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São Paulo pede explicações ao Acre sobre imigrantes haitianos

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Haitianos que vieram do Acre devido a enchente na região, chegaram em São Paulo essa semana | Andre Porto/ Metro

O governo de São Paulo afirmou que foi pego de surpresa com a chegada dos imigrantes haitianos ao Estado e informou que pedirá explicações ao governador do Acre. Pelas redes sociais, Tião Viana (PT) rebateu as críticas e atacou o que chamou de «elite paulistana preconceituosa».

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Para ele, as reclamações do Estado fazem parte de um processo de higienização que quer impedir que os haitianos encontrem pais, mães e esposas que já estão no Brasil.

Acolhimento

As entidades de acolhimento de São Paulo já não têm mais capacidade para receber o grande número de haitianos enviados à capital paulista pelo Acre. O governo do Estado do norte do país tem fretado ônibus para auxiliar no deslocamento dos imigrantes dentro do Brasil.

O fluxo aumentou nos últimos dias depois que mais de 2,5 mil pessoas não conseguiram deixar o Acre por causa das cheias do Rio Madeira.

Por isso, o padre da Paróquia Nossa Senhora da Paz, um dos abrigos aos imigrantes em São Paulo, afirma que as 110 vagas diárias disponíveis no local não são mais suficientes. Segundo Paolo Parise, a igreja tem improvisado espaços para alojar todas as pessoas.

Enchentes

Com as enchentes que assolam o Acre desde fevereiro, São Paulo passou a ser o principal destino dos imigrantes haitianos. Diariamente, cerca de 20 refugiados chegam à paróquia, na região da Sé. Na quarta, 120 pessoas, na maioria homens, entre 18 e 40 anos, se aglomeravam no salão de festas da igreja.

No local, eles precisam dividir dois pequenos banheiros e sequer têm colchões para dormir. Não há local para tomar banho. A comida, fruto de doações, nem sempre chega. “Muitas vezes, eles fazem apenas uma refeição por dia”, diz o padre da “Missão da Paz” Luis Spinelle.

Segundo Spinelle, os haitianos saem do Acre com esperança de ajuda para conseguir documentos e emprego. Depois de enfrentar, em média, cinco dias de viagem para São Paulo, eles vivem de doações durante a estadia na paróquia. “Não temos apoio do poder público. Tentamos entrar em contato, mas o diálogo é difícil”, afirma o padre.

Famílias e doentes são encaminhados para a Casa do Migrante, que tem capacidade para receber 110 pessoas e já está lotada.

A maior luta dos refugiados é para obter a documentação. Além de receber poucos formulários para concessão de vistos, a carteira de trabalho demora, em média, três meses. Spinelle conta que a enchente no Acre agravou a situação. “Agora, aviões da FAB vão entregar mantimentos e voltam com haitianos”.

Refugiados vivem de doações na paróquia:

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Andre Porto/ Metro

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