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Saiba tudo sobre o HPV: você pode ter e estar transmitindo

A maioria já ouviu falar sobre HPV, mas ainda falta informação sobre a doença, sobretudo, quanto à relevância da vacinação. O fato é preocupante, já que contrair o Papilomavírus Humano (HPV) é facílimo. Basta que haja contato sexual com algum parceiro que possua o vírus e pronto.

Segundo especialistas, trata-se de uma doença bastante agressiva. Cerca de 65% das pessoas que têm a patologia a transmitem, informa Rosana Richtmann, infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas.

O aparecimento de verrugas genitais (tanto vaginais quanto anais e penianas) é o sintoma mais “fisicamente visível” da doença, porém, segundo Mauro Romero, presidente da Sociedade Brasileira de DST, cerca de 90% dessas verrugas não têm potencial cancerígeno, fato que não exclui a urgência de seu tratamento, que é feito por meio da cauterização, laser, aplicações de ácidos especializados e algumas pomadas estimuladoras imunológicas.

 

Câncer
Para saber se a doença evoluiu para um câncer é necessário que a paciente se submeta a exames de rotina como o papanicolaou, colposcopia e até mesmo à biópsia, dependendo do caso. O HPV é culpado por 100% do aparecimento de câncer no colo do útero.

Prevenção
Prevenir-se do HPV implica no cumprimento de um conjunto de fatores: evitar troca constante de parceiros, fazer exames de rotina regularmente, tomar a vacina contra o HPV e manter a qualidade de vida evitando vícios como fumar e comer mal.

Embora o setor público só disponibilize a vacina gratuitamente para meninas entre 9 e 11 anos, sua aplicação é necessária tanto em homens quanto em mulheres mais velhas já que a doença pode se manifestar nos dois sexos, em todas as idades. O uso correto de preservativos pode impedir a propagação da doença, mas para isso especialistas orientam usar a camisinha de maneira consciente, ou seja, também durante o contato oral.

 

Estudos apontam relação entre HPV e cânceres de cabeça e pescoço
Há 10 anos o HPV era responsável por 25% dos casos de câncer de amígdala, um dos mais frequentes nessa região, hoje está associado a 80% desses tumores. Sexo oral sem proteção e com muitos parceiros é a principal causa de crescimento dessas ocorrências. É o que mostram estudos, entre eles os realizados recentemente por especialistas do A.C. Camargo Cancer Center.

Mas, de acordo com a pesquisa, usar preservativos não impede totalmente a transmissão.

Cânceres de boca, faringe, laringe, amígdala, língua, entre outros, podem ser desenvolvidos pelo vírus. O estudo sugere que essa região do corpo é uma das mais preocupantes no desenvolvimento do câncer, porque abrange áreas muito visíveis, que às vezes implicam na retirada de órgãos como língua e faringe, o que prejudica a fala e a alimentação da pessoa.

Saiba mais

Homem x HPV 
Engana-se quem acha que o homem está protegido quando o assunto é HPV. Apesar de não ter útero como as mulheres, a doença pode ser contraída e causar feridas e verrugas no ânus e no pênis. Além disso, o sexo masculino é o mais atingido por cânceres de boca, faringe, amígdala e outros que se localizam na região da cabeça e do pescoço e são relacionados ao HPV.

Vacina
Alguns países já criaram consciência de que a vacina contra a doença precisa ser ministrada em ambos os sexos: Austrália, Áustria e Canadá, são exemplos que o Brasil deveria seguir. De acordo com Rosana Richtmann, os métodos de prevenção – inclusive a vacina – não são devidamente informados e direcionados aos homens, tanto que muitas pessoas sequer sabem que o vírus pode afetar esse sexo. “O desconhecimento da doença e de seus perigos para o homem faz com que ela se propague”, afirma Richtmann.

Embora só esteja disponível gratuitamente em postos de saúde da rede pública para meninas de nove a 11 anos, a vacina pode ser tomada no serviço privado. Homens e mulheres devem se conscientizar. Os especialistas afirmam que a falta de acesso gratuito à vacina não deve ser um obstáculo na prevenção. “É uma questão de prioridades”, explica Romero.

Vacine sua filha!
Em 2014 foram 5 milhões de meninas de 9 a 11 anos vacinadas. Procure uma unidade de saúde do SUS ou fique atenta ao período de vacinação nas escolas. Ao todo, são três doses da vacina: a primeira pode ser tomada em qualquer período dessa faixa etária, a segunda depois de seis meses e a terceira, 60 meses depois da primeira dose. Não esqueça de levar a caderneta de vacinação.

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