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Estilo de Vida 01/06/2021

UFMG identifica 68 casos em que grávidas passam anticorpos da Covid-19 para os bebês

A pesquisa foi feita com 506 mães que contraíram o vírus durante a gravidez

Por : Amanda Nunes Moraes - Canguru News

Uma pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) revelou que mulheres que tiveram Covid-19 durante o período de gestação podem passar os anticorpos da doença para o bebê. Até agora 506 mães e bebês foram testados e 68 casos de transferência de anticorpos da mãe para o filho foram identificados. O objetivo é chegar a 4 mil mães testadas. 

Com ajuda do Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico (Nupad), da Secretaria Estadual de Saúde (SES-MG) e da Universidade Federal de Uberlândia, o estudo foi feito em cinco municípios mineiros: Contagem, Itabirito, Nova Lima, Ipatinga e Uberlândia. As cidades foram escolhidas levando em conta critérios como a taxa de prevalência de Covid-19, o número de nascimentos por mês e a existência de rede de apoio para eventual necessidade de reabilitação das crianças com alterações nos testes de neurodesenvolvimento. 

Para a análise, os pesquisadores utilizaram a coleta de sangue do teste do pezinho, exame feito durante a triagem neonatal que verifica a existência de doenças raras. Já a testagem das mães foi feita via punção digital. Elas foram convidadas a participar do estudo nos postos de saúde, no momento em que levaram os filhos para fazer o teste do pezinho.

Os bebês que tiveram resultados positivos serão monitorados por dois anos para observar o tempo de duração da imunidade adquirida na gestação. Também será analisado se a ocorrência da Covid-19 durante a gravidez trouxe consequências para o desenvolvimento das crianças. Um grupo de controle, com mães e bebês com casos negativos, também será acompanhado. O objetivo é que esse monitoramento, além de orientações quanto aos cuidados a ter com recém-nascidos de mães que contraíram Covid-19, ajudem nas pesquisas sobre uma futura vacina para os bebês.

Um aspecto que chamou a atenção dos pesquisadores foi o número de casos entre as mães que, mesmo sem sintomas, passaram anticorpos para os filhos. Um total de 40% das mulheres analisadas se encontram nesse perfil.

Segundo Cláudia Lindgren, professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG, o Sars-Cov-2 pode trazer repercussão futura, pois, à semelhança de outras infecções virais durante a gravidez, como zika, rubéola e HIV, o vírus continua “oculto” no organismo por um longo tempo. “Outros estudos já mostraram a presença de anticorpos no bebê, mas a maioria deles investigou a transferência de anticorpos após as manifestações da Covid-19 na mãe. Nesta pesquisa, estamos testando todas as mães e bebês, independente delas terem apresentado qualquer sintoma da doença durante a gravidez, porque sabemos que cerca de 80% das infecções são assintomáticas”, explicou à CNN de Belo Horizonte.

Leia também: Pfizer inicia testes clínicos da vacina contra Covid-19 em grávidas e recém-nascidos

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