logo
/ Freepik: reprodução / Freepik: reprodução
Estilo de Vida 02/06/2021

Como as crianças podem reagir aos pais que falam “palavrão”

Especialistas trazem dicas para os adultos sobre como lidar com os palavrões perto dos filhos

Por : Amanda Nunes Moraes - Canguru News

“Nós vivemos num mundo em que, no geral, falamos palavrão. Não adianta ignorar e dizer que não existe, sendo que as crianças escutam diariamente”, aponta Matheus Ienaga, psicólogo escolar. Seja vendo um noticiário, conversando no telefone ou assistindo uma partida de futebol, às vezes não tem como evitar: os pais deixam escapar um ou outro palavrão. As crianças acabam ouvindo e, mesmo que não compreendam o significado, podem reproduzir as expressões.

Para Ienaga, os pais precisam compreender que todas as suas ações podem influenciar o comportamento das crianças, pois os filhos se espelham neles. Segundo Renata Borja, psicóloga especializada em terapia cognitivo comportamental, os pequenos constroem seus aprendizados a partir do que observam ao seu redor. “A criança pode reproduzir o que as pessoas estão dizendo. Ela faz isso como uma forma de aprender a lidar com o mundo. Isso vai acontecer também com o palavrão, mesmo que ela não saiba o significado”, explica.

Os pequenos não são capazes de compreender as interpretações abstratas, de acordo com a psicóloga. Como os palavrões são formas figurativas de expressão, a criança não vai entender o que significam exatamente. No entanto, para Adriana Gardel, pedagoga e psicopedagoga, os filhos podem interpretar o modo como os adultos falam o palavrão: “Eles não sabem o significado, mas entendem que é uma palavra que os adultos falam com uma outra entonação, que algumas vezes é  engraçado e outras expressa algo ruim”.

Matheus Ienaga afirma que os alunos de aproximadamente 6 anos da escola em que trabalha já conseguem perceber quando os mais velhos dizem “palavrões”. 

Leia também: Como ajudar seu filho a lidar com a raiva (que ele expressa através das birras)

E se as crianças começarem a falar palavrão?

As crianças também podem adicionar os palavrões ao seu vocabulário, seja por identificação, curiosidade, imitação, pela vontade de falar como os adultos ou apenas para chamar atenção. “Os pais têm que corrigir e mostrar que isso não é legal, que as crianças não devem falar. É preciso ensinar elas a lidarem com as emoções de forma mais assertiva”, aponta Renata Borja. Caso as crianças sintam raiva, ansiedade ou medo, os pais precisam oferecer outras estratégias para resolver o problema. “As emoções são importantes, mas elas podem utilizar comportamentos melhores para expressá-las e ter as suas necessidades satisfeitas”, explica.

Caso os pais decidam proibir o filho de falar palavrão, a psicóloga destaca que eles precisam ser um bom exemplo. “Se os adultos continuarem falando e a criança não puder, ela vai se sentir injustiçada, porque estão cobrando dela algo que eles mesmos fazem”, afirma. É importante que os pais se segurem para não falar palavrão na frente das crianças, assim, elas também aprendem a controlar seus comportamentos. “Nós temos uma ideia de que os nossos comportamentos diante às nossas emoções são automatizados. Mas não são, a gente vai construindo a forma como lidamos com os sentimentos”, completa.

Adriana Gardel ressalta que, se os filhos falarem um palavrão, a melhor forma de resolver é estabelecendo uma boa comunicação. Segundo ela, os pais não devem castigar e brigar. “Se a criança for pequena, pode explicar que às vezes algumas pessoas usam uma forma de falar que não pode ser usada em qualquer lugar, porque essas palavras podem deixar o outro triste, envergonhado, com raiva e que nem todas as pessoas se sentem confortáveis ao ouvi-las”, relata. Com crianças maiores e pré-adolescentes, a pedagoga apontou que é interessante combinar as situações em que os palavrões são aceitáveis: “No jogo de futebol, por exemplo, vale palavrão, mas quando estiver bravo com alguém, é possível usar outros termos para demonstrar o que está sentindo”.

Leia também: Não use a sua raiva para controlar o seu filho

Recomendações para os pais terem uma comunicação melhor

Muitos pais podem ter o hábito de falar palavrão, mesmo sem a intenção de ofender. Para ajudá-los a não usar essas expressões na frente dos filhos, os especialistas têm algumas recomendações para ter uma comunicação mais assertiva com os pequenos. Confira:

  1. Identificar as situações em os palavrões escapam: Para Renata Borja, é importante que os pais entendam quando têm o costume dizer palavrões frequentemente. “É preciso se perguntar se são situações que geram raiva ou surpresa, por exemplo, e o que provoca essas emoções. Se os pais aprenderem a identificar isso, eles vão conseguir antecipar o palavrão e assumir um comportamento mais adequado. Assim, a criança também vai aprender a fazer isso”, afirma a psicóloga. 
  2. Admitir que erraram: Os pais não devem ter medo de assumir o erro quando falam palavrão para que os filhos consigam entender que essas expressões não devem ser repetidas. “Para alguns adultos o palavrão já faz parte do vocabulário e eles nem se dão conta do que estão falando, onde e com quem. É importante explicar que nem sempre os pais usam as melhores palavras”, diz Adriana Gardel.
  3. Desculpar-se: Principalmente se os adultos falarem um palavrão durante uma discussão ou até mesmo dirigindo-se aos filhos, é necessário que se acalmem e peçam desculpas pelo comportamento inadequado. “Os pais podem pedir desculpas para a pessoa que ele ofendeu na frente da criança. Dessa forma, ela aprende que essa ação implica na necessidade de se reparar”, aponta Renata Borja.
  4. Trocar o palavrão por outros termos: O psicólogo Matheus Ienaga indica que os pais busquem utilizar palavras que expressam seus sentimentos para fugir do palavrão, como “que raiva” ou “que feliz”. “Os pais podem trazer algum outro termo no lugar do palavrão, como uma fruta ou um bicho. É um mecanismo bacana que pode fazer com que a família entre num jogo lúdico de brincadeiras”, indica o psicólogo. Adriana Gardel também concorda que esta abordagem pode surtir bons resultados, os pais conseguem criar uma linguagem própria com os filhos e estreitar ainda mais a conexão. 

Leia também: A importância de pedir desculpas ao filho

Quer receber mais conteúdos como esse? Clique aqui para assinar a nossa newsletter. É grátis!