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CBF restringe festa do gol: ‘pode comemorar, mas não de forma abusiva’

O atacante Róger Guedes do Palmeiras é mais um jogador punido pelas restrições impostas pelas autoridades da bola. O camisa 23 foi expulso da partida entre o Verdão e Novorizontino neste domingo (2), após subir no alambrado do estádio para comemorar o gol que marcou.

Antes, o zagueiro Maicon levou cartão amarelo por imitar uma galinha, depois de marcar contra o Corinthians – isso em um jogo com torcida única, no caso, a do São Paulo. O também tricolor Cueva não escapou das restrições e foi advertido ao colocar a mão na orelha, em provocação pelo gol de empate contra o Santos na Vila Belmiro.

Todos eles levaram cartões porque festejaram seus gols fora dos padrões permitidos por Fifa e CBF, que estão dividindo opiniões e alimentando a ira dos mais puristas. A notícia ruim para estes é que as entidades não devem aliviar para os mais irreverentes e explosivos. Pelo contrário.

Assista – Torcedores criticam restrições por comemoração:

Em entrevista exclusiva ao Portal da Band, o Chefe da Comissão Nacional de Arbitragem, Marcos Cabral Marinho de Souza, o Coronel Marinho, lembrou que, em breve, nem os reservas poderão entrar em campo.

“A comemoração de gols com invasão de campo pelos reservas será proibida, pois conforme a norma da Fifa, ninguém tem permissão para invadir o campo”, disse Marinho.

A norma é parte do Programa de Treinamento Nacional da Arbitragem 2017, ministrado pela CBF para educar a arbitragem sobre as novas medidas, que passam a valer em maio.

Marinho nega que a CBF queira censurar a festa pelo grande momento do futebol. “Pode comemorar, mas não de forma abusiva”, ponderou.

Sobre o programa
O programa tem percorrido as Federações estaduais desde o dia 24 de março e já passou pelas regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste do país.

De acordo com o informativo publicado no site da CBF, o objetivo é melhorar a arbitragem brasileira, padronizando a conduta de juízes e assistentes por meio de atividades teóricas e práticas. No final do treinamento, os árbitros passam por uma avaliação física.

Em defesa dessas restrições, Marinho alega que as provocações em campo podem gerar violência entre as torcidas.

Provocação ou exagero?
O cartola afirma que os árbitros Vinicius Furlan e Vinicius Gonçalves Dias Araújo aplicaram a punição corretamente em Maicon e Cueva, respectivamente. “O árbitro podia encarar o gesto de Cueva como um deboche, por ser direcionada à torcida santista justamente na Vila Belmiro”, explicou.

Já o cartão amarelo dado a Maicon no Morumbi poderia ocasionar numa confusão em outra partida, conforme previu Marinho. “Precisamos pensar no futuro. O gesto do Maicon foi direcionado à torcida corintiana e poderia inflamar uma situação dentro ou fora de campo num próximo jogo, num possível encontro dos times na final do Paulistão”, adverte.

Provocou e passou batido
Mas há quem provoque e saia ileso. Felipe Melo marcou o gol da virada sobre o Santos, na Vila Belmiro, e passou em frente aos santistas batendo no peito e mostrando o escudo do Palmeiras – fora a dancinha com Mina.

O juiz Flávio Rodrigues de Souza deixou passar batido, contrariando o chefe da arbitragem da CBF, para quem o volante merecia uma advertência. “A punição varia de acordo com o árbitro, seu posicionamento, a interpretação do lance, diz Marinho, admitindo que juiz não viu provocação.

Reis da provocação
Do outro lado da polêmica, alguns ex-jogadores, comentaristas, jornalistas e torcedores criticam a regra, ainda que, na opinião de muitos, os atletas devem conhecer o esporte que jogam.

Assista – Denilson fala sobre a comemoração do goleiro Maicon:

Um dos craques mais polêmicos do futebol brasileiro, conhecido pelas provocações feitas aos rivais quando atuava pelo Palmeiras, em 1996, e Corinthians, em 1998, o ex-atacante Edílson Capetinha defende o direito à comemoração do gol.

“Acredito que se for uma provocação ou comemoração que não agrida ou ofenda ninguém, é válida”, ressalta e relembra saudoso a final do Brasileirão de 1993, quando homenageou o conterrâneo Timbalada. “Acredito que quando você homenageia alguém não há necessidade de punir com cartão amarelo. Então o futebol tem que rever isso”.

Enquanto Edílson defende o estilo de sua época, o ex-companheiro de Corinthians Vampeta é mais ponderado. “O atleta tem que saber avaliar a importância da partida em questão, se é ou não passível de se tomar cartão”, diz o ex-volante, atual dirigente, com um discurso mais conservador.

Fora de si
Para o Capetinha, a emoção de fazer um gol é incontrolável. “Quando você marca para o seu time, você fica fora de si. A emoção é tão grande que o jogador é capaz de fazer qualquer coisa sem pensar, só para comemorar”, explica.

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