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Marco Aurélio Cunha se diz incomodado com coletivas de Ceni

Marco Aurélio Cunha é o coordenador de futebol feminino da Confederação Brasileira de Futebol, mas isso não significa que ele não esteja acompanhando o São Paulo. Seu último cargo no clube terminou em dezembro do ano passado, após três meses como diretor-executivo de futebol.

Nesta segunda-feira, o dirigente participou do programa De Primeira, da Rádio Bandeirantes. No bate-papo, Marco Aurélio Cunha afirmou ser “cauteloso” em relação ao trabalho de Rogério Ceni, admitiu incômodo com as coletivas do ex-goleiro e avaliou positivamente o elenco do São Paulo.

Confira os principais trechos da entrevista:

Avaliação do trabalho de Rogério Ceni

“Estou cauteloso. Eu acho que o Rogério Ceni é uma novidade, tem tudo para ser um grande treinador. Às vezes eu faço comparações indevidas, mas vamos entender: quando o Telê (Santana) chegou ao São Paulo – e não estou comparando o momento de Telê e do Rogério –, o Telê era pé frio, o Telê tinha perdido duas Copas do Mundo, ninguém queria saber do Telê, o São Paulo perdeu uma final para o Corinthians em 1990. Mas ele se recuperou, o São Paulo se formou e o Telê passou a ser muito maior depois do São Paulo. Se o São Paulo tivesse tirado o Telê depois da derrota para o Corinthians em 90, nós não teríamos a história que o Telê teve. Não estou dizendo que o Rogério vai fazer isso ou vai ser assim, eu acho que a oportunidade tem que ser dada. Nós estamos no mês cinco e ele está fazendo quatro meses e meio de trabalho”.

Pressão sobre Rogério

“Não é possível que alguém já queira julgar tudo, já queira tirar o Rogério, já queira entender que o São Paulo é horrível. Eu vejo muito isso. Pelo tempo que o São Paulo está sem ganhar um título expressivo, a última vez foi na Sul-Americana e não foi o que o São Paulo gostaria, o jogo não terminou, então a última conquista relevante foi em 2008. É claro que o torcedor está aborrecido e quer algo maior, mas a competição aumentou muito. Os clubes se fortaleceram, Palmeiras e Corinthians tiveram seus estádios – ou pelo menos alguém construiu os estádios para eles –, então eles estão em alto nível”.

Avaliação do elenco do São Paulo

“Vamos lá. Rodrigo Caio, seleção brasileira, campeão olímpico. Maicon, jogador contratado a peso de ouro, eu acho um zagueiro bom, que pode jogar em qualquer clube. Você tem aí Cueva, Pratto, Thiago Mendes, não é possível que esse time seja ruim, o time é bom. O time tem algumas deficiências. Os laterais, um é muito jovem e o lateral-direito ainda não se firmou. Eu acho que o São Paulo precisa de mais um meia criativo, mas quem é que vai vir para ficar na reserva do Cueva? Vai gastar uma fortuna pelo reserva do Cueva? Precisa entender que para montar um elenco você não pode ter 22 titulares, é impossível. Tem que ter 12, 13 jogadores de alto nível e um complemento de oito ou nove”.

Apelo ao torcedor

“O torcedor pressiona muito e é preciso saber que pressão não ajuda. Aquela pressão maldosa, de crítica excessiva, não ajuda em campo. A gente tem que ser analista, saber as coisas boas e ruins, mas não pode pressionar a ponto de prejudicar. Então, eu peço ao torcedor mais paciência. É o Rogério que está lá, ele deve gostar do São Paulo mais do que todos nós e não é possível que ele queira fazer algo que marque negativamente sua carreira. Tem que dar a chance a ele. Esse Campeonato Brasileiro é um grande teste, o São Paulo não tem outra competição. São 37 jogos e ele tem que 60%, 65% dos pontos, pelo menos, para valorizar sua carreira”.

Excesso de estatísticas nas coletivas de Ceni

“Me incomoda (disse o dirigente ao ser perguntado sobre o que achava do uso de estatíscas nas coletivas). Eu acho que a estatística é diferente do resultado. Você não pode julgar estatística com resultado. O resultado é único. Você foi três vezes no gol e fez dois, o outro foi oito e não marcou nenhuma – não adianta contar essa história, que ganhou foi o mais eficiente. Futebol é eficiência, a estatística acompanha apenas por uma questão de dados. O resultado final é o que importa”.

Três eliminações em três semanas

“Esse negócio de três eliminações em três semana é só uma questão de coincidência de datas. O Barcelona foi eliminado em duas agora. Na Champions e no nacional. A única eliminação que o São Paulo não poderia ter aceitado é contra o Defensa y Justicia. Esta foi absolutamente anormal. As outras duas, contra Cruzeiro e Corinthians, estão dentro de um espectro de igualdade”.

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