Estilo de Vida

Setembro Vermelho alerta para o avanço de doenças do coração

“Meu tambor do peito, meu amigo cordial”. O trecho da canção “Meu Mestre Coração” de Milton Nascimento homenageia, como outras pérolas do vasto cancioneiro popular brasileiro, um dos órgãos mais trabalhadores do corpo humano: são 70 batidas por minuto, 100 mil por dia e 38 milhões de vezes por ano. E o “cordial” da música poderia ser substituído por “essencial”, afinal, sem ele não há vida. Outro número alerta para a importância de cuidar muito bem desse nosso amigo do peito: a cada minuto uma pessoa morre por causa de alguma doença cardiovascular.

No Dia Mundial do Coração, celebrado todo 29 de setembro, e no Brasil durante todo o mês, ONGs e entidades médicas concentram esforços no sentido de espalhar informações sobre as cardiopatias, primeira causa de mortes no mundo. “Fatores de risco, estilo de vida e fatores genéticos são os responsáveis por esses óbitos”, explica o cardiologista Marcelo Sampaio, diretor clínico do Hospital Alemão Osvaldo Cruz, de São Paulo.

Segundo o especialista, a prevenção é o caminho mais rápido para promover alguma mudança positiva no cenário atual. “Países mais desenvolvidos, como França, EUA e Itália, conseguiram uma pequena redução na incidência da doença nos  últimos 40 anos, entre europeus só Portugal teve aumento”. Os hábitos alimentares dos EUA estão longe de ser os melhores, mas, ainda assim, segundo o cardiologista, estímulos à prática de atividades físicas e a mudança do estilo de vida tem surtido algum efeito, ainda que mínimo.

No Brasil, uma das maiores ações de prevenção é a campanha Siga seu Coração, do Instituto Lado a Lado pela Vida. Em sua terceira edição,  o movimento que integra a agenda de eventos do Setembro Vermelho tem esse ano a participação de 22 Estados.

“Vamos realizar intervenções em mercados municipais, estradas, empresas e locais públicos, informando sobre importância da boa alimentação e de um estilo de vida saudável”, diz Marlene Oliveira, presidente do instituto.

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Prevenção pode evitar mortes por cardiopatias

De janeiro até setembro  deste ano 232 mil pessoas morreram no Brasil por doenças cardiovasculares. A informaçã

o é do cardiômetro, indicador criado pela SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia) que monitora o avanço das cardiopatias, que vitimaram 346.896 pessoas no Brasil em 2015 – número que deve crescer 4% em 2016.

De acordo com a SBC, as cardiopatias matam duas vezes mais do que todos os tipos de câncer juntos, e também o dobro de acidentes diversos e da violência, e 6,5 vezes mais do que todas as infecções, incluindo a Aids. “É uma epidemia”, afirma o presidente da entidade, Marcus Bolívar Malachias.

Segundo o cardiologista, o Brasil corre o risco de se tornar nas próximas décadas o líder mundial em mortes por doenças cardiovasculares. “Mas parte dessas mortes podem ser evitadas se as pessoas praticarem  atividades físicas e adotarem uma alimentação mais saudável”, acrescenta o especialista. No Dia Mundial do Coração, em 29 de setembro, a SBC também realizará atividades em várias capitais promovendo exames de colesterol e glicemia, medição de pressão arterial, entre outras ações.

Mesmo com histórico familiar, doenças cardíacas podem ser evitadas com mudanças de hábitos, ressalta o cardiologista Marcelo Sampaio, diretor clínico do Hospital Alemão Osvaldo Cruz. Ainda mais com os avanços no diagnóstico. “Hoje com o mapeamento genético podemos identificar a predisposição para doenças e ajustar a medicação com mais eficiência, isso individualiza o tratamento”.  

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