Sem mobilidade, diversas atividades do dia a dia migraram para o vídeo

Por Metro World News

Com quarentena decretada Brasil e mundo afora, tarefas cotidianas que fazíamos presencialmente  agora só podem acontecer por meio de videochamadas. Reuniões do trabalho, conversas com amigos, comemorações de aniversário, aulas, sexo… Quase não existe limite quando o assunto é conectar pessoas que, pelo menos por ora,  estão impedidas de se encontrarem fisicamente pela pandemia. Mas isso tudo não é nada novo.

Há pelo menos duas décadas já vínhamos nos preparando para esse cenário, em que a tecnologia passa a mediar as mais diversas esferas da vida, segundo Andrea Jotta, pesquisadora do Laboratório de Estudos de Psicologia e Tecnologias da Informação e Comunicação da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica). “A gente não imaginava que isso fosse acontecer de forma radical, como está sendo, a gente acreditou que fosse ser paulatino”, explica.

Em algumas relações de trabalho, principalmente nos grandes centros urbanos, o uso de tecnologia, como videoconferências, já era comum. Agora, normaliza-se inclusive em atividades que não lançavam mão do recurso.

Se isso é bom ou ruim? “Não teremos mais essas discussões sobre a tecnologia, ela simplesmente vai existir”, diz. “Não existe benefício ou malefício, existe o uso que você faz da tecnologia – quem determina é o usuário. Isso é uma adaptação do ser humano”, acrescenta.

Sala de aula virtual

Um dos mais afetados pela crise, o setor da educação, que ainda resistia à tecnologia, é um bom exemplo do que o futuro nos guarda. Segundo Jotta, as escolas mais tradicionais estão tendo dificuldades em engajar seus alunos à distância. Por outro lado, as híbridas, que já incorporavam a tecnologia, tem tido mais sucesso.

“Elas já vinham desenvolvendo ferramentas e utilizando a pedagogia tanto dentro quanto fora da tecnologia. Sabem quanto o aluno consegue reter de conteúdo no virtual e hoje conseguem manter o aluno, no mínimo, entretido”, afirma.

“É mais ou menos o que vai acontecer com tudo. Não existe uma possibilidade, depois da covid, de viver sem tecnologia. Quem não correr atrás automaticamente vai perder campo para quem conseguir desenvolver isso.”

Terapia online

De quarentena há pouco mais de um mês, o estudante Leonardo Antiqueira, 21 anos, além de conversar com familiares e namorada por vídeo, passou a frequentar suas sessões de psicoterapia dessa maneira. Se antes tinha ceticismo em fazer isso de forma remota, ele diz que, agora, consideraria uma opção quando a pandemia passar.

Apesar de sentir falta do olho no olho, o estudante também viu benefícios. “Tenho tido mais comprometimento. Por um lado, tem sido mais profundo, porque me faz ter que lidar com questões emocionais diariamente, sendo que na rotina normal, fora de casa, eu deixava em segundo plano.”

“Tem sido interessante, diferente, porque para mim faz muito sentido estar na presença da pessoa quando estou falando sobre sentimentos, questões, problemas. No começo, foi mais esquisito; agora, estou naturalizando um pouco mais.”

Parabéns!

Em seu aniversário de 85 anos, a aposentada Dodomila Soldera precisou cantar seu parabéns de quarentena, no dia 3 deste mês. Além dos familiares que vivem com ela e estão isolados há cerca de dois meses, em Jundiaí (SP), sua neta, de 25, também participou da comemoração – mas de maneira virtual, já que mora na cidade de São Paulo. A ponte entre as duas gerações foi justamente a videochamada. “Apesar de não estarem junto comigo todos os que eu gostaria que estivessem, assim mesmo foi muito bom”, conta.

“Pessoas me cumprimentaram pelo WhatsApp, pelo Facebook, recebi muitos telefonemas. Eu fiquei feliz, porque essa tecnologia – e quando eu nasci não existia nem televisão – me proporcionou ser cumprimentada e cumprimentar as pessoas de longe.”

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