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Brasileiro admite clima ‘estranho’ em time acusado de vender resultado

Edenilson em ação no jogo contra o Barça B | Barcelona/Divulgação

Um jogo da terceira divisão tem dado o que falar na Espanha. No sábado, o Barcelona B goleou o Eldense por 12 a 0. Mas não foi o resultado o motivo de a partida estampar as manchetes. Após o duelo, o jogador Cheikh Saad, do Eldense, acusou companheiros de terem combinado o placar da vitória do Barça. As denúncias culminaram na detenção do técnico Filippo Vito Di Piero e de Nobile Capuani, um dos investidores italianos que assumiram o comando da equipe em janeiro.

Quem vive toda esta confusão é o meio-campista brasileiro Edenilson Bergonsi, de 29 anos. O ex-jogador do Juventude, entre outros clubes, chegou ao Eldense há dois meses para tentar salvar o clube do descenso. Ele não conseguiu cumprir a missão, já que a equipe foi rebaixada à quarta divisão com seis rodadas de antecedência, e ainda se viu no meio de um escândalo de venda de resultados.

Em entrevista ao Portal da Band, Edenilson admitiu que sentiu estranheza com o comportamento dos companheiros durante o jogo contra o Barça B. Ele ainda afirmou que o clima no elenco é “horrível” e que se os jogadores espanhóis envolvidos na denúncia aparecerem na frente do plantel “vai ter problema”.

Confira abaixo a entrevista com Edenilson Bergonsi:

Como foi o jogo? Você sentiu algo estranho nessa partida?

“Eu me preparei a semana inteira para o jogo. É sempre bom jogar contra um time assim. Era o time B, mas se você jogar bem pode abrir portas para o futuro. No início do jogo estava tudo normal, ele escalou o time normal. No vestiário também, tudo como sempre. No primeiro minuto de jogo nós até tivemos uma chance de gol clara e não fizemos. E aí, aos sete minutos, eles fizeram o primeiro. Eu já comecei a achar meio estranho, tinham uns três jogadores meio estranhos em campo, eles não corriam como de costume. Mas eu nem dei bola, não achei que fosse nada. Não tinha como saber se estava acontecendo alguma coisa. Aí, quando eu vi, já estava 6 a 0. Eu olhava no placar e o tempo não passava, uma vergonha. No momento não deu para perceber. Uns dois ou três jogadores não estavam iguais aos outros dias, mas isso pode acontecer. Só que, ao final do jogo, fora do estádio, começou um pouco de confusão e daí eu fiquei sabendo dessas histórias”.

Te surpreenderam as denúncias do Saad, que é seu companheiro de clube?

“Ele falou na volta do jogo que tinha uma pessoa no estádio que tinha provas de que alguns jogadores tinham manipulado o resultado. Surpreendeu ele falar publicamente do caso. Eu acho que ele fez o correto”.

E como está o clima no elenco depois que estourou esse escândalo?

“O clima é horrível. Esses jogadores envolvidos, se aparecerem por perto, vai dar problema, ninguém pode ver eles pela frente. Eles estavam ali como companheiros e sei lá o que fizeram, se foi aposta, se venderam o jogo, enfim, isso é com a polícia, cabe a polícia investigar o que aconteceu”.

Foi a primeira vez que o comportamento desses jogadores despertou algum tipo de desconfiança entre vocês?

“Eu não joguei os últimos três jogos e não posso dizer, mas eu senti que nos dois jogos antes desses tinha algo meio estranho na partida, uns gols que não se toma normalmente”.

Pelo que parece, o elenco é um pouco divido entre espanhóis e estrangeiros. É assim?

“Entre nós jogadores não tem problema nenhum, nós sempre nos demos bem. A direção – uns italianos assumiram o time em janeiro para tentar salvar o time e aí sempre teve problema entre eles. Mas entre os jogadores não teve problemas. Foi mais nos primeiros dias e tal, mas depois todo mundo se dava bem no vestiário. Os jogadores estrangeiros não têm o nome envolvido em nada. São três jogadores espanhóis envolvidos na confusão”.

O Filippo Vito Di Piero, que foi preso nesta terça-feira, não era o treinador de vocês nos registros, mas era ele que comandava a equipe. Como era isso?

“Ele era praticamente o técnico, só que ele não tinha um documento da Fifa aceito pela federação espanhola. O documento dele era italiano. Aí o auxiliar espanhol ficava como primeiro técnico e ele como segundo”.

E como era o comportamento dele?

“Eu nada vi nada quanto a isso de apostas, eu nunca senti nada disso. Ele só era um treinador com nível muito baixo tecnicamente e taticamente para comandar um time. Mas do que veio de fora eu nunca tinha visto nada. Como pessoa ele era normal”.

No domingo vocês voltam a jogar, tem partida marcada contra o Sabadell. Você tem alguma ideia de como vai ser?

“Não tenho ideia. Eu estou como todo mundo, vendo as informações pela internet. Ainda não entraram em contato comigo. Eu vi pela internet que eles entraram em contato com quatro ou cinco jogadores espanhóis. Amanhã eu vou me apresentar normalmente no estádio para ver como vai ser. Mas eu já estou à procura de time, minha intenção não é ficar nessa bagunça”.

Durante sua carreira como jogador, já te procuraram alguma vez com o intuito de acertar resultado ou algo deste tipo?

“Esse é o sexto país em que eu jogo – joguei no Brasil, na Itália, na Bélgica, na Bulgária, no Kosovo e agora na Espanha – e nunca me procuraram. Nunca, nunca ninguém me mandou mensagem, nada. Ainda bem. Talvez porque veem que sou uma pessoa séria, estou sempre na minha, não gosto dessas coisas. E espero que nunca entrem em contato comigo, porque com isso eu jamais vou mexer”.

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