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Brasil 02/04/2015

Em entrevista, Dilma diz confiar na recuperação da Petrobras

A quantia bateu o recorde do governo Dilma Rousseff | Fábio rodrigues pozzebom/Agência Brasil

Presidente brasileira concedeu entrevista à agência de notícias norte-americana | Fábio rodrigues pozzebom/Agência Brasil

A presidente Dilma Rousseff (PT) disse acreditar que a Petrobras voltará a receber maior volume de capitais após superar o “processo de descoberta da corrupção” em entrevista à agência norte-americana de notícias Bloomberg.

Dilma falou ainda sobre a crise econômica do páis. Segundo ela, o “grande corte” a ser promovido pelo governo se dará fundamentalmente na máquina pública. A presidente disse ainda que vai fazer tudo para atingir o superávit primário de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB – soma das riquezas produzidas no país).

Dilma Rousseff admitiu que ainda haverá dificuldades, mas reafirmou a solidez dos fundamentos macroeconômicos do país.

“Não é só uma questão de crença, é de ação política. Nós sabíamos que os resultados de janeiro e fevereiro não seriam bons. Eu acho que inclusive o mercado já esperava um pouco isso. Acreditamos que ainda vamos ter um período de dificuldades, mas o Brasil tem uma situação de solidez bastante grande, nos seus fundamentos macroeconômicos”, destacou na entrevista.

De acordo com a presidente, depois que tiver novamente acesso ao mercado de capitais, a Petrobras poderá receber os investimentos que precisa. “A Petrobras inclusive, em alguns momentos, era a empresa para a qual todo mundo queria emprestar. A Petrobras vai distribuir dividendos. Ela, neste processo de agora, de descoberta da corrupção, tem condições de passar por isso e superar”, disse.

Dilma ressaltou que as “medidas drásticas” que a estatal terá de tomar foram também adotadas internacionalmente por outras empresas que enfrentaram situações similares. Segundo ela, a Petrobras terá “uma gestão muito melhor”, “melhores práticas” e “capacidade de se alavancar novamente”.

A presidente reafirmou que não sabia dos atos de corrupção que ocorriam entre funcionários da empresa, empreiteiras e políticos. “Sequer um sinal”, disse. Ela apontou ainda que os indícios só foram descobertos pela investigação da Polícia Federal e do Ministério Público.

Quanto às construtoras citadas nas investigações como participantes de cartel e desvio de recursos públicos, Dilma afirmou que não são todas as empreiteiras brasileiras que estão envolvidas. “Algumas vão ter de fazer acordo de leniência. Agora, eu não acho que isso impeça o investimento”, observou.

Ajuste fiscal

Quanto às medidas de ajuste fiscal, Dilma declarou que os cortes serão “fundamentalmente no custeio e no enxugamento da máquina”. Ela ressaltou que o problema não será resolvido com cortes em pessoal e que será preciso racionalizar gastos, “defasar outros” e criar vários mecanismos.

“Essa é a parte com a qual o governo entra, porque todo mundo tem de entrar com um pedaço. O nosso pedaço, quero avisar, vai ser grande. Vamos fazer um grande corte, um grande contingenciamento orçamentário.” Ela enfatizou que não haverá redução na política social. “[Isso] porque não é ela que é responsável pela grande maioria dos gastos. O que nós vamos fazer é um enxugamento em todas as atividades administrativas do governo, um grande enxugamento.”

Dilma afirmou também que, depois que o ajuste for aprovado, pretende fazer algumas medidas microeconômicas, e citou a estrutura tributária como “não eficiente” e “complexa”.

“Um dos motivos pelos quais fazer bitributação, acordo de bitributação no Brasil é difícil é por causa dessa estrutura, que é uma estrutura muito burocratizada, cheia de detalhes. Nós queremos visitar por exemplo, a cumulatividade de impostos e mudar isso. Nós queremos racionalizar a estrutura tributária brasileira. Além disso, nós temos também uma série de ações na área da desburocratização”, falou a presidente brasileira.