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Graças à fertilização in vitro, Norma Maria de Oliveira realizou o sonho de ser mãe aos 64 anos. “Quando olho para ela, é só amor”, comemorou. Por conta da idade, ela e o companheiro assinaram termo de responsabilidade em que afirmavam estar cientes dos riscos da gravidez.

Mãe norma 64 anos fertilização in vitro

Norma foi mãe aos 64 anos

Mesmo prematura, Ana Letícia nasceu saudável e agora, quatro meses depois, a procuradora municipal vai entrar com um pedido de aposentadoria para se dedicar inteiramente à pequena. “Está decidido. Vou cuidar só dela, mais nada. Minha profissão agora é a maternidade”, disse.

Assim como Norma, a reprodução assistida é o caminho da fertilidade para muitas mulheres e casais brasileiros. E com o avanço da ciência, a idade deixou de ser um obstáculo para muitas pessoas. A servidora Luciene Gonçalves ficou grávida duas vezes depois dos 50 anos.

Primeiro veio a Helena, que está com dois anos, e depois o Heitor, com oito meses. “Eu tenho orgulho de chegar na idade que eu cheguei e ter gerado dois bebês super sadios. Aliás, eu estou rejuvenescida”, brincou.

As novas técnicas de reprodução também criam famílias cada vez mais diversas. Roberta de Oliveira e Alessandra Pereira têm hoje três filhas juntas e recorreram ao banco de sêmen para engravidar.

“Escolhemos a cor dos olhos, no caso verde, a profissão, que é um médico, e tiramos todos que teriam sangue negativo para evitar qualquer problema durante a gestação. A tecnologia veio para ajudar, para realmente ter um avanço”, afirmou Roberta.

Longa espera

Os planos de saúde ainda não oferecem o tratamento, mas o SUS realiza a técnica em 11 centros de saúde do país. A fila de espera é longa e pode durar até dois anos. Em Belo Horizonte, os medicamentos são todos custeados pelo próprio paciente.

Flaviane fertilização in vitro

Flaviane já fez duas tentativas de fertilização

A professora Flaviane Ribeiro, de 42 anos, teve de recorrer a um empréstimo para fazer duas fertilizações, que não deram certo. “Na primeira tentativa, eu gastei cerca de R$ 20 mil só com medicamentos. Não deu certo. Na segunda eu gastei R$ 10 mil e ainda estou pagando, mas não consegui o bebê. É a parte bem triste, uma lembrança que não sai da cabeça”, disse.

Mesmo sem sucesso nas duas vezes, Flaviane não desistiu do sonho de ser mãe e vai tentar outra fertilização.

Já a comerciante Rebecca Godinho recorreu ao serviço da rede pública aos 32 anos, e, após três anos de espera, a alegria renasceu com a gravidez. “Tinha que ser o Lucas. Se tivesse que esperar três vezes novamente, sabendo que ele ia chegar da terceira, passaria por tudo isso mais uma vez”, resumiu o marido, Thiago Soares.

Durante a espera no SUS, eles ainda chegaram a tentar duas fertilizações in vitro, que não deram certo, e gastaram R$ 17 mil.

Nas clínicas particulares, a conta fica ainda mais cara. Mesmo com a evolução da técnica, o preço é inacessível para muitas pessoas – os valores variam entre R$ 10 mil e R$ 23 mil, se houver necessidade de doação de óvulo.

E só o semên tem um custo de R$ 2 mil. Uma resolução do Conselho Federal de Medicina permite também a escolha das características do material genético. A decoradora Patrícia Borges gastou R$ 100 mil com o processo. “Você sabe tudo do pai, só não vê a foto. Falei como eram as características e eles me deram as opções”, explicou.

Congelamento de óvulos

Esperança para conservar a fertilidade e adiar a chegada dos filhos, o congelamento de óvulos se torna cada vez mais comum. Mesmo assim, o custo é alto – R$ 15 mil, além da mensalidade para manter o material genético guardado em botijões a 190 graus negativos.

Desde os 30 anos, a especialista em reprodução, Márcia Riboudi, mantém óvulos congelados e só pensa em ter filhos mais tarde por conta da profissão. “É como se eu tivesse feito um plano de saúde. Se eu chegar aos 40 anos e decidir ser mãe, tenho total segurança de ter um bebê saudável em casa”, defendeu a especialista.

O procedimento também é indicado para mulheres que têm histórico de menopausa precoce na família ou ainda aquelas que precisam fazer tratamento contra o câncer.

É o caso de Cristina Nunes, que aos 33 anos foi diagnosticada com um tumor. A notícia, que assustou a servidora pública, obrigou a tomar uma difícil decisão: adiar a quimioterapia para poder congelar os óvulos. Cinco anos depois de vencer a doença, ela começa a pensar no primeiro filho.

“Hoje estou com 37 anos, esses óvulos congelados têm 33 anos. São novos e passada essa tempestade, essa fase complicada, é uma tranquilidade saber que, se precisar, caso a gravidez não venha de forma espontânea, eles estão lá e eu tenho a quem recorrer”, apontou Nunes.

Espanha é referência no tema

Com quatro vezes mais fertilizações in vitro que o Brasil, a Espanha se tornou referência mundial em reprodução assistida. Testes genéticos cada vez mais modernos desenvolvidos no país ajudam os especialistas na seleção do óvulo e espermatozóide para evitar abortos e nascimento de bebês que não sejam saudáveis.

“A idade é um problema muito sério. Na hora que eu estudo geneticamente o embrião, elimino esse problema porque a grande diferença de uma paciente ficar fazendo um tratamento com 40 anos e para aquela que faz com 35 anos é a qualidade do óvulo que ela produz”, explicou o ginecologista Emerson Cordts.