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Governador do Acre diz que não paga passagens de haitianos

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Haitianos que vieram do Acre devido a enchente na região, chegaram em São Paulo essa semana | Andre Porto/ Metro

O governador do Acre, Tião Viana (PT), negou que pague passagens de viagem para os haitianos que se refugiaram no país e desejam se mudar para outras regiões do Brasil. “Não é assim [sobre pagamento de viagens]. O governo [acreano] vai dando ajuda humanitária a quem pedir. Ou eles vão por conta própria ou empresas os contratam[e pagam a passagem]. Eles são livres para irem aonde eles quiserem ir”, disse Viana à Rádio Bandeirantes.

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Em razão da cheia do Rio Madeira, que atingiu a cidade de Brasileia (AC) nos últimos meses, vários abrigos que recebiam haitianos foram prejudicados. O município, de 14 mil habitantes, recebia 2,5 mil refugiados do país da América Central. “Na última saída, eles se deslocaram em torno de 2 mil [para outras localidades]”, aponta o governador.

Na última semana, cerca de 400 haitianos viajaram a São Paulo em busca de melhores condições de vida – uma única paróquia na região central da capital paulista recebeu 120. Algo que, segundo Viana, acontece rotineiramente desde dezembro de 2010. “Ontem, saíram dois ônibus [com refugiados para outros locais]. Todo dia saem um ou dois, desde 2010”, salientando que não são apenas haitianos os passageiros, mas também de imigrantes de Bolívia, Peru, Serra Leoa, Marrocos, entrou outros países. O governador também diz que não incentiva a ida dos refugiados para outros locais, ressaltando sua liberdade. “Quem quer ficar, trabalhar no Acre, fica. Quem quer ir para são Paulo, vai. Quem quer ir para Porto Alegre, vai”.

Até hoje, o governador do Acre aponta que 20 mil haitianos já passaram pelo estado. Ele também lembra que acolhe os refugiados, colocando-os em abrigos, que oferecem alimentação, possibilidade de requerer visto provisório na Polícia Federal e de pedir CPF (Cadastro de Pessoa Física) na Receita Federal. “Depois, eles vão para onde querem”.

São Paulo

O governo de São Paulo afirmou que foi pego de surpresa com a chegada dos imigrantes haitianos ao Estado e informou que pedirá explicações ao governador do Acre.

As entidades de acolhimento de São Paulo já não têm mais capacidade para receber o grande número de haitianos que chegam à capital paulista vindos do Acre. O governo do Estado do norte do país tem fretado ônibus para auxiliar no deslocamento dos imigrantes dentro do Brasil.

O fluxo aumentou nos últimos dias depois que os refugiados não conseguiram deixar o Acre por causa das cheias do Rio Madeira. Por isso, o padre da Paróquia Nossa Senhora da Paz, um dos abrigos aos imigrantes em São Paulo, afirma que as 110 vagas diárias disponíveis no local não são mais suficientes. Segundo Paolo Parise, a igreja tem improvisado espaços para alojar todas as pessoas.

Desde 2010, milhares de haitianos chegam ao Acre:

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