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Veterinária fala sobre relação entre dieta livre de carboidratos e tratamento do câncer

A veterinária capixaba Jacquelyne Motta foi destaque no Congresso Mundial de Medicina e Saúde, realizado em Berlim, na Alemanha, que teve como foco a oncologia. A especialista foi premiada por sua pesquisa que indica o uso da dieta cetogênica – que preza por uma alimentação livre de carboidratos – no tratamento auxiliar do câncer.

A pesquisa foi feita a partir do estudo de caso da aplicação da dieta no tratamento de câncer de uma cadela Shih-tzu e chamou a atenção de médicos renomados do mundo inteiro por poder ser aplicada também em humanos. “A dieta eliminou os efeitos colaterais que o tratamento oncológico convencional gerava e passou a dar qualidade de vida”, explica.

De que forma a dieta cetogênica ajuda no combate às células cancerosas?
A ideia é simples: matar o câncer de fome. A célula saudável se alimenta tanto de gorduras quanto de glicose (originada a partir dos carboidratos). Já as células de tumores malígnos não sabem usar outra fonte de energia que não seja a glicose. Ao tirar esse substrato do tumor, você mata ou enfraquece essas células. Aí entra a dieta cetogênica, que restringe no organismo a fonte de alimentação do câncer. Ela é baseada em uma alimentação livre de carboidratos, rica em gorduras, e equilibrada com proteínas. O organismo segue com fonte de energia, já o câncer não.

Sua pesquisa foi baseada em um estudo de caso de uma cadela Shih-tzu. Quais foram os resultados?
A Olivia foi diagnosticada há cerca de um ano com câncer no abdômen. Já tinha passado por seis meses de quimioterapia e três cirurgias. Não estava obtendo muito sucesso. Aplicamos a dieta cetogênica, o câncer estabilizou e está reduzindo de tamanho. Considera-se isso uma cura uma vez que esses tumores têm crescimento rápido.

A Olívia foi o primeiro caso no qual você usou esse tipo de tratamento?
Há 10 anos, meu cão, o Fred, foi diagnosticado com câncer. Resolvemos então implementar uma mudança de hábitos alimentares, trocando a ração industrializada por carne, ovos e ossos. Notamos que a dieta eliminou os efeitos colaterais que o tratamento convencional gerava e passou a dar qualidade de vida.

Quais os tipos de alimentos que a pessoa abandona ao fazer essa dieta?
Quem tem câncer precisa cortar açúcar, farinha, alimentos processados que contêm muito sódio, trigo, soja, milho, glúten, coisas que viram açúcar no organismo, e passar a priorizar gorduras boas, abacate, azeite, ovos, banha de porco, óleo de coco. Pode ser difícil no começo por envolver uma mudança de hábitos alimentares. O paciente sofre um pouco de dores articulares e enjoos nas primeira semanas, mas são efeitos rápidos, algo comum em quem passa por uma mudança de dieta. É claro que é uma mudança alimentar, mas não estou dizendo que não deve se acompanhada do tratamento clínico recomendado por um especialista.

Qual a diferença entre as dietas cetogênica e low carb, que virou moda entre pessoas que querem emagrecer?
A cetogênica não precisa, e nem deve, ser aplicada por um longo prazo. O recomendado é depois substituir por uma dieta low carb (baixo carboidrato), quando o paciente volta a ingerir carboidratos, mas em baixa quantidade.

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