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Míssil foi disparado por rebeldes ucranianos, diz Obama

Obama falou sobre o acidente na Casa Branca | Larry Downing/Reuters
Obama falou sobre o acidente na Casa Branca | Larry Downing/Reuters

O presidente americano, Barack Obama, declarou nesta sexta-feira que um míssil disparado de um território controlado pelos rebeldes na Ucrânia derrubou o avião malaio e confirmou que um americano estava entre as vítimas.

«Suas mortes são uma atrocidade de proporções indescritíveis», declarou Obama à imprensa enquanto pressionava por uma investigação internacional.

Ao todo, 298 pessoas morreram após a queda do voo MH17, nesta quinta-feira, na Ucrânia. São 283 passageiros, incluindo três crianças – duas da Malásia e uma da Indonésia – e 15 tripulantes.

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Das vítimas, 154 são holandesas, 45 malaios, 27 pessoas australianas, 12 indonésias, nove pessoas do Reino Unido, quatro da Alemanha, quatro da Bélgica, três das Filipinas e uma do Canadá. Falta identificar a nacionalidade de 39 vítimas.

Após queda de avião, ONU quer ‘investigação independente’ 

O Conselho de Segurança da ONU se reuniu nesta sexta-feira para falar sobre a queda do Boeing | Lucas Jackson/Reuters
O Conselho de Segurança da ONU se reuniu nesta sexta-feira para falar sobre a queda do Boeing | Lucas Jackson/Reuters

O Conselho de Segurança da ONU pediu nesta sexta-feira que seja feita uma «investigação internacional independente, meticulosa e completa» sobre o abate do avião da Malásia com 298 a bordo sobre a Ucrânia, solicitando a todas as partes envolvidas que garantam aos investigadores o acesso ao local da queda.

Em um comunicado aprovado por consenso, o conselho também pediu por uma «responsabilização apropriada». A Grã-Bretanha redigiu o curto texto e esperava que o conselho conseguisse emiti-lo ainda na quinta, mas a Rússia pediu mais tempo para examiná-lo antes de que seja aprovado.

Putin e Merkel pedem cessar-fogo

O presidente russo, Vladimir Putin, pediu nesta sexta-feira um cessar-fogo entre as forças do governo ucraniano e dos separatistas pró-russos em combate no leste da Ucrânia para permitir negociações.

«Conversações diretas entre os lados opostos têm de ser estabelecidas tão logo possível. Todos os lados do conflito têm de interromper rapidamente a luta e começar as negociações de paz», disse Putin em um encontro com líderes da Igreja Ortodoxa russa.

«É com grande preocupação e tristeza que estamos observando o que está acontecendo no leste da Ucrânia. É terrível, é uma tragédia.»

A chanceler alemã, Angela Merkel, também pressionou a Ucrânia por paz nesta sexta-feira: «a Rússia precisa reconhecer sua responsabilidade para assegurar os avanços do processo de paz na Ucrânia, onde um cesar-fogo é necessário para investigar a queda de um avião comercial perto da fronteira russa, disse a chanceler alemã».

Há muitas indicações de que o avião foi derrubado, disse ela, e os responsáveis têm de ser levados à Justiça.

«Esses fatos nos mostraram mais uma vez que é necessária uma solução política e, acima de tudo, a Rússia é responsável pelo que está acontecendo na Ucrânia no momento», disse Merkel em uma entrevista à imprensa em Berlim.

Ela acrescentou que estava fazendo «um apelo muito claro ao presidente e governo russo para que contribuam na promoção de uma solução política para a crise».

Uma investigação independente da queda deve começar o mais rápido possível.

Ucrânia resgata 181 corpos no local da queda do avião

Equipes de resgate procuram por corpos perto da área do acidente | Maxim Zmeyev/Reuters
Equipes de resgate procuram por corpos perto da área do acidente | Maxim Zmeyev/Reuters

Equipes de resgate recuperaram ao menos 181 corpos até o momento no local da queda do avião da Malásia no leste da Ucrânia, disse um funcionário do Ministério das Relações Exteriores ucraniano em uma coletiva de imprensa nesta sexta-feira.

O Boeing 777 da Malaysia Airlines foi derrubado na quinta-feira perto da fronteira com a Rússia, sobre uma região com combates desde abril entre separatistas pró-Moscou e forças do governo ucraniano. Todos os 298 passageiros a bordo morreram.

Andriy Sibiga disse que os corpos seriam transportados provavelmente para a cidade próxima de Kharkiv, que está sob controle do governo central, de Kiev.

Os separatistas concordaram em prestar assistência aos peritos que investigam a queda do avião e vão garantir acesso seguro aos especialistas internacionais que se dirigem ao local, disse a Organização para a Segurança e Cooperação da Europa (OSCE).

Nacionalidade de 4 passageiros ainda são desconhecidas

A Malaysia Airlines disse nesta sexta-feira ter identificado a nacionalidade de todos os passageiros a bordo do voo MH17 que caiu no leste da Ucrânia, com exceção de quatro.

O diretor para Europa da companhia aérea, Huib Gorter, disse que o voo tinha a bordo 189 passageiros holandeses, 29 malaios, 27 australianos, 12 indonésios, 9 britânicos, 4 alemães, 4 belgas, 3 filipinos, 1 canadense e 1 neozelandês, além dos quatro passageiros cujas nacionalidades ainda não foram identificadas.

«Estamos no processo de verificar os restantes», disse Gorter. «Deve levar de uma a duas horas.»

Separatistas são os principais suspeitos

Separatistas russos são os principais suspeitos de terem provocado a queda do boeing. Segundo o professor de Relações Internacionais Gunther Rudzit, uma interceptação telefônica em que um rebelde diz a um oficial russo ter abatido um avião é o principal indício até agora.

Mas, de acordo com o especialista, ainda é difícil apontar o dedo para um responsável. “Esse equipamento existe nas tropas ucranianas, nas forças russas, existem também indícios de que uma bateria dessas foi capturada por esses rebeldes”, explicou. 

Para o especialista, eles teriam confundido o avião civil com um ucraniano e teriam atirado.

Rudzit explica, ainda, que a Ucrânia já vive uma guerra civil e que a região já devia estar sendo evitada por aviões. “O órgão responsável pela aviação americana já tinha proibido de passar por lá. No meu entender, aéreas que operavam, arriscaram”.

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