Militar vai reocupar o Complexo do Alemão, na zona norte.

Pezão afirmou que planeja o fortalecimento de algumas Unidades de Polícia Pacificadora, mas esclareceu que a ocupação militar não é o único objetivo das operações. “Segurança é um instrumento para nós levarmos a saúde a educação, a ação social”, explicou.

O governador descartou ainda o uso das Forças Armadas. O conjunto de favelas foi ocupado em 2010.

O anúncio ocorreu depois de quatro pessoas morrerem em operações policiais no Alemão na semana passada. Entre elas, o menino Eduardo Jesus de Ferreira, de 10 anos, baleado na porta de sua casa, enquanto brincava no celular.

Os pais de  Eduardo viajaram ontem para o Piauí, seu Estado natal, onde enterrarão seu filho. José Maria Ferreira de Souza e Terezinha Maria de Jesus desembarcaram em Teresina e foram para a cidade de Corrente, a 864 km da capital, onde será realizada a cerimônia. A previsão é que o corpo de Eduardo chegue nesta segunda.

Antes do embarque, José afirmou que a família vai voltar para auxiliar na investigação e garantiu que  sua esposa poderia identificar o autor do crime. Os pais acusam policiais militares de serem responsáveis pela morte do filho.

As despesas da viagem e do sepultamento estão sendo arcadas pelo governo do Estado, a pedido do governador  Pezão. A Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos também oferece assistência psicológica à família.

O delegado da Divisão de Homicídios, Rivaldo Barbosa, reuniu-se no sábado com os pais de Eduardo e garantiu que a Polícia Civil fará o possível para punir os responsáveis.

Será realizada uma reprodução simulada do caso, ainda sem data definida. Os parentes do jovem ficaram sob a guarda da DH de sábado até o momento do embarque.

Protesto em Copacabana

Uma passeata contra o assassinato de Eduardo reuniu  cerca de 50 pessoas na manhã de domingo, na Praia de Copacabana, na zona sul.

Organizada pela ONG Rio de Paz, a manifestação envolveu um cortejo fúnebre simbólico, que lembrou também outras crianças vítimas da violência urbana.

O presidente da organização, Antônio Carlos Costa, explicou que a ideia era representar a solidariedade da zona sul com o Complexo do Alemão, e lamentou que a mobilização não foi maior.