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Sindicatos dizem que paralisação acabou na capital paulista

Ônibus enfileirados na av. Faria Lima com a av. Rebouças, em Pinheiros | Zanone Fraissat/Folhapress
Ônibus enfileirados na av. Faria Lima com a av. Rebouças, em Pinheiros, durante a greve desta quarta-feira | Zanone Fraissat/Folhapress

O Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo (SPUrbanuss) não aceitou, nesta quinta-feira, em audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), negociar a legalidade da greve dos rodoviários na capital paulista. Sem acordo, a legalidade da paralisação, e as possíveis punições aos participantes serão agora julgadas pela Justiça de acordo com a legislação.

Apesar de não entrarem em consenso, o sindicato patronal e o Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores Rodoviário Urbano de São Paulo (Sindmotoristas), que representa os trabalhadores, informaram que a paralisação de motoristas e cobradores está encerrada na capital paulista. A informação foi apresentada pelas duas partes no juízo trabalhista e incorporada à ata da audiência de conciliação.

O sindicato dos trabalhadores ressaltou que a paralisação foi iniciada por uma “facção” de empregados vencida na assembleia da categoria. Segundo a entidade, o ajustado na convenção coletiva, ou seja, o aumento de 10%, é o que deverá ser acatado pela categoria. A reunião está sendo presidida pela desembargadora do Trabalho Rilma Aparecida Hemetério.

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Paralisações voltaram a ocorrer nesta quinta

Apesar do acordo entre rodoviários, empresas de ônibus e prefeitura, manifestações e paralisações voltaram a ocorrer nesta quinta-feira em São Paulo. Pela manhã, ônibus da viação Santa Brígida não estavam circulando pela cidade. Somente às 11h desta quinta-feira, parte dos ônibus começaram a deixar as garagens da empresa. Os motoristas e cobradores da viação – que são contra a proposta de aumento salarial aceita pelo sindicato – estavam sem trabalhar desde a manhã da última terça-feira. A tropa de Choque da Polícia Militar (PM) foi chamada ao local e precisou intervir, segundo a assessoria de imprensa da empresa, no momento em que alguns veículos começaram a ser depredados pelos trabalhadores, que queriam impedir a saída dos carros. Segundo a PM, no entanto, não houve confronto e a situação agora está normalizada.

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Alckmin vai investigar vandalismo

O governador de São Paulo Geraldo Alckmin disse que a polícia deu e dará todo o apoio para investigar quem pratica vandalismo e usa métodos criminosos para prejudicar o transporte público. Alckmin evitou se referir diretamente à polêmica entre o subsecretário estadual de Comunicação, Marcio Aith, e o secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto. Questionado sobre a afirmação de Jilmar Tatto, que chamou de passiva a atuação da polícia, o governador disse que as ações ocorrem de comum acordo com a prefeitura.

Acordo

Representantes da comissão de motoristas e cobradores de ônibus anunciaram a suspensão da greve a partir da 0h de quinta-feira. A decisão foi tomada após um acordo com o Ministério do Trabalho. O objetivo é pedir a retomada das negociações salariais.

Motoristas e cobradores de ônibus paralisaram totalmente as atividades do Terminal Lapa | Nelson Antoine/Fotoarena/Folhapress
Motoristas e cobradores de ônibus paralisaram totalmente as atividades do Terminal Lapa nesta quarta-feira | Nelson Antoine/Fotoarena/Folhapress

Ônibus operam com lentidão na manhã desta quinta-feira

Mesmo depois do fim da greve, as linhas operaram com maior tempo de espera nesta manhã. De acordo com funcionários das viações, o atraso ocorreu pois os ônibus estavam saindo das garagens, ao invés de já estarem localizados nos terminais.

Haddad

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, exigiu o cumprimento dos contratos assinados com a administração. Segundo ele, a SPTrans e a Polícia Militar vão passar a atuar de forma conjunta para garantir a regularidade do serviço.

Haddad explicou que a PM será acionada sempre que um agente identificar uma movimentação que impeça a circulação dos coletivos. E acrescentou que o Ministério Público já instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias da greve de motoristas e cobradores.

O prefeito de São Paulo concedeu uma entrevista coletiva sobre as ações da administração para contornar os transtornos à população.

Grella

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella, afirmou que a Polícia Militar vai agir caso haja ocorrência durante a paralisação de motoristas e cobradores de ônibus em São Paulo.

Segundo Grella, «tudo o que é papel da PM será feito. Ela evitará tumulto, vai segurar a ação da CET no deslocamento de ônibus», disse.

O secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, afirmou que acertou com a Secretaria de Segurança Pública um procedimento de emergência para que a comunicação entre a PM, a Polícia Civil, a CET e a SPTrans seja rápida.

Ação da polícia

O MP-SP (Ministério Público de São Paulo) pretende questionar a Polícia Militar sobre a atitude da corporação diante da onda de paralisações de rodoviários, que tem bloqueado, com ônibus, vias da capital paulista.

Alguns cidadãos estariam reclamando que os agentes não estariam agindo contra esses bloqueios, disse, à Rádio Bandeirantes, o promotor Saad Mazloum. “É lamentável essa sensação”, comentou Mazloum. “Mas só o inquérito e a resposta do comandante da PM [Benedito Meira, da Polícia Militar] poderá dizer o que está sendo feito ou por que não está podendo fazer algo”.

Uma decisão judicial de setembro de 2013 permite que a PM adote medidas para garantir o direito de ir e vir das pessoas em caso de manifestações ou greves. Segundo Mazloum, caso isso não aconteça, a corporação pode ser acusada de “omissão” ou “improbidade administrativa”. Procurada pela Rádio Bandeirantes, a Polícia Militar ainda não se manifestou.

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