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Relação entre alunos e professores é tema de reportagens da Band

Humberto Mineo é professor na Escola Municipal de Ensino Fundamental Brasil-Japão, na zona oeste de São Paulo, e foi agredido fisicamente duas vezes na quadra de educação física. “Um aluno tentou me intimidar, como não recuei, ele me deu uma joelhada. Depois, juntou uma turma e todos vieram com paus e pedras, como numa tentativa de homicídio, mesmo”, conta. Ele continua a dar aulas, mas afirma que não quer o mesmo futuro para as filhas: “É perigoso demais”.

Já o ex-professor Vitor Pimenta teve um ataque de pânico ao ver que havia perdido o controle dos estudantes: “Eu berrava e de repente, saí correndo. Nunca mais coloquei os pés numa escola. Foi minha última aula”. Os dois foram vítimas da violência no sistema educacional.

O Brasil lidera um ranking de 34 países, quando o assunto é intimidação contra o educador, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Uma pesquisa recente do sindicato da categoria em São Paulo revelou que 44% dos professores do Estado já sofreram algum tipo de agressão por parte dos alunos. “Uma bomba relógio”, segundo o psiquiatra Dárcio Boldoni Dutra, que atende educadores da rede pública. Por isso, é importante que o professor busque ajuda profissional para enfrentar a insegurança, antes de ter uma crise. “As três profissões com o maior índice de suicídio são policiais, médicos e professores”, explica.

 

Da sala de aula para a cadeia
Xingar a diretora da escola custou a Alexandre (nome fictício) , mais de dois meses (72 dias) atrás das grades. O adolescente estuda em uma das escolas estaduais de Monte Alto a 350 km de São Paulo e foi parar na Fundação Casa em Franco da Rocha após insultar a diretora.

A ofensa aconteceu porque ela não aceitou transferir o menino de período. Ele queria estudar de manhã para treinar futebol a tarde, porque duas semanas depois um “olheiro” do São Paulo F.C. faria uma “peneira” com os meninos da cidade. Alexandre é o mais velho de seis filhos de um casal analfabeto. O pai é ajudante de pedreiro e a mãe aposentada por invalidez.

A família vive em casa pobre, onde os pares de chuteira e as medalhas do garoto chamam atenção. Perto dali, um campinho de terra batida se transforma no palco de um sonho que o garoto luta para realizar quando tiver uma oportunidade.

Alexandre reconheceu o erro, pediu desculpas para a diretora. Vai recomeçar e aprendeu que injúria é crime. Pelo Código penal o adulto pega de seis meses a dois anos de reclusão, como a pena é de menor potencial ofensivo, é convertida em cestas básicas ou trabalho comunitário. Mas este garoto pagou preso. Pagou caro. A história de Alexandre faz parte do último episódio da série de reportagens “Escola do medo”, exibida esta semana no Jornal da Band.

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