Aulas online: crianças cansadas e pais estressados

Embora as escolas comecem a reabrir suas portas, muitas manterão o ensino remoto até o fim do ano. Diante desse cenário, especialistas dão dicas para manter o ânimo e a produtividade nos estudos

Por Thainá Zanfolin – Canguru News

Depois de mais de seis meses em casa com aulas online, muitas crianças estão sem ânimo nem paciência para participar das aulas virtuais. E o estresse de fazer com que os filhos se dediquem ao ensino remoto também afeta os pais.

Andréa de Souza Silva, mãe de Laura, de 10 anos, diz que foi difícil a filha se adaptar ao ensino remoto, mesmo sendo ela estudiosa e participativa nas aulas. “Quando a gente percebeu, ela estava muito desanimada, sem vontade de fazer atividades ou assistir à aula. Essa foi nossa maior dificuldade”, comenta a mãe.

O pai, Sérgio de Menezes, disse que ele e a esposa tiveram que se adaptar às diversas demandas da casa, do trabalho e da filha. "Ficamos sobrecarregados para lidar com tudo, principalmente a Andréa que estava acompanhando as aulas com a Laura, eu com meu trabalho, com todo mundo em casa”, conta o pai.

Assim como Laura e seus pais, muitas outras famílias estão cansadas da rotina em casa, que no entanto ainda deve durar mais algum tempo. Embora as escolas comecem a reabrir suas portas, muitas manterão o ensino remoto até o fim do ano e especialistas falam até sobre a possibilidade de um ensino híbrido para o futuro. Esta semana, o Conselho Nacional de Educação autorizou que escolas da rede pública e particulares façam aulas remotas até o final de 2021, caso seja a opção decidida pela rede.

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Diante desse cenário, educadores orientam que os pais procurem se adaptar à situação, mesmo que ainda estejam com dificuldades. Segundo especialistas, é importante persistir, pois o que é aprendido agora fará, sim, diferença no futuro. “Abandonar o ensino remoto significa não só o filho deixar de aprender, mas também perder parte do conteúdo que ele já aprendeu em outros momentos. Quando a criança fica muito tempo longe das atividades, o cérebro vai enfraquecendo as ligações que já foram feitas, explicam Taís Bento e Roberta Bento, fundadoras do SOS Educação e especialistas na relação Família-Escola.

“Abandonar o ensino remoto significa não só o filho deixar de aprender,
mas também perder parte do conteúdo que ele já aprendeu em outros momentos"

Taís Bento e Roberta Bento, fundadoras do SOS Educação

O lado emocional também pode ficar abalado, uma vez que a criança perdeu o espaço de inserção social. Assim, é possível notar cansaço, falta de paciência, hábitos confusos, horários trocados. Na verdade, especialistas do mundo todo apontam que as consequências do ensino remoto e falhas na educação serão percebidas durante as próximas gerações. “O que também vai ser levado para o resto da vida é que o aluno que parar de tentar e de se esforçar agora, perde a oportunidade de desenvolver a capacidade de superação”, afirma as especialistas da SOS comunicação.

Se sua família faz parte da parcela que acabou abrindo mão do ensino remoto ou que está com muita dificuldade em lidar com as atividades, pode ficar mais tranquilo: mesmo depois de tanto tempo, ainda é possível incentivar os filhos na hora do ensino remoto.

Para ajudar nisso, preparamos com a ajuda de especialistas dicas para auxiliar os familiares nessa tarefa, Confira abaixo.

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4 dicas para tornar o ensino remoto mais produtivo

Educadores ressaltam que nem sempre a criança vai ter a percepção da importância, do compromisso e da responsabilidade de segir firme no ensino remoto e cabe aos pais mostrar que esperam isso dela e incentivá-la nos estudos.

1. Tarefas atrasadas

De acordo com as especialistas, muitos pais podem se desesperar para “correr atrás do prejuízo” e tentar cumprir com todas as tarefas enviadas, mas é preciso fazer isso de forma estratégica.

“Para crianças pequenas, até o 5 ou 6 anos, é ‘bola pra frente’. A criança maior, vai precisar correr um pouco atrás. Porém, é inviável fazer tudo, os próprios pais não vão ter tempo e às vezes nem conhecimento do conteúdo e a criança também está cansada. Para saber o que vale a pena, é bom falar com o professor e às vezes investir em um reforço escolar com um profissional especializado”, explica Tatiana Camargo Lamego, professora e especialista em neuroeducação e que comanda a Bem Família Tutoria (para autonomia das crianças nos estudos).

As especialistas da SOS Educação indicam uma estratégia que pode ser feita pelos pais que estão preocupados com o atraso no ensino remoto: “A nossa recomendação é deixar de lado tudo o que está acumulado, provisoriamente. E começar do zero uma nova semana, em que a criança vai participar da aula e fazer a atividade daquele dia, sem deixar para trás. Passa uma semana inteira fazendo a rotina assim, esquecendo das atividades que ficaram acumuladas”.

Depois, de acordo com elas, os pais podem pegar as tarefas atrasadas e acrescentá-las no momento de estudo daquele dia. Assim, aos poucos, é possível retomar algumas atividades perdidas.

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2. Dê valor ao ensino e às aulas online

A primeira questão é que os pais precisam valorizar a escola e a aprendizagem. É importante evitar se queixar sobre a aula na frente das crianças”, afirma Tatiana, dizendo que é preciso que o pai tenha interesse em saber sobre o que está acontecendo na aula, o que ele está aprendendo e mostrar que é um apoio para o filho por meio de elogios e incentivos.

Muitas vezes os pais que estão com dificuldade em lidar com tudo e acabam passando esse sentimento para as crianças. É preciso separar o que é sentimento do adulto e o que de fato a criança está sentindo. De acordo com as especialistas, a criança consegue perceber quando seu esforço está sendo reconhecido pelos pais ou não.

3. Ofereça outras atividades para a criança

Para um desenvolvimento global, é preciso mais do que apenas o ensino escolar. Por isso, passando por uma pandemia ou não, a profissional da Bem Família afirma que os pais precisam estimular outras atividades em seus filhos, que o ajudarão para o resto da vida. 

Práticas de leitura, exercícios, música e artes podem trazer tanto aprendizado quanto as aulas do ensino remoto e, por isso, podem ser uma forma de continuar contribuindo com o desenvolvimento dela mesmo quando a família não está conseguindo acompanhar todas as atividades do ensino remoto.

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4. Estabeleça uma rotina

Quando se fala de educação durante o isolamento ou não, uma indicação foi unânime entre as especialistas: é importante montar uma rotina para a criança – e, consequentemente, para a família. A partir da organização dos dias, a criança consegue fazer suas atividades de forma mais leve, entende melhor o que é esperado dela e continua se desenvolvendo.

Tatiana utiliza a metodologia que chama de ABCDT que, de acordo com ela, garante que o desenvolvimento da criança seja completo e auxilia no dia a dia das crianças. Os pontos são:

  • A – aprender;
  • B – brincar;
  • C – comer;
  • D – dormir;
  • T – tempo livre.

Mas como colocar esses elementos na rotina da crianças? “A ideia é eleger 2 ou 3 combinados para começar. Por exemplo, o combinado do horário do estudo, da organização do material, de fazer um momento de leitura em família ou algo lúdico.Se a criança não tem rotina, é indicado começar aos poucos, não exigir tanto, mas ter o foco de onde se quer chegar”, explica Tatiana.

Da mesma forma, as especialistas da SOS Educação também valorizam uma rotina que desenvolva diversas características das crianças. Elas elaboraram um plano com 6 pontos essenciais que, distribuídos na rotina durante a semana, auxiliam tanto nos estudos quanto no desenvolvimento das crianças.

  1. Compartilhar responsabilidade dentro de casa;
  2. Fazer uma atividade física na semana;
  3. Brincar no concreto, sem telas;
  4. Ter horário certo de dormir;
  5. Ter momento de estudo, diariamente;
  6. Ter uma hora da leitura, fora do momento de estudo.

As especialistas da SOS Educação também preparam um material para download gratuito para montar uma rotina com a família toda durante a quarentena. Clique aqui para baixar.

Mesmo com a retomada de aulas presenciais em alguns locais, o ensino remoto ainda é uma realidade para muitos e vai continuar sendo, mesmo que de forma híbrida, por mais um tempo. Por isso, as especialistas reiteram: é papel dos pais mostrar a importância do ensino remoto, de estar presente naquele compromisso e é preciso persistir nas atividades, da melhor forma que for possível para a família.

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