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Ex-funcionária da Santa Casa cita crise desde 2009

Faixa informava que o Pronto-Socorro estava fechado na terça-feira à noite | Vinicius Pereira/Folhapress
Faixa informava que o Pronto-Socorro estava fechado na terça-feira à noite | Vinicius Pereira/Folhapress

Uma ex-funcionária da Santa Casa de São Paulo afirmou que desde quando começou a atender lá, em 2009, as dificuldades já eram conhecidas. Pedindo para não ser identificada, a médica explicou que a qualidade de atendimento era boa, o corpo clínico reunia profissionais de ponta. Entretanto, a crise era iminente.

«A gente sempre trabalhou com muito empenho, mas sempre enfrentou dificuldades, principalmente a limitação de recursos», afirmou.

Ela menciona sucateamento de aparelhos. «A gente sabia que os antibióticos estavam defasados, problemas de manutenção em aparelhos de exame de imagem, periodicamente havia suspensão de cirurgias por falta de insumos».

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A médica contou que, por causa da falta de estrutura, era muito comum que os profissionais por iniciativa própria ligassem para outros hospitais ou para colegas tentando um atendimento gratuito para pacientes.

Ranking

De acordo com o levantamento recente do Conselho Regional de Medicina do Paraná, um hospital fecha por semana no país por causa de falta de recursos.

Um ranking do Conselho Federal de Medicina divulgado essa semana aponta que, entre as 20 maiores cidades do Estado de São Paulo, a capital paulista está em décimo lugar nos gastos com a saúde. O valor diário aplicado no SUS (Sistema Único de Saúde) na capital paulista é R$ 1,61.

Reabertura

O secretário estadual de Saúde, David Uip, anunciou nesta quarta-feira o repasse de R$ 3 milhões para a reabertura imediata da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. A instituição teve o atendimento do pronto socorro suspenso desde o início da noite desta terça-feira por falta de verba.

Uip afirmou, ainda, que vai pedir uma auditoria para apurar a atual gestão do hospital. Um representante da Secretaria Estadual de Saúde, um da Secretaria Municipal e um do Ministério da Saúde devem estar à frente da investigação.

A suspensão dos serviços de urgência e emergência por falta de dinheiro foi anunciada na noite desta terça-feira. Esta é a primeira vez que isso acontece em toda a história do hospital. A instituição tem dívida estimada em R$ 400 milhões.

O secretário explicou que, a cada dez procedimentos autorizados, apenas sete são realizados. A investigação visa apurar os motivos pelos quais os outros procedimentos não são feitos.

A decisão pegou todo mundo de surpresa. O atendimento no pronto socorro central foi interrompido para novos pacientes a partir das 18h. Quem já está internado ou recebendo atendimento não será afetado. A administração do hospital disse que falta dinheiro para a compra de materiais e medicamentos.

A Santa Casa é um hospital filantrópico privado, que não cobra dos pacientes. O atendimento é financiado pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e tem um complementado do governo do Estado de São Paulo.

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