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Cólica é um dos principais sintomas da endometriose / Dragana_Gordic/Freepik/DivulgaçãoCólica é um dos principais sintomas da endometriose / Dragana_Gordic/Freepik/Divulgação
Estilo de Vida 05/09/2021

Você sabe o que é endometriose? Entenda a doença que acomete as atrizes Larissa Manoela e Isabella Santoni

Assunto movimentou a internet e trouxe à tona uma série de dúvidas, que a gente esclarece para você agora!

As atrizes Larissa Manoela, 20 anos, e Isabella Santoni, 26, revelaram na última semana que sofrem de endometriose. Por meio das redes sociais, elas contaram um pouco sobre o processo de descoberta da doença e fizeram um alerta importante às seguidoras: cuidem-se!

O assunto movimentou a internet e trouxe à tona uma série de dúvidas. Afinal, que mal é esse que acomete mulheres jovens e aparentemente saudáveis?

Entendendo a endometriose

Antes de mais nada, vale explicar que o endométrio é a mucosa de revestimento do útero. Ele é afetado diretamente pelos hormônios, aumentando de espessura e depois sendo expelido, de acordo com o ciclo menstrual. É o endométrio que permite que o óvulo se instale no útero para que possa ser fecundado pelo espermatozoide.

A endometriose, por sua vez, é uma doença que se caracteriza pela presença das células do endométrio fora do seu local original. Nesses casos, elas acabam aparecendo na cavidade abdominal e nos ovários. Trata-se de uma inflamação, que pode atingir, por exemplo, o intestino ou a bexiga.

A doença afeta cerca de 10% da população feminina brasileira, segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), sendo mais frequente entre mulheres de 25 a 35 anos de idade. 

Pikisuperstar/Freepik/Divulgação

O Metro World News conversou com o ginecologista e professor titular de saúde sexual reprodutiva e genética da Faculdade de Medicina do ABC, Caio Parente Barbosa. O especialista esclareceu algumas das principais dúvidas que cercam a doença. Confira:

  • Quais os sintomas mais comuns da endometriose?

A endometriose pode causar dor pélvica crônica e infertilidade. Na maioria dos casos, porém, os sintomas são muito leves ou até mesmo nenhum.

  • Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é feito a partir de exames físicos, ultrassom com preparo intestinal e ressonância nuclear magnética.

  • Como é o tratamento?

O tratamento curativo é apenas a cirurgia. No entanto, a grande maioria das pacientes tem remissão total dos sintomas, precisando somente do tratamento clínico.

  • A endometriose tem cura?

Sim. Cerca de 35% das mulheres operadas podem ter recidiva (retorno da doença), mas 65% se curam.

  • Se não tratada, que males a doença pode causar?

As complicações estão ligadas sempre à localização da doença. Quando ela acomete o intestino, pode causar estenose, levando a um quadro de oclusão (fechamento). Se atinge o ureter, pode levar à perda do rim. Mas de uma maneira geral o tratamento evolui bem, e a doença desaparece com a menopausa.

Na própria pele

Relatos como os de Larissa Manoela e Isabella Santoni encontram identificação bem aqui, nesta repórter que vos fala. Peço licença para, assim como elas, contar um pouco da minha experiência e, quem sabe, poder de alguma forma ajudar outras mulheres.

A dor é uma velha conhecida minha. Não demorou, após as minhas primeiras menstruações, para que ela viesse me visitar frequentemente e revolvesse ficar.

O diagnóstico da endometriose não foi rápido. Pelas histórias que escuto, quase nunca é. Sempre falei para minha ginecologista sobre as fortes cólicas que sentia no período menstrual e escutava que “era normal”. “Toma esse anti-inflamatório que vai ficar tudo bem”, ela dizia.

O mal estar, por vezes, chegou a ser incapacitante. Perdi as contas de quantas vezes faltei – na escola, na faculdade, no trabalho, em eventos sociais. Por dois, três dias ao mês, a minha vontade era apenas ficar deitada, na companhia da bolsa de água quente e ninguém mais.

Até que um dia, por outra razão qualquer, me consultei com um novo médico que, logo na conversa, já desconfiou do quadro. “Senta aqui”, ele disse, me indicando aquela maca maravilhosa (só que não) que toda mulher conhece. Me pediu exames específicos para confirmar o que ele, no fundo, já sabia: eu tinha endometriose.

Sim, eu passei quase 15 anos da minha vida com a “bendita”, sem ter noção de que ela estava ali. Passei por uma cirurgia, na qual o médico removeu aderências próximas ao útero, nos ovários e nas trompas. Depois disso, que alívio! Uma nova rotina, sem dor, sem sangramentos e com muito mais liberdade.

Hoje tenho 33 anos. Desde a operação, em 2014, faço tratamento hormonal para impedir que a doença volte. Esse ano, contudo, descobri um novo foco. Aquilo me devastou por um momento. Me senti culpada, pensando o que eu tinha feito de errado.

Uma forte rede de apoio, porém, me trouxe de volta à Terra. A verdade é que a endometriose é assim mesmo. Ela pode voltar. Hoje eu sei que faço parte dos 35% de mulheres que podem apresentar casos de reincidência. E, graças ao acompanhamento contínuo, a segunda descoberta indicou lesões bem menores do que a primeira. E bora tratar de novo! Sigo fazendo alguns exames complementares e confiante de que tudo vai ficar bem de novo.

Fato é que, anúncios como os feitos pelas artistas na semana que passou encorajam, levantam questionamentos e estimulam o autocuidado. Como qualquer doença, quanto mais cedo a endometriose for descoberta, melhor. O conhecimento salva, assim como a empatia – seja vinda de profissionais, amigos, familiares ou até mesmo de figuras públicas. Saber que se não se está só alivia e motiva a busca por uma vida melhor, sem dor, sem conformismo. Estamos juntas nessa!