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Senador pede abertura de investigações sobre o Mais Médicos

A Comissão de Relações Exteriores do Senado quer investigações sobre o programa Mais Médicos. O pedido feito pelo senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) se deu depois que reportagens da Band mostraram que o programa nasceu de uma intenção de ajudar financeiramente o governo de Cuba.

Reportagem do jornalista Fábio Pannunzio motrou gravações exclusivas de diálogos entre responsáveis pelo Mais Médicos aqui no Brasil e foi exibida na comissão do Senado.

Em um dos trechos da matéria, uma das responsáveis pelo programa diz claramente que há irregularidades:»se a gente coloca governo cubano qualquer pessoa vai entender que a gente tá triblando a coisa de fazer o acordo bilateral e pode dar uma detonada nisso», mostra a gravação.

Para o senador Ronaldo Caiado, os cerca de 50 assessores cubanos que estão no Brasil para acompanhar o trabalho dos médicos, na verdade, atuam como espiões.

«Eu já encaminhei à Procuradoria-Geral da República, já pedi para que pudéssemos ouví-los, para que a Procuradoria pudesse ouví-los e ao mesmo tempo esclarecer se são apenas esses 50 espiões inicialmente ou se tem outros lotes de espiões que agora também tem diploma de médico aqui em território brasileiro», disse o senador durante a sessão.

Caiado teve o apoio dos tucanos Aloyzio Nunes (PSDB-SP) e Cássio Cunha Lima (PSDB-PB). Eles concordam e querem que o caso seja investigado.

Entenda o caso
Gravações de uma reunião anterior ao lançamento do Mais Médicos revelam que assessores ministeriais tentaram mascarar um dos objetivos do programa: atender o governo cubano, reservando a maior parte do orçamento a profissionais vindo do país insular.

Após as manifestações de junho de 2013, o governo federal tratou de apressar algumas medidas populares. Uma delas foi contratar médicos para atuar em locais do país que não eram atrativas para doutores brasileiros com o projeto, que o planalto vinha estruturando secretamente havia seis meses.

A pressa foi grande e acabou dando causa a um evento raríssimo em Brasília, onde, em pleno sábado, aconteceu uma reunião da qual participaram ao menos seis assessores de ministérios.

O Jornal da Band conseguiu identificar três assessores do Ministério da Saúde que participaram do encontro: Rafael Bonassa, assessor do gabinete do ministro, Alberto Kleiman, da área internacional e Jean Kenji Uema, chefe da assessoria jurídica.

Além deles, também esteve no encontro Maria Alice Barbosa Fortunato, que atualmente é coordenadora do Mais Médicos na Organização Panamericana de Saúde (Opas), a mais preocupada do grupo em ocultar a preferência do governo federal pelo médicos Cubanos.

“Eu acho que não pode ter o nome governo de Cuba porque senão vai mostrar que nós estamos driblando uma relação bilateral”, explicou Maria Alice em um trecho da gravação.

Para mascarar o acordo com Cuba, a representante da Opas propõe que seja simulado uma abertura para médicos de outros países. A esses, no entanto, será destinado apenas 0,13% da verba alocada para o primeiro ano do Mais Médicos.

“Eu posso colocar atividades do Mercosul e da Unasul, que vai dar dois milhões. Dois milhões (de reais) em relação a um bilhão e seiscentos milhões (de reais), será que na coisa da justiça tem problema?”, questionou.

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