Estilo de Vida

No Dia Nacional do Café, veja dicas para uma xícara perfeita

imagem sem TítuloÉ difícil de acreditar, mas é verdade: mais da metade dos consumidores de café no Brasil consome praticamente o mesmo tipo de bebida há décadas e provavelmente há gerações. Não é preciso ir muito longe. Pergunte à sua família e aos seus amigos que café bebem e há quantos anos. A marca líder de mercado está no topo há 30 anos o que já é um indício forte dessa grande fidelidade.

O dado é interessante e pode até ter um componente afetivo forte _quem não tem lembranças da mãe preparando o café na cozinha de casa_, mas é também alarmante como o brasileiro tem um paladar monótono quando se trata de café.

Para dar uma aquecida nessa relação, reunimos aqui algumas informações que mostram o quanto o café é versátil e rico em possibilidades de sabor e aroma.

COMO PREPARAR EM CASA

Coado sim, senhor

Um dos métodos mais populares de filtrar café, o café coado é o preferido de 93% dos consumidores de café no Brasil. Seu preparo é simples: basta colocar o pó em um filtro de pano ou papel e ali é feita a infusão com água. A extração dura cerca de 4 minutos, e a bebida costuma ficar clara, quase sem resíduos de pó.

A importância da água
Independentemente do preparo escolhido, a água representa uma grande porcentagem da composição do café na xícara. Na maioria dos casos, essa porcentagem gira em torno de 80%. Sendo assim, por melhor que o café seja, se a água for cheia de resíduos e sabores desagradáveis, não haverá mágica, a bebida ficará ruim. O ideal é sempre utilizar água filtrada (mesmo que depois seja fervida) ou água mineral com baixo índice de cálcio (o excesso desse mineral faz a água passar muito lentamente e deixa a bebida amarga).

CURIOSIDADE
O café possui cerca de 1.500 substâncias químicas. Destas, 850 são voláteis (liberadas no ar, resultando em uma grande variedade de aromas) e 700 são solúveis (se dissolvem em água), proporcionando à bebida também uma grande variedade de sabores.

grãocafé_freeimageCOMO ESCOLHER O CAFÉ NO MERCADO
O café é como o vinho. Não há apenas um tipo, mas uma grande variedade que ganha um leque ainda maior com as diversas maneiras que o cafeicultor pode tratá-lo antes de enviar para o mercado ou para a cafeteria.

Há diferentes qualidades de café, que vão desde o tradicional (menos qualificado) até microlotes (edições limitadas de cafés especiais) que são tratados como joias e vendidos em pequenas quantidades por preços altos. A qualidade envolve aqui não apenas a riqueza de sabores e aromas, mas também a limpeza do café (alguns apresentam sujeiras, como pau, pedra e até vidro) e a presença de grãos defeituosos, podres, comidos por bichos. Como é um produto consumido diariamente por toda a família, é importante saber realmente (e não apenas o que a marca informa) o que está dentro do pacote. Veja algumas dicas abaixo.

Os diferentes tipos de café e como escolher

Uma classificação por qualidade interessante para se orientar é a da Abic. Para a Associação Brasileira da Indústria do Café, há os cafés tradicionais, os superiores e os gourmets ou premiuns. Essa classificação costuma ser estampada na embalagem.

Os tradicionais mesclam café arábica com robusta (no máximo 30%) e podem ter até 20% de defeitos PVA (pretos, verdes e ardidos). Exemplos: Pilão, Café Caboclo, Bom Jesus e Café do Ponto
Os superiores possuem valor agregado alto e apresentam no mínimo 85% de cafés arábicas e no máximo 10% de defeitos PVA. Exemplos: Melitta Regiões Brasileiras.

Já os cafés gourmets ou premiuns são os mais raros e excelentes, com características únicas e valor superior. Em sua composição, só podem ter grãos arábicas e não podem apresentar defeitos PVA. Exemplo: Café Fazenda Pessegueiro, Café do Mercado, Ghini, Toledo Gourmet e 3corações Gourmet.

Os cafés especiais são avaliados por outras associações, que possuem critérios mais específicos. Mas, no geral, são 100% feitos com grãos arábica, têm origem controlada, têm sabor marcante e bom equilíbrio entre doçura, amargor e acidez, ganhando notas acima de 80 pontos, têm no máximo 12 defeitos em 300 g de café, têm presença agradável e macia na boa, com boa permanência (cerca de 10 segundos). Exemplos: Coffee Lab, Octavio Café, Café Martins, illycaffè, Orfeu e Suplicy Cafés Especiais.

xicaracafé_freeimagesDesvende os rótulos e a embalagem
– Prefira os rótulos que tragam mais informações sobre o café. A região de origem, a fazenda produtora e a variedade do café são alguns itens interessantes, mas raros em marcas que não são especiais. O tipo do café, arábica (em geral, mais aromático e saboroso) ou robusta (em geral, menos aromático e menos saboroso), é uma informação também relevante.

– Café em grãos ou moído na hora da compra ou do preparo sempre é melhor. Mesmo que você não tenha moedor (encontrado por preços em torno de R$ 70 e R$ 80) e vá moer o café em um processador ou liquidificador, o resultado será melhor que o café moído há muitos meses pelas grandes empresas.

– A data de fabricação significa a data da torra e embalagem. Em geral, para as empresas, considera seis meses de vida útil, mas o café perde seus aromas e seu sabor em poucas semanas. Portanto prefira os pacotes com data de fabricação mais recente.

– As embalagens mais adequadas são a vácuo ou laminadas com válvulas unidirecionais. No pacote a vácuo, o ar é extraído, impedindo que o pó sofra alteração. A embalagem laminada e valvulada não tem porosidade e sua válvula permite apenas que os gases saiam do pacote, mas nunca que o ar entre nele, conservando muito melhor o grão.

– As embalagens menos indicadas são as mais tradicionais, conhecidas como “almofadas”.
Pequenas quantidades
Sempre prefira comprar pacotes pequenos, de 250 g ou menos, se for comprado a granel, especialmente se o café já for moído. O pó perde seus aromas e sabores muito rapidamente. Os grãos mantêm as qualidades do café um pouco mais, mesmo assim, o café não é um produto para ser estocado. Deve ser como o pão francês, comprado para ser consumido em poucos dias.

Como armazenar em casa
Extremamente perecível, o café é sensível ao oxigênio, à luz e às altas temperaturas. Por isso, a melhor forma de conservá-lo, seja em grãos, seja moído, é mantê-lo no próprio pacote, dentro de uma lata hermeticamente fechada, e armazená-lo em local fresco, para que seus ricos óleos e aromas não sejam perdidos instantaneamente. O café também tem uma característica de absorver muito facilmente sabores e aromas alheios. Por isso, deve-se evitar reutilizar recipientes que já tiveram outras finalidades.

Praticidade para todos os gostos

Já ouviu falar em um café que é feito a partir de um potinho de plástico ou alumínio colocado em uma máquina? Esses potinhos são chamados de cápsulas. Opção prática e rápida, esta é uma dica para quem gosta de café e prefere não prepará-lo do modo artesanal. As empresas que oferecem cápsulas apostam em diferentes tipos de café, em diferentes bebidas (chá, chocolate quente) e até no design e na tecnologia das máquinas para chamar a atenção do consumidor. Os preços estão mais acessíveis (há modelos custando em torno de R$ e os modelos das máquinas e os sabores dos cafés, a cada dia mais atraentes. Veja alguns modelos abaixo.

X7_3
Illycaffè – A multinacional italiana é uma das mais tradicionais do mundo, mas sempre aposta em inovação. A máquina X7.1 iperespresso é uma delas. Com estilo retro e vaporizador para fazer cappuccinos, utiliza apenas a cápsula de marca própria e prepara um espresso potente.
Onde encontrar: R. Bela Cintra, 1.870, tel. (11) 2362-3888 e Café Store (www.cafestore.com.br)

Inissia Blue Sky
Nespresso – O lançamento da marca suíça é a Inissia, uma máquina compacta e leve, com variedade de cores e controle de pressão e saída de água. O destaque é o preço. Por R$ 369, é a máquina mais barata da marca.É possível encontrar outros modelos, alguns mais completos, com preços que chegam até R$ 1.595. Outro atrativo são os 22 Grands Crus (sabores de café) da marca. Onde encontrar: veja os endereços das lojas Nespresso no site www.nespresso.com ou pelo tel. 0800-7777-737

 

MITOS ENCERRADOS
Com açúcar ou sem açúcar
Os “cafechatos” adoram ditar regras. Uma delas é que não se pode tomar café com açúcar. Depende. Depende do café, depende da pessoa, depende do preparo. O café turco, por exemplo, já é preparado tradicionalmente com açúcar. Por isso é um café pior? Não. É diferente e talvez um preparo não muito indicado para cafés de altíssima qualidade, que já são naturalmente doces.
O café é uma fruta bem docinha, daí essa preocupação em não mascarar o seu sabor com o açúcar “externo”. Mas dependendo de como ele é produzido, da qualidade do produto e também da torra, essa doçura é perdida e o café ganha um amargor difícil de engolir, a gente até faz careta para beber, não? A maioria das pessoas só consegue beber esse dito cujo com bastante açúcar e leite. Uma dica boa sobre este tema é sempre preferir bons cafés, que são os doces, que deixarão a boca com um sabor gostoso. Outra sugestão é beber o primeiro gole sem açúcar. Se o seu paladar apreciar a bebida, mantenha assim. Se não curtir, coloque açúcar aos poucos e vá provando, sem drama, sem achar que está sendo mal educado. O que vale aqui é a preferência (e o prazer) de cada um.

cafénaxícara_freeimagesEspresso tem mais cafeína 
A cafeína representa apenas de 1 a 2,5% de cada grão de café. Por sua característica, é o último a ser extraído nos diversos preparos de café e sua extração depende do tempo de contato da água com o pó. Quanto mais tempo a água fica em contato com o pó, mais cafeína será extraída.
No preparo do espresso, a água fica em contato com o pó em torno de 20 a 30 segundos. No preparo do café coado, a água fica em contato com o pó cerca de 4 minutos. Ou seja, no café coado a cafeína está muito mais presente.

Ferver ou não ferver a água
Outra regra bastante repetida é a de que a água não deve ser fervida para o preparo do café, pois tem de tocar o pó a uma temperatura em torno de 90°C. Sim, essa é a temperatura ideal mesmo. Mas em um país como o Brasil em que temos terrenos com altitudes muito diferentes, como saber a que temperatura a água vai ferver? O grau de fervura muda em cada lugar. Então uma dica é deixar a água ferver e deixá-la descansar por um minuto. Assim, chegará à temperatura ideal sem restar dúvida de que estará adequada para a filtragem do café.

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