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Conselho de Segurança convoca reunião de emergência sobre Ucrânia

Emergencies Ministry members work at the site of a Malaysia Airlines Boeing 777 plane crash in the settlement of Grabovo in the Donetsk region
Queda matou 298 pessoas | Maxim Zmeyev/Reuters

O Conselho de Segurança das Nações Unidas realizará uma reunião de emergência nesta sexta-feira sobre a queda do avião da Malaysia Airlines no leste da Ucrânia, que deixou 298 mortos.

A reunião de emergência começará às 10h em Nova York (11h de Brasília), informou a presidência do Conselho, atualmente com Ruanda.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, exigiu nesta quinta-feira (17) uma «investigação internacional completa e transparente» sobre o Boeing 777.

Em uma breve declaração na sede das Nações Unidas, Ban expressou suas «sinceras condolências às famílias e amigos das vítimas, assim como ao povo da Malásia».

«Está claro que existe a necessidade de uma investigação completa, transparente e internacional», disse Ban aos jornalistas.

A aeronave foi abatida por um míssil terra-ar, mas a origem do disparo ainda é incerta, informaram à AFP autoridades americanas.

A Grã-Bretanha, que pediu uma reunião urgente do Conselho de Segurança, defendeu uma investigação liderada pela ONU.

O Boeing da Malaysia Airlines seguia de Amsterdã para Kuala Lumpur e caiu no leste da Ucrânia, em uma região controlada pelos separatistas pró-russos.

Comunidade internacional pede investigação de queda de avião

Líderes internacionais pediram uma investigação confiável sobre a queda do avião malaio com 298 pessoas a bordo no leste da Ucrânia, enquanto Kiev acusou nesta sexta-feira os russos pela tragédia que provocou choque entre a comunidade internacional.

As equipes de resgate que trabalham no local da tragédia anunciaram que encontraram uma das caixas-pretas, mas isto pode não ajudar a determinar a origem do suposto míssil que atingiu a aeronave. As autoridades ucranianas e os separatistas pró-Rússia trocam acusações pelo lançamento do projétil.

O primeiro-ministro ucraniano, Arseni Yatseniuk, acusou diretamente nesta sexta-feira a Rússia. «Os russos foram longe demais. É um crime internacional cujos responsáveis devem ser julgados em Haia», afirmou.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu uma investigação «rápida» e «sem obstáculos» durante uma conversa por telefone com Mark Rutte, primeiro-ministro da Holanda, de onde procediam 154 passageiros que viajavam no avião da Malaysia Airlines.

O governo dos Estados Unidos exigiu a todas as partes envolvidas – Ucrânia, separatistas pró-Moscou, Rússia – um «cessar-fogo imediato».

No local da queda do avião malaio estavam espalhados dezenas de corpos, sem sinais de sobreviventes.

Os rebeldes pró-Rússia concordaram em permitir o acesso dos investigadores ao local, sem obstáculos, anunciou a Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE).

Analistas dos serviços de inteligência americanos acreditam que um míssil terra-ar atingiu o Boeing 777, que decolou de Amsterdã e tinha como destino Kuala Lumpur.

As mesmas fontes afirmaram que as informações estão sendo revisadas para determinar se o míssil foi ou não lançado por separatistas pró-Rússia.

Para o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, o que aconteceu é «consequência de uma crise na Ucrânia alimentada pelo apoio russo aos separatistas, inclusive com armas, material e treinamento».

O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou, em uma conversa telefônica com o primeiro-ministro holandês, que a «tragédia demonstrou de novo a necessidade de uma solução urgente e pacífica para a crise aguda na Ucrânia».

Muitos passageiros do avião da Malaysia Airlines viajavam para uma conferência mundial sobre a Aids que acontecerá no fim de semana em Melbourne, anunciou o diretor UNAIDS (agência da ONU para o combate ao HIV), Michel Sidibe. Entre as vítimas estava o cientista holandês Joep Lange, figura internacional da luta contra a pandemia.

Além dos 154 holandeses, o avião transportava 43 malaios – incluindo 15 membros da tripulação -, 27 australianos, 12 indonésios, nove britânicos, quatro alemães, cinco belgas, três filipinos e um canadense.

A nacionalidade dos demais passageiros ainda não foi determinada. A imprensa da Holanda denunciou um «crime atroz». A imprensa russa questiona a identidade dos responsáveis pela tragédia.

Mensagens incluídas em sites dos rebeldes – rapidamente apagadas – e conversas interceptadas pelos serviços de segurança ucranianos dão a entender que o avião pode ter sido derrubado por engano pelos insurgentes, que teriam confundido o Boeing com um avião militar ucraniano.

Se for confirmada a hipótese – que deve ser encarada com prudência no contexto de uma violenta guerra de propaganda e desinformação -, a posição dos separatistas e de seu aliado, o presidente Putin, sofreria um abalo considerável.

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