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Estilo de Vida 08/04/2015

Prevenção de Angelina Jolie divide opinião de especialistas

Cirurgia preventiva para retirada de órgãos deve ser feita com orientação de oncologista  | Ethan Miller/Getty Images

Cirurgia preventiva para retirada de órgãos deve ser feita com orientação de oncologista | Ethan Miller/Getty Images

A saúde da atriz e cineasta Angelina Jolie voltou a roubar a cena na mídia e nas redes sociais. Em um artigo no jornal “The New York Times”, ela declarou ter retirado os ovários e as trompas pelo risco de desenvolver câncer. Em 2013, com o mesmo objetivo, ela fez uma dupla mastectomia para remover as mamas.

Ela conta no artigo, que obteve dos médicos a informação de que o nível de uma proteína chamada de CA-125 no sangue, monitorada para detectar o câncer de ovário, era normal. No entanto, havia, segundo Jolie, uma série de marcadores inflamatórios altos.

É raro, mas uma pessoa pode nascer com predisposição para desenvolver tumores, por ter essa tendência no DNA – são as chamadas mutações germinativas. Ou seja, os casos de câncer na família da atriz aumentam as chances dela ter a doença. Segundo o médico Henrique Galvão, do Hospital de Câncer de Barretos, o risco de uma mulher ter o câncer de ovário é de 1,5%, mas se houver a mutação, essa possibilidade cresce para 45%.

Riscos 

Há quem veja riscos nesse procedimento preventivo. Pode provocar uma neurose coletiva nas mulheres, tenho medo que saiam por aí se mutilando”, explica Beny Schmidt, chefe do Laboratório de Patologia Neuromuscular da Unifesp. Segundo ele, é preciso tomar cuidado com a genética, que vem deixando de ser uma promessa para se tornar uma realidade na medicina. “Em relação à atitude da Angelina Jolie, é importante que as pessoas saibam que essa decisão pertence ao paciente e não ao médico.

Schmidt defende que está correto no caso da atriz, mas deve-se evitar que outras mulheres acabem indiscriminadamente se precipitando. “Devem conversar com seu médico oncologista sobre o real significado dessa informação genética”.

Para ele, toda neoplasia tem íntima relação com o estado emocional da pessoa. “É óbvio que cuidar da alimentação e fazer exercícios ajudam, mas a melhor prevenção contra o câncer é procurar ser feliz”, arremata o médico.