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Manifestantes bloqueiam ruas de Nova York após morte de jovem negro

Cerca de 5 mil pessoas ocuparam a Times Square, a Columbus Circle, áreas do Harlem e de Staten Island, em Nova York, na noite de quarta-feira e madrugada desta quinta-feira, depois da decisão da Justiça de inocentar um policial que matou um camelô negro na cidade em julho.  (Confira o vídeo do fim do texto)

Perto do Rockefeller Center, onde acontecia a tradicional cerimônia de apresentação da árvore de Natal, centenas de pessoas protestaram em meio aos turistas. Nesta quinta a polícia de Nova York disse que 83 pessoas foram detidas, mas que não registrou incidentes graves.

Investigação federal

“Estamos vendo várias situações em que as pessoas não têm confiança de que estão sendo tratadas de maneira justa”, reagiu o presidente Barack Obama após a decisão do grande júri.

“Não vamos parar até ver o fortalecimento da confiança e da responsabilidade que existe entre nossas comunidades e nossa polícia”, completou Obama.

O secretário de Justiça, Eric Holder, anunciou a abertura de uma investigação federal independente para descobrir se os direitos civis de Garner foram violados.

Cigarros ilegais

Pai de três filhos, suspeito de vender cigarros ilegalmente, Eric Garner morreu após ter sido contido à força por ao menos cinco policiais brancos. Um deles, identificado como Daniel Pantaleo, segurou Garner pelo pescoço, uma prática proibida em Nova York.

A atuação de Pantaleo foi filmada por um cinegrafista amador. No vídeo, Garner se queixa várias vezes de não conseguir respirar. Obeso e asmático, ele perdeu os sentidos em seguida e foi declarado morto no hospital.

A morte foi classificada como homicídio pelo serviço médico municipal. A polícia alegou que ele resistiu à prisão. O vídeo da ação contra Garner rapidamente se espalhou pela internet, alimentando o debate sobre o abuso da violência pelas polícias norte-americanas e provocando indignação.

Confiança

A mãe da vítima não escondeu a decepção com a decisão do júri. “Como vamos confiar em nosso sistema judicial quando nos decepcionam neste momento?”, questionou Gwenn Carr.

“É um dia muito emotivo, muito doloroso para a cidade”, afirmou o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, que considera necessário “encontrar uma forma de avançar”.

O caso é o maior desafio já enfrentado por De Blasio, que assumiu o cargo em janeiro com a promessa de pacificar as tensas relações entre negros nova-iorquinos e a polícia da cidade.

O prefeito, que é casado com uma negra, revelou que tinha conversado com os filhos há alguns anos sobre “os perigos que poderiam encontrar” durante operações policiais. Ele pediu aos manifestantes que façam protestos “pacíficos e construtivos”. Também defendeu um trabalho “para que isto mude”.

Na quarta-feira ele anunciou que 60 agentes da cidade começarão a usar no fim de semana uma microcâmera no uniforme, em um período de testes. Com esta iniciativa, a prefeitura pretende tornar mais transparentes as ações policiais.

A polícia de Nova York, a maior dos EUA, tem cerca de 35 mil oficiais e é criticada frequentemente pelo uso excessivo da força, principalmente contra as minorias latina e negra.

Caso lembra morte de adolescente em Ferguson

O caso de Eric Garner, de 43 anos, em Nova York, lembra o de Michael Brown, adolescente de 18 anos morto por um policial em agosto em Ferguson, no Estado norte-americano do Missouri.

Nos dois casos, as vítimas eram negras e a abordagem policial, por agentes brancos, foi considerada violenta. O policial que matou Brown disparou ao menos seis tiros contra o rapaz. Em Nova York, ao menos cinco policiais abordaram Garner e o levaram ao chão. Um deles o sufocou, em uma manobra proibida no Estado mas cuja aplicação não constitui necessariamente um crime, segundo juristas.

Nas duas situações, os policiais agressores foram inocentados pela Justiça, provocando ondas de protestos, alguns deles violentos. Em Ferguson, lojas foram incendiadas e saqueadas. No caso nova-iorquino, o vídeo gravado por um cinegrafista amador pode fazer alguma diferença.

No Missouri, o agente que matou Brown, Darren Wilson, pediu afastamento da polícia dias depois da decisão da Justiça. O policial de Nova York Daniel Pantaleo, de 29 anos, por enquanto se limitou a divulgar um comunicado no qual afirma que jamais teve intenção de machucar Garner e pediu desculpas à família, que rejeitou o pedido.

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