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Contra crise hídrica, Sabesp mapeia poços em São Paulo

Para tentar garantir o abastecimento de água, a Sabesp decidiu procurar lugares para perfurar poços de maneira emergencial.

A estatal vai contratar o Cepas-USP (Centro de Pesquisas de Águas Subterrâneas do Instituto de Geociência) para avaliar pontos onde haja disponibilidade de água para que as perfurações possam ser realizadas.

Segundo a Sabesp, o estudo vai mapear a possibilidade de perfuração de 200 poços e a viabilidade de sua utilização para o abastecimento público.

De acordo com a estatal, esses poços serão perfurados apenas se for necessário para o abastecimento. “É um planejamento para considerar mais essa fonte de água, aumentando a segurança hídrica”, informou a Sabesp em nota.

Para o professor doutor de engenhara hídrica do Mackenzie Antonio Eduardo Giansante, 57 anos, a medida é positiva em uma situação de emergência como a atual, mas é preciso alguns cuidados porque a água pode estar contaminada.

“Há muitos poços clandestinos perfurados que podem ter contaminado a área. Será necessário verificar se um deles não está nas proximidades das áreas que forem indicadas para a perfuração dos poços da Sabesp.”

Outro problema, segundo Giansante, é o reabastecimento dos poços, que podem secar após algum tempo de  uso. “O uso desse aquífero é limitado,  ele não tem o volume de água do aquífero Guarani, que fica no interior de São Paulo.”

A reportagem não localizou representante do Cepas para falar sobre o projeto. O contrato terá  um ano de duração. A estatal não informou seu valor, mas, segundo o G1, o custo será de R$ 2,9 milhões.

A companhia afirma que o projeto faz parte de seu plano de contingência e que já tem a autorização de sua diretoria colegiada. Mas o contrato ainda não foi assinado.

 

Reversão de rio

Outro projeto que está sendo estudado para amenizar a crise de abastecimento  é a  reversão de um rio, ao sul da capital, segundo o jornal “Folha de S. Paulo”.

Pelo plano, o curso do rio São Lourenço será invertido para que as suas águas, por meio de um caminho de 5 km a ser construído com adutoras, possam ser despejadas no córrego das Lavras, que abastece a represa Guarapiranga.

Com essa obra, o governo espera captar até 3,5 mil litros de água por segundo.

 

Chance de rodízio é pequena, diz Alckmin

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) voltou a deixar em aberto a possibilidade de adoção de um rodízio no abastecimento de água na Grande São Paulo. “Não se pode dizer que não vai ocorrer, mas a probabilidade de racionamento é muito pequena. Nós estamos com os reservatórios subindo, temos mais reservas técnicas que não utilizamos e temos obras de aumento da oferta de água dentro do cronograma”, disse nesta terça-feira, em entrevista à rádio Jovem Pan.

Segundo ele, as obras devem aumentar a vazão em três pontos, totalizando 6 mil litros cúbicos por segundo a mais nos sistemas que abastecem a Grande São Paulo. Se tudo for entregue, ajudarão a passar o período seco sem recorrer a um rodízio.

Na segunda-feira, em reunião com prefeitos, o secretário estadual de Recursos Hídricos de São Paulo, Benedito Braga, disse que a perspectiva de chuva para os próximos meses não é boa e que a situação é crítica.

Nesta terça, nenhum dos sistema que abastecem a Grande São Paulo  registrou chuva. Cantareira (11,7%), Rio Grande (85,7%) e Alto Cotia (40,9%) mantiveram o nível estável. Alto Tietê (18,9%) e Rio Claro (38,4%). O Guarapiranga subiu de 62,3% para 62,8%

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