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Na Ucrânia, líder separatista pró-Rússia admite ter míssil

Pessoas caminham em local da queda; no detalhe, Khodakovsky | Reuters
Pessoas caminham em local da queda; no detalhe, Khodakovsky | Reuters

Um importante líder separatista pró-Moscou confirmou nesta quarta-feira que os rebeldes têm mísseis antiaéreos do tipo que os EUA dizem terem sido usados para abater o avião da Malaysia Airlines com quase 300 pessoas a bordo na semana passada.

Em entrevista à agência de notícias Reuters, o comandante do Batalhão Vostok, Alexander Khodakovsky, reconheceu, pela primeira vez desde que o avião foi derrubado no leste da Ucrânia, que os rebeldes possuem o sistema de mísseis BUK. Khodakovsky ainda insinuou que o aparato pode ser originário da Rússia e que pode ter sido enviado de volta para eliminar provas da sua presença na região.

“Daquele BUK eu soube. Ouvi falar dele. Acho que o mandaram de volta, porque soube dele no exato momento em que soube da tragédia. Eles provavelmente o enviaram de volta para eliminar provas de sua presença”, declarou Khodakovsky.

Antes da derrubada do avião da Malásia, os rebeldes haviam se vangloriado de obter os mísseis BUK, que são capazes de abater aviões de passageiros em altitude de cruzeiro. Mas desde o desastre, o principal grupo de separatistas, a autoproclamada República Popular de Donetsk, tem negado reiteradamente já ter tido tais armas.

Desde a queda da aeronave a grande polêmica é em torno de quem disparou o míssil que abateu o avião em uma área onde as forças do governo ucraniano combatem os rebeldes.

Apesar de admitir a posse do sistema BUK, Khodakovsky culpou as autoridades de Kiev por provocarem o que pode ter sido o ataque de míssil que derrubou o avião, dizendo que as forças ucranianas lançaram ataques aéreos deliberados na área sabendo da presença dos mísseis no local. “A Ucrânia obteve a tempo provas de que os voluntários têm essa tecnologia e não só não tomou nenhuma medida de segurança, como provocou o uso desse tipo de arma contra um avião com civis inocentes”, afirmou.

Otan

Uma autoridade da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) disse que a aliança continua vendo evidências de que armas estão sendo transferidas da Rússia para a Ucrânia, mesmo depois da queda do avião.

“Notamos um aumento no volume de armas sendo transferidas da Rússia para a Ucrânia nas últimas semanas. Continuamos vendo evidências do movimento de armas da Rússia para a Ucrânia desde a queda do (voo da Malaysia Airlines) MH17, o que é motivo de preocupação”, disse a autoridade, sob condição de anonimato.

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