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Petrobras despenca mais de 11% e leva Bovespa a fechar em baixa

A frustração do mercado com o balanço trimestral da Petrobras, divulgado sem a esperada perda contábil por denúncias de corrupção, levou as ações da Petrobras ao maior tombo diário em três meses.

As ações preferenciais da Petrobras, mais negociadas e sem direito a voto, fecharam com desvalorização de 11,20%, para R$ 9,03. Já as ordinárias, com direito a voto, cederam 10,48%, para R$ 8,63. Ambas tiveram a maior queda diária desde 27 de outubro de 2014.

A Petrobras divulgou o esperado balanço não auditado do terceiro trimestre de 2014 na madrugada de quarta-feira. A apresentação deveria ter sido feita em novembro passado, mas foi adiada após a PwC (PricewaterhouseCoopers) se recusar a aprovar as contas devido às denúncias da Operação Lava Jato.

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Apesar de não ter contabilizado a redução no valor de seus ativos, a Petrobras divulgou um cálculo sugerindo baixas contábeis potenciais   relacionadas aos empreendimentos que são alvo de investigação. Segundo a estatal, as análises mostraram que parcela dos ativos está superavaliada em R$ 88,6 bilhões, enquanto outra está subavaliada em R$ 27,2 bilhões. Os valores indicam a necessidade de uma baixa de R$ 61,4 bilhões.

A empresa disse que tentou calcular as baixas contábeis em ativos envolvidos nas denúncias pela estimativa da diferença entre o valor justo e o valor contábil, e também a quantificação do sobrepreço decorrente de atos ilícitos a partir de informações, números e datas nos depoimentos à Polícia Federal.

No entanto, a companhia afirmou que desistiu de usar essa metodologia, sob a justificativa de que seria impossível isolar os valores referentes aos desvios de pagamentos de outros fatores, como variações do câmbio, ineficiência de projetos e mudanças nas projeções de custos de insumos e produtos.

“Concluímos ser impraticável a exata quantificação destes valores indevidamente reconhecidos, dado que os pagamentos foram efetuados por fornecedores externos e não podem ser rastreados nos registros contábeis da companhia”, disse a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, em comentários no balanço.

No balanço, a Petrobras disse que continua trabalhando para produzir demonstrações financeiras revisadas pela PwC no menor tempo possível. A empresa estudará outra metodologia.

A ausência de uma baixa contábil relacionada às denúncias da Lava Jato prolonga as incertezas sobre a saúde financeira da Petrobras. Muitos analistas criticaram o conteúdo do balanço.

“A intenção da companhia de divulgar o balanço não auditado foi para atender as obrigações com os credores, mas se não tem baixa contábil, para que serve? O mercado trabalhava com uma baixa contábil entre US$ 5 bilhões podendo chegar a US$ 20 bilhões”, disse Ricardo Kim, analista da XP Investimentos, em relatório.

O balanço divulgado nesta quarta-feira mostra que o lucro da estatal caiu 38% no período, em comparação com o trimestre anterior, de R$ 4,9 bilhões para R$ 3,1 bilhões. Em relação ao terceiro trimestre de 2013, o lucro caiu 9%.

 

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