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Estilo de Vida 19/10/2020

Câncer de mama atinge 45% das cadelas e 30% das gatas; saiba identificar e prevenir

‘Outubro Rosa’ demanda atenção para os pets; entre eles, a doença tem prevalência alta e risco pode ser aumentado ou reduzido por atitudes do dono

Segundo tipo mais comum entre mulheres e o mais letal, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de mama é tema central no mês de outubro. A cada ano, cerca de 60 mil mulheres são diagnosticadas com a doença — que, apesar de mais comum entre elas, pode também pessoas do sexo masculino.

Mas não são apenas seres humanos os alvos: cães e gatos domésticos também podem desenvolver o câncer de mama, e alguns hábitos dos donos podem aumentar ou diminuir este risco.

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O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) estima que 45% das cadelas e 30% das gatas desenvolvam tumores nas mamas ao longo da vida; destes, 85% são malignos. As maiores incidências são entre animais com 10 ou mais anos de idade, que já passaram por diversos cios.

Para conscientizar os tutores sobre a alta prevalência do câncer entre os pets, o médico-veterinário Flávio Silva, supervisor de capacitação técnico-científica da marca de alimentos PremieRpet, esclarece dúvidas sobre a doença.

Ele ressalta que, assim como nos humanos, o câncer de mama pode ser desencadeado por múltiplos fatores, mas uma rotina saudável e uma alimentação de qualidade ao longo da vida podem contribuir para a prevenção. Da mesma forma que o autoexame, as mamografias e um diagnóstico antecipado podem melhorar as chances de cura em nós, donos, o cuidado e atenção redobradas junto a consultas periódicas ao veterinário podem salvar a vida de nossos animais.

Como identificar o câncer de mama em cadelas e gatas?

Alguns sintomas podem indicar a presença da doença, como falta de apetite, febre e vômitos. No dia a dia, é possível aproveitar os momentos de carinho para inspecionar o bichinho. A CFMV aconselha que o dono, periodicamente, posicione o animal de barriga para cima e apalpe as mamas para verificar a presença de nódulos ou qualquer alteração no volume na região, além de estar atento ao aparecimento de lesões.

Peito e barriga de cachorro branco

No entanto, explica Silva, é preciso ter em mente que nada substitui o diagnóstico de um profissional, por isso é muito importante levar o animal ao médico veterinário e realizar exames com frequência.

Qual o principal tratamento para a doença?

Remoção dos tumores, por meio de cirurgia. Quanto antes for realizado o procedimento para sua retirada, menor é o risco do reaparecimento da doença e maiores as chances de cura.

“Após a retirada, dependendo do tipo de tumor, o médico-veterinário pode indicar o uso de alguns medicamentos para complementar o tratamento e diminuir, mais ainda, a probabilidade de reincidência”, explica o médico veterinário.

O que pode aumentar o risco da doença?

Anticoncepcionais, popularmente conhecidos como “injeções para não ter cio”, comumente utilizados em gatas, aumentam muito o risco da ocorrência de tumores nas mamas, por isso o uso é completamente contraindicado.

Machos também podem ter câncer de mama?

A doença é mais comum em fêmeas por conta da produção de hormônios como estrogênio e progesterona, mas também pode afetar os machos. Nesses casos, a incidência é menor — 1% dos casos, segundo estudo português divulgado em 2002 —, mas o cuidado preventivo com visitas frequentes ao médico-veterinário deve ser o mesmo.

Médico veterinário segura cachorrinho

Castrar reduz o risco?

Segundo Wanderson Alves Ferreira, médico-veterinário membro do CFMV, a castração feita antes do primeiro cio é a melhor forma de prevenção contra o câncer de mama em animais. O procedimento pode ser feito por volta dos cinco meses de idade.

Em cartilha de prevenção contra a doença, o órgão diz que “uma cadela castrada antes do primeiro cio tem menos de 1% de risco de desenvolver tumores de mama; já em gatas, [a castração] reduz em 91% as chances.” Ferreira também defende que a castração auxilia na prevenção de outros males comuns, como a piometra — uma infecção uterina comum em fêmeas.

“Junto à castração, a melhor medida profilática são visitas regulares ao médico-veterinário. Qualquer alteração na mama da cadela é motivo de suspeita. Então, se o dono não tem o hábito ou conhecimento do exame de toque, é importante levar o animal à clínica, ao menos uma vez ao ano ou a cada seis meses, quando o animal tem fatores de riscos, como histórico familiar e castração tardia”, finaliza.