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Manifestantes protestam após explosão em mina na Turquia

Emre Tazegul/Reuters
No total, 787 mineiros estavam na mina durante a explosão | Emre Tazegul/Reuters

O registro de mortes na explosão de uma mina no oeste da Turquia nesta terça-feira chegou a 282, anunciou o ministro da Energia, Taner Yildiz.

Cerca de 90 pessoas continuam soterradas e as chances de encontrá-las com vida são cada vez menores.

Erdogan, que esteve no local da tragédia durante o dia, prometeu uma «investigação aprofundada» sobre as causas do acidente, uma das maiores tragédias industriais já registradas na Turquia. Ele afirmou que tudo será esclarecido, rejeitando qualquer responsabilidade de seu governo, acusado de negligência, e afirmando «que acidentes de trabalho acontecem em todo o mundo».

No local, equipes de socorro trabalhavam desesperadamente na tentativa de encontrar sobreviventes, mas as macas levavam apenas corpos.

Acidente

No total, 787 mineiros estavam na mina no momento da explosão, que aconteceu na terça-feira, por volta das 12h30 locais (9h30 em Brasília) e que, aparentemente, foi provocada por uma falha elétrica em um transformador.

Muitos trabalhadores conseguiram escapar, mas outros ficaram retidos em uma área isolada, afirmou um funcionário da mina, que pediu anonimato. «O balanço de mortos, que já é muito alto, está se aproximando de um nível muito inquietante. Se aconteceu alguma negligência, não vamos fazer vista grossa. Faremos todo o necessário, incluindo medidas administrativas e legais», disse Yildiz.

Parentes

Durante a noite desta terça, centenas de trabalhadores das equipes de resgate retiraram, aos poucos, os feridos, muitos deles com problemas respiratórios. Parentes e amigos esperavam, angustiados, notícias das vítimas. «Espero notícias do meu filho desde o início da tarde», disse à AFP Sena Isbiler, de 50 anos. «Não tenho notícia alguma. Ele ainda não saiu», lamentou.

«Quatro equipes de emergência trabalham na mina. O problema é o fogo, mas enviamos oxigênio às galerias que não foram afetadas», disse o ministro da Energia.

O ministério turco do Trabalho e Previdência Social informou que a mina passou por uma inspeção em 17 de março e respeitava as normas de segurança, mas a informação foi rebatida por trabalhadores. «Não existe nenhuma segurança nesta mina. Os sindicatos são marionetes e a direção pensa apenas no dinheiro», disse o mineiro Oktay Berrin. «As pessoas estão morrendo ali dentro, outras estão feridas, e tudo por uma questão de dinheiro», afirmou, irritado, Turgut Sidal.

Riscos

Vedat Didari, especialista em indústria mineradora, explicou que o principal risco é a falta de oxigênio. «Se os ventiladores não funcionarem, os mineiros podem morrer em uma hora», disse Didari, da Universidade Bulent Ecevit, em Zonguldak.

O acidente de Soma é uma das maiores tragédias industriais da história da Turquia. As explosões em minas de carvão são comuns no país, principalmente no setor privado, que, em muitos casos, não respeita as regras de segurança. O acidente mais grave aconteceu em 1992, quando 236 mineiros perderam a vida em uma explosão de gás na mina de Zonguldak.

O distrito de Soma, que tem cerca de 100 mil habitantes, é um dos principais centros de extração de lignito (carvão fóssil), a principal atividade da região.

Veja imagens do resgate dos mineiros 

Osman Orsal/Reuters
Osman Orsal/Reuters

Yasin Akgul/Depo Photos/Reuters
Yasin Akgul/Depo Photos/Reuters

Erdem Donutkan/KODA Collective/Reuters
Erdem Donutkan/KODA Collective/Reuters

Confira imagens do protesto

Manifestantes protestam contra o governo turco após explosão da mina que deixou ao menos 274 mortos na Turquia, de acordo com agências internacionais. A polícia usou gás lacrimogênio e canhões de água para dispersar os participantes.

Protesters run away from water canon during a demonstration blaming the government for the mining disaster, in Istanbul
Cevahir Bugu/Reuters

Yagiz Karahan/Reuters
Yagiz Karahan/Reuters

Stringer/Reuters
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