Síndrome de burnout: uma condição de estresse no trabalho

Por Luís Cunha

O confinamento ao qual o mundo inteiro foi submetido fez com que muitas empresas migrassem seu modelo de trabalho para remoto. E, embora um número significativo de empresas já esteja retomando suas atividades, a modalidade de teletrabalho permanece na maioria delas.

No entanto, com todas as mudanças envolvidas no compartilhamento de tudo no mesmo espaço (vida familiar e profissional) o trabalho remoto trouxe novos desafios, incluindo estressores.

 

A síndrome de burnout

A síndrome de burnout é um tipo de estresse de trabalho que assumiu muita relevância nos dias de hoje. Essa condição envolve um estado de esgotamento físico, emocional ou mental e tem consequências na autoestima e produtividade das pessoas. Isso se caracteriza por ter um processo gradual, no qual as pessoas perdem o interesse em suas tarefas e no senso de responsabilidade.

Esta é uma situação que é progressivamente gerada até que muitas vezes leva a um estado de incapacidade de continuar o trabalho habitual. Geralmente aparece em pessoas cuja profissão envolve dedicação a terceiros, como ensino, saúde e profissionais sociais.

 

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Considerando que desde o início do confinamento muitas pessoas tiveram que se adaptar a uma série de novas e exaustivas mudanças de trabalho, Anabel Garcia, especialista da Liberty Seguros, compartilhou quatro dicas para lidar com essa síndrome e torná-la mais suportável.

  • O teletrabalho não está disponível o dia todo: por não ter uma rotina “normal”, o horário de trabalho aumentou. Especialistas recomendam continuar a manter os horários para que você possa planejar melhor o dia. Teletrabalho não significa que você deixe de lado pausas, refeições, compartilhamento familiar, exercícios e sono.
  • Faça modificações no seu novo local de trabalho: ao trabalhar com o computador, deve-se notar que a tela deve estar à distância de um braço do rosto, conforme recomendado pela Academia Americana de Oftalmologia. Por outro lado, o contraste e o brilho da tela não devem ser mais brilhantes do que o da sala onde está localizada. Da mesma forma, ter uma cadeira ergonômica e uma mesa na altura correta é importante para evitar possíveis lesões. Além disso, é importante levantar e se mover por pelo menos 15 minutos a cada duas horas.
  • Desconecte-se: é importante que, uma vez concluído o trabalho, haja uma desconexão total ou parcial. Ou seja, distanciar-se psicologicamente de todas as tarefas ou coisas a fazer para se concentrar em outras atividades, que antes da quarentena eram realizadas. O teletrabalho não é um obstáculo para ler um livro, se exercitar ou assistir a séries que são tão apreciadas pela família.
  • Aproveite o tempo sozinho: passe de 5 a 10 minutos sozinho. Esse lapso é suficiente e necessário para melhorar a saúde mental e emocional da família. Neste espaço, você pode desfrutar do silêncio total ou da música que você mais gosta.

 

A Organização Mundial da Saúde

A Organização Mundial da Saúde classificou a síndrome do burnout como doença, que entrará em vigor em 1º de janeiro de 2022. Esta é a primeira vez que um estado de exaustão e um sentimento de ineficiência e desempenho no trabalhador foi incluído como uma doença.

A decisão foi tomada em 25 de maio, na última assembleia, por especialistas em saúde. Ressalta-se que já estava incluído no catálogo de 1990, que inclui mais de 55 mil transtornos e causas de morte, mas até agora correspondia a uma categoria mais genérica que se referia a “problemas relacionados à dificuldade no controle da vida”.

Um porta-voz da OMS explicou que “desde 1990, a Assembleia Geral da OMS não revisa a Classificação Internacional de Doenças e que, com esta atualização, incluindo o burnout, a agência de saúde da ONU espera facilitar a troca de informações entre profissionais de saúde a nível internacional”.

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