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Brasil 01/04/2015

Delator da Lava Jato comprova pagamento de propina de construtora no exterior

Barusco prestou delação premiada à força-tarefa da Lava Jato | Antonio Cruz / Agência Brasil

Barusco prestou delação premiada à força-tarefa da Lava Jato | Antonio Cruz / Agência Brasil

Uma construtora no Panamá usada pela Odebrecht, uma das empreiteiras investigadas na Lava Jato, teria pago US$ 916 mil (R$ 2,9 milhões no câmbio atual) a Pedro Barusco, ex-gerente de Serviços da Petrobras.

O dinheiro, como indicam comprovantes de depósito entregues por Barusco ao MPF (Ministério Público Federal), foi colocado na conta de uma empresa chamada Pexo Corporation, que ele abriu no Panamá em 2008 justamente para receber essas propinas. Os pagamentos aconteceram no ano seguinte, segundo os documentos.

Essa empresa panamenha, Constructora del Sur, era usada pela Odebrecht para fazer os repasses, segundo Barusco. A mesma empreiteira também depositou US$ 875 mil (R$ 2,78 milhões atualmente) para o ex-diretor da Petrobras Renato Duque, que era chefe de Barusco. O dinheiro, segundo as investigações, era gerido pelos dois e repassado inclusive a políticos, posteriormente.

Além disso, depoimentos recentes do doleiro Alberto Youssef confirmam que a Constructora del Sur era usada para pagar propinas.

Apesar de citada pela maioria dos delatores como integrante do cartel na Petrobras, a Odebrecht não teve nenhum executivo preso. Segundo outra delação, do ex-diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, os dois contatos da construtora na negociação de propinas eram Rogério Araújo e Márcio Faria.

A Odebrecht afirma, desde o surgimento das suspeitas, que “não participa ou participou de qualquer tipo de cartel” e que todas as licitações vencidas pela empresa foram legais.