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Fifa admite não ter meios para acabar com cambismo no futebol

Jérôme Valcke e Sepp Blatter durante a coletiva de apresentação do balanço da Copa | Pilar Olivares/Reuters
Jérôme Valcke e Sepp Blatter durante a coletiva de apresentação do balanço da Copa | Pilar Olivares/Reuters

Depois de três Copas “invicto”, o esquema ilegal de venda de ingressos para a Copa do Mundo recebeu um duro golpe no Brasil, após as prisões da “Operação Jules Rimet”, da Polícia Civil do Rio de Janeiro.

O assunto não passou batido na entrevista coletiva de balanço das autoridades da competição, nesta segunda-feira, no Maracanã. Questionado, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, negou que haja corrupção, e em seguida deixou com o secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke, as explicações. E pelo discurso, os cambistas devem seguir agindo.

“Quando você (jornalista) fala em corrupção, tem que apresentar evidências, provas. Quando diz que algo estava errado, está correto. Mas não aceito que se fale em corrupção”, reclamou Blatter, antes de Valcke falar e lembrar que cambistas foram presos na África do Sul, sem dar detalhes.

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“Nunca poderemos dar fim ao sistema ilegal de venda de ingressos”, declarou o dirigente.

“Nós vendemos todos os ingressos com o valor de face. Não houve um só ingresso vendido pela Fifa acima do valor escrito nos tíquetes. Há ingressos vendidos para parceiros na área de hospitalidade, pelo valor de face neles inscrito, mas o que eles fazem a partir daí é o que estamos brigando (para combater). E o regulamento diz que que não se pode vender um ingresso fora do sistema. Se (um parceiro) não for usar, devem devolver e disponibilizar na plataforma da Fifa”, declarou Valcke, que fez uma crítica ao procedimento da polícia, que não informou a entidade previamente sobre as investigações.

“Com certeza há muitas histórias sobre isso, o que não quer dizer que a Fifa não está brigando contra esse sistema. O fato de terem saído na imprensa antes de terem falado conosco é outra questão”, disse o dirigente, para em seguida repetir o que membros da entidade declaram desde as primeiras prisões de cambistas no Brasil durante a Copa: “Sempre oferecemos todo apoio às autoridades”.

Doze suspeitos foram presos, entre eles o franco-argelino Mohamed Lamine Fofana, suposto líder da quadrilha. Mas o inglês Raymond Whelan, apontado como o fornecedor de bilhetes, um foi solto por um habeas corpus e em seguida, após ser alvo de um mandado de prisão preventiva, fugiu e se entregou nesta segunda-feira. Ele é o diretor-executivo da Match Services, empresa parceira da Fifa na comercialização de ingressos para o Mundial.

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