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Falta de energia elétrica deixa mais de 1 milhão sem água em São Paulo

Ainda deve demorar dois dias a normalização do abastecimento de água para cerca de 1,2 milhão de pessoas de bairros localizados em parte das regiões oeste e sul da capital paulista, além de Cotia e outros municípios vizinhos (Taboão da Serra, Embu e Itapecerica da Serra). A queda de uma árvore sobre a rede elétrica provocou falta de energia nas estações elevatórias de água João XXIII e Jardim São Luiz, na madrugada desta terça-feira (22). O problema foi sanado, mas de forma parcial.

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) justificou que “a tensão de energia está tendo oscilações e a previsão é que o abastecimento seja retomado paulatinamente, podendo demorar de 24 a 48 horas”. Segundo a empresa, falta potência para bombear a água, o que está afetando a distribuição.

Entre os bairros que continuam sem receber água estão o Jardim São Luiz, Jardim Ângela, Parque Fernanda e Capão Redondo, envolvendo cerca de 600 mil pessoas. Elas são atendidas pela Estação Elevatória de Água Jardim São Luiz, que teve fornecimento de energia interrompido por volta das 4h e retomado às 10h.

Apenas na capital, foram mais de 100 bairros afetados. Para moradores do Parque Ipê, na zona oeste, a falta de água não surpreendeu. “A água tem acabado todos os dias, sempre durante a madrugada e só volta de noite”, disse a costureira Elza Santos Novaes, 44 anos.

Na estação João 23, a energia chegou a ser restabelecida durante a tarde, mas a tensão não era suficiente para a retomada do funcionamento. Até as 22h de ontem, não havia previsão para a normalização.

Já na estação Jardim São Luiz, a Eletropaulo restabeleceu a energia, por volta das 10h, mas a previsão era de que o abastecimento de água só fosse retomado na madrugada.

A Sabesp informou que, nesses locais, a água deve chegar às casas aos poucos e haverá maior demora nas que ficam em áreas mais elevadas e distantes das estações. Em Embu Guaçu, a retomada começou por volta das 18h desta terça-feira (22). Lá, o problema atingiu 39 mil moradores.

Governador anuncia pacote de ajuda para o Alto Tietê

O governador Geraldo Alckmin anunciou nesta quinta-feira mais uma série de ações para conter o esgotamento do sistema Alto Tietê.

A partir da próxima semana, 0,5 m³ de água do rio Guaratuba será transferida para as bacias do Alto Tietê. Segundo Alckmin, essa quantidade é suficiente para suprir 150 mil pessoas.

Outras medidas serão restringir o uso de água do reservatório pelos agricultores e voltar a utilizar a água do Cantareira para abastecer bairros da zona lest. Isso aumentará o total de consumidores do sistema Cantareira em 1 milhão, totalizando.

Anteontem, Alckmin havia anunciado que usaria parte da represa Billings para abastecer os sistemas Alto Tietê e Guarapiranga, mas não disse quando a medida seria implantada nem o seu custo. 

Minas Gerais vai adotar o racionamento e sobretaxa

A presidente da Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais), Sinara Meireles, anunciou ontem que o Estado de Minas Gerais irá adotar o racionamento de água e sobretaxar o consumo. A distribuidora solicitou ao Igam (Instituto Mineiro de Gestão de Águas) para que seja decretado estado crítico nos reservatórios que abastecem o Estado.

Dessa forma, a companhia terá condições legais para reduzir o consumo em 30%, além de impor tarifas adicionais para aqueles que consumirem água acima da média.

Atualmente, o sistema de captação no rio Paraopeba, que abastece cerca de 5 milhões de pessoas na região metropolitana de Belo Horizonte, está somente com 30% de seu volume. Segundo Sinara, a redução do consumo será imediata. 

Nível de reservatório sobe pela 1º vez em 22 dias

O nível do sistema Alto Tietê, responsável pelo abastecimento de 4,5 milhões de pessoas, subiu ontem 0,1 pontos percentual e registrou a primeira alta deste ano. O volume armanezado passou de 10% para 10,1%. Já os reservatórios que compõem o Cantareira, que abastece 6,2 milhões, sofreram a 11ª queda consecutiva, passando de 5,5% para 5,4%. Por causa da sequência de quedas, o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, admitiu em artigo publicado ontem na “Folha de S. Paulo”, que pode adotar racionamento “se continuar a não chover nos lugares certos e nas quantidades necessárias”.  A medida, no entanto, não tem data para entrar em vigor. 

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