Estilo de Vida

Dia dos Namorados é cereja no bolo do mercado erótico

Considerado o ‘Natal’ em vendas para o setor, data marca também novo ciclo de consumo de produtos como vibradores e outros brinquedos.

Ao contrário de muitos setores que amargam perdas durante a pandemia, o mercado erótico mostra que o isolamento social provocou a imaginação dos consumidores, fez o faturamento dos sex shops subir e ainda trouxe uma proliferação de novos negócios. Os dados que mostram o bom momento foram levantados pelo portal MercadoErotico.Org, referência em pesquisas neste setor. O levantamento indica que o número de negócios triplicou em 2020.

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A expectativa é que o Dia dos Namorados, comemorado amanhã, traga recorde de vendas. A data é considerada o “Natal” em faturamento para os sex shops, explica a empresária Camila Gentile, sócia da Exclusiva Sex Shop. Ela conta que o aumento das vendas é impulsionado principalmente pelo mercado virtual. Entre os produtos mais procurados na pandemia, a empresária destaca os vibradores, com alta de 74% na procura em suas lojas. Os modelos novos, que permitem o acionamento à distância com a ajuda de um aplicativo, foram os “queridinhos” do atual momento. Outro produto com grande procura foram os masturbadores, crescimento de 22%. “O mais procurado pelos homens foi um masturbador com tecnologia desenvolvida pela Nasa, que imita a pele humana”, conta Camila.

De acordo com a pesquisa do MercadoErotico.org, aos menos 50% dos estabelecimentos viram surgir novos clientes no ano passado. Camila, que é proprietária de 22 lojas físicas em São Paulo, além de venda online, conta que o perfil dos consumidores mudou. “Tivemos crescimento significativo de clientes solteiros. Os casais também passaram a consumir mais para apimentar a relação. Houve uma procura muito grande por casais que namoram à distância”, conta.

Nem só prazer

Mas, para Paula Aguiar, uma das autoras da pesquisa sobre o mercado erótico na pandemia, a grande abertura de novos negócios, calculados em cerca de 400, é resultado indireto também do desemprego. “A redução de postos de trabalho e a impossibilidade de algumas atividades econômicas informais durante o isolamento social são os principais motivos para a migração para esse segmento”, afirma.

Ela conta ainda que os sex shops começam a ter problemas com fornecimento de produtos por conta da dificuldade de importação no período e falta de matéria-prima em todo o mundo. “A grande maioria dos empresários ainda está tentando adequar o seu negócio a este novo normal da pandemia, incluindo a forma de realizar atendimento.”

Dados do setor de sex shops no ano passado

• 6% dos proprietários disseram ter crescido em vendas durante a pandemia
• 10% foi o aumento médio das vendas entre 2019 e 2020
• 47,4% notaram um aumento no interesse dos clientes que queriam mais novidades no relacionamento
• 76% dos proprietários de sex shop são mulheres
• 81,6% dos empresários do setor acreditam que haverá mais crescimento nas vendas neste ano
• 1 milhão de vibradores foram vendidos em 2020, alta de 50%

Fonte: portal Mercado Erótico.

Uma oportunidade para elas

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O crescimento do setor atraiu a atenção de MEIs (Micro Empreendedores Individuais). A jornalista Fernanda Alves viu no mercado erótico uma oportunidade de ganhar um dinheiro extra, principalmente com a chegada do Dia dos Namorados.

Ela conta ter percebido interesse muito grande do público feminino nos produtos e passou a vendê-los no Instagram. “Conversando com minhas amigas, eu descobri que muitas tinham vontade de conhecer os produtos, mas tinham vergonha de falar sobre o assunto. A partir daí, surgiu a ideia de criar um Instagram para as vendas”, explica.

A jornalista também presta consultoria individual para as clientes. “Para ficar tudo em sigilo e respeitar a intimidade delas, criei um personagem de desenho animado para falar sobre assuntos íntimos”, conta.
Segundo a jovem empreendedora, os vibradores são campeões de vendas, sobretudo os que parecem itens de decoração.


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*Com supervisão de Vanessa Selicani.

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