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Seu filho não te obedece? Saiba como lidar com a disputa por poder; mãe aponta dedo para filho, ambos sentados no sofá / Para conseguir que o filho coopere, os pais precisam valorizar os bons comportamentos, e não destacar aqueles que não aprovam Seu filho não te obedece? Saiba como lidar com a disputa por poder; mãe aponta dedo para filho, ambos sentados no sofá / Para conseguir que o filho coopere, os pais precisam valorizar os bons comportamentos, e não destacar aqueles que não aprovam
Estilo de Vida 01/04/2021

Seu filho não te obedece? Saiba como lidar com a disputa por poder

A mestre em psicologia positiva, Adriana Drulla, explica como lidar com a disputa de poder e melhorar o relacionamento entre pais e filhos.

Por : Canguru News

Você já tentou de mil maneiras: chantagem emocional, castigo, gritos, falando baixinho e mesmo dando a possibilidade de escolha ao filho sobre qual parte da rotina ele quer fazer primeiro. Mas não tem jeito. Quando chega a hora de parar a brincadeira, há sempre uma resistência por parte das crianças e, ao insistirmos, vem a cara feia, o choro, discussões e alguns desaforos. A seguir, a mestre em psicologia positiva, Adriana Drulla, explica como lidar com a disputa de poder entre pais e filhos. Confira.

  1. Não existe cooperação na disputa por poder

Se criança está brincando e tem que parar de brincar porque é hora de tomar banho, é bem provável que ela diga que não quer ir para o chuveiro. “Quando temos um desejo e somos impedidos, o nosso cérebro – tanto da criança quanto do adulto – interpreta este impedimento como uma ameaça. E nosso organismo é programado para reagir a ameaças por meio da luta ou da fuga”, explica a mestre. Ela diz que a raiva nos motiva a lutar, por isso é mais do que natural reagirmos com agressividade quando alguém nos diz que não podemos. “Enquanto adultos, conseguimos manejar essa agressividade e conter o desejo de xingar a mãe. Mas para a criança isso é mais difícil. O manejo da agressividade requer treino e maior desenvolvimento cerebral. E se olharmos em volta, nem os adultos fazem um bom trabalho quando o assunto é o autocontrole”, relata.

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Se os pais reagem gritando ainda mais alto, ou ameaçando a criança de alguma forma, podem conseguir que ela faça a vontade deles. “Mas isso não é colaboração, é submissão. A criança cede porque se vê impotente”, comenta a especialista. Ela ressalta que embora isso possa funcionar no curto prazo, também pode levar a um distanciamento emocional com relação aos pais, ensinando a criança a submeter-se ao outro, que, hoje, são os pais, mas no futuro serão outras pessoas – o que não é nada indicado.

Para Adriana, cooperar é algo bastante intuitivo e prazeroso para o ser humano, portanto, os pais têm de aprender a se relacionar com a criança de um modo a estimular o desejo de cooperar.

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2. Demonstrar que entende os sentimentos da criança e se importa com eles favorece a cooperação da criança

Pense bem: você se sentiria mais propenso a cooperar com quem inspira proteção, segurança e empatia ou com quem te provoca sentimentos de ataque, medo e raiva? Para conseguir a cooperação da criança, reconheça o seu desconforto e a ajude a entender o que ela sente. “Não é fácil ter alguém ditando as regras a todo tempo. Na disputa por poder, o foco da criança é a autonomia que ela deseja e não o amor que ela sente. Mas é comum interpretarmos a raiva e as emoções negativas que surgem na disputa de poder como falta de amor ou rejeição”, pontua a especialista. Nessas horas, ela diz ser comum as crianças falarem frases como “eu te odeio, mãe”. Respirar e não levar a agressão para o pessoal é o recomendando em momentos como esse. “Então, ajude o seu filho a entender o que ele sente: ‘O que você está sentindo agora é raiva. Você gostaria de brincar mais, mas eu te disse que está na hora de irmos embora. É normal sentirmos raiva quando não podemos fazer algo. Quando eu sinto raiva, eu respiro para me acalmar, assim ó… quer fazer também?’”. Isso não significa, porém, que os limites e combinados serão alterados, apenas que o sentimento de frustração da criança por não ser dono do próprio nariz está sendo reconhecido. Ao explicar ao filho que os limites existem para o bem dele, ainda que causem frustração, e fazer com que ele perceba que os pais o estão protegendo, ajudando, e não atacando, será mais fácil conseguir sua cooperacão.

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3. Valorize os bons comportamentos em vez de reclamar dos que não aprova

Toda criança quer ser reconhecida por suas conquistas e valorizada pelos pais. É natural, inclusive, que queria mostrar suas competências para quem acredita nelas. “Então, se você quer que seu filho pendure a toalha do banho, elogie toda vez que ele, de fato, fizer isto. Valorize e reconheça a ajuda que ele te dá. Diga como você se sente importante quando ele lembra de fazer algo que você pediu. Se você acha que ele precisa ser mais organizado, elogie os pequenos comportamentos de organização, mesmo que eles sejam pequenos e pouco frequentes. Elogie o comportamento que você quer ver para que ele sinta o prazer de ter o seu esforço reconhecido”, explica Adriana. Ela diz que agir dessa forma é mais produtivo do que reclamar, o que só desmotiva. Os elogios e estímulos farão com que o filho queira repetir a dose.

Por fim, a mestre em psicologia positiva destaca que é natural existir uma disputa por poder no relacionamento entre pais e filhos. Principalmente nas fases em que a criança dá um salto de desenvolvimento e busca mais autonomia, como durante o “terrible two”, aos dois anos, e na adolescência. “Os papéis dos pais e dos filhos são dinâmicos, eles se transformam ao longo do tempo. Começamos como os adultos responsáveis até que eles se tornam adultos como nós. Essa transformação se dá ao longo dos anos em um movimento em que a criança testa os limites buscando alarga-los, e os pais resistem ou cedem conforme o filho se torna capaz de andar com as próprias pernas. Este é um movimento natural e bastante saudável, contanto que saibamos lidar com ele”, conclui a especialista.

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