logo
Esporte
Esporte 24/04/2015

Custos de obras da Olimpíada do Rio aumentam R$ 500 milhões

O orçamento do plano de política pública para os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, aumentou 2% (cerca de R$ 500 milhões) entre abril do ano passado e abril deste ano, de acordo com atualização feita pelas três esferas do governo, nesta sexta-feira.

Elas apontaram ainda que 24 dos 27 projetos de mobilidade, transformação urbana e outros estimulados pelo evento esportivo estão em fase de execução e três deles foram concluídos, a menos de um ano e meio dos Jogos.

“A evolução é adequada, estamos dentro do cronograma e a perspectiva é que todos vão ser entregues nos prazos para atender compromisso com o COI (Comitê Olímpico Internacional)”, disse a jornalistas o presidente interino da Autoridade Pública Olímpica (APO), Marcelo Pedroso.

Em abril do ano passado, essas obras no Rio que foram antecipadas ou aceleradas por conta da Olimpíada tinham um orçamento de R$ 24,1 bilhões. Agora, em abril de 2015, esse montante subiu para R$ 24,6 bilhões.

“No ano passado havia projetos sem orçamento previsto e agora já temos”, declarou o executivo da APO.

O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), disse que o valor de R$ 24,6 bilhões não deverá sofrer nova atualização.

“Cem por cento das obras ou estão em execução ou estão prontas. Hoje temos uma certeza muito maior desse valor porque estamos muito mais perto da data e as obras estão muito mais avançadas”, afirmou o prefeito.

“Um aumento aqui ou acolá pode acontecer, mas estamos mais próximos da realidade. Vamos trabalhar para manter esse orçamento”, completou.

Dos 27 projetos de política pública, 14 são de responsabilidade da prefeitura, 10 do Estado e três do governo federal.

O gasto previsto da prefeitura para esses projetos é de R$ 14,3 bilhões, sendo 64% bancados com recursos privados.

Já o Estado tem um orçamento de R$ 9,9 bilhões para 10 projetos, sendo que 86% têm como fonte o tesouro estadual. As três obras da alçada federal têm um custo de R$ 264 milhões, 89% do Ministério do Esporte e outros 11% do Ministério da Educação.

Dessa forma, os 27 projetos do plano de legado têm 57% dos recursos públicos.

Em julho do ano passado, o custo das obras exclusivas para os Jogos Olímpicos de 2016 passou de R$ 5,6 bilhões para R$ 6,5 bilhões, com a inclusão de novos projetos, principalmente o Complexo Esportivo de Deodoro.

Com a nova atualização anunciada nesta sexta, o orçamento total da Olimpíada do Rio sobe para R$ 38,1 bilhões, dos quais R$ 24,6 bilhões são para essas obras de infraestrutura na cidade e R$ 7 bilhões são para a operação do comitê organizador dos Jogos.

89% das obras já estão em execução

Dos 27 projetos que compõem o plano de legados das Olimpíadas 2016, 11% foram concluídos e 89% estão na fase de execução, não tendo nenhum em estágios de planejamento e licitação. O plano de obras foi apresentado em abril do ano passado e atualizado hoje (24), em um evento em frente às obras do Museu do Amanhã, na Praça Mauá, no centro do Rio, com a participação do prefeito Eduardo Paes. São 14 projetos executados pela prefeitura, dez pelo governo estadual e três pelo governo federal.

O orçamento das obras sofreu uma variação de 2%. Apresentado há um ano, ele passou de R$ 24,1 bilhões para R$ 24,6 bilhões. De acordo com Paes, metade dessa diferença e 43% do total são financiamento privado. “Estamos provando que no Brasil dá para fazer as obras no custo e no prazo. Aditivos de até 25% são aceitáveis, está no contrato, acontece. Mas nas obras da prefeitura a diferença é de 0,024%”.

O prefeito destacou que o plano de legados se refere a obras que não são fundamentais para que as Olimpíadas ocorram, mas que foram aceleradas pela oportunidade que os Jogos proporcionou. “É o que torna a cidade menos desigual, integra mais a cidade. São as obras de BRT, de metrô, que conectam a zona norte com a zona oeste, com a baixada de Jacarepaguá, são obras que vão ajudar na mobilidade nas Olimpíadas, mas que, sinceramente, mechem com a vida do carioca.”

Entre as obras em execução pela prefeitura estão o controle de enchentes da Grande Tijuca; a duplicação do Elevado do Joá, que liga a zona sul à Barra da Tijuca; o veículo leve sobre trilhos (VLT) na região central; o BRT Transolímpica, corredor exclusivo de ônibus especiais que vai ligar os parques olímpicos da Barra e de Deodoro. Também estão sendo feitas as requalificações urbanas do entorno dos parques olímpicos e do Estádio Olímpico Nilton Santos, no Engenho de Dentro.

Cabe ao governo estadual a construção da Linha 4 do metrô, que liga Ipanema à Barra da Tijuca, e a revitalização do sistema de trens e reforma de seis estações, além de projetos ambientais relacionados à despoluição da Baía de Guanabara e restauração das lagoas da Barra da Tijuca e de Jacarepaguá. Sobre a Baía de Guanabara, o secretário da Casa Civil estadual, Leonardo Espíndola, admitiu ser improvável que alcance os 80% de tratamento de esgoto, conforme prometido inicialmente. Mas, destacou que passou de 11% de esgoto tratado, em 2007, para 49%.

“Tem diversos projetos para chegar aos 80%, mas não há garantia que isso ocorra até os Jogos. As Olimpíadas passam e os projetos continuam. O objetivo era tratar 80% do esgoto que migra para a baía. Nós temos diversos projetos de troncos coletores e estações de tratamento. Com todos eles concluídos, talvez chegue aos 80%, mas não sei se vamos ter esses projetos prontos e acabados para as Olimpíadas”.

Também serão colocadas 17 novas ecobarreiras na foz dos principais rios que deságuam na Baía de Guanabara. De acordo com Espíndola, as condições das águas nos locais onde haverá competição estão de acordo com padrões internacionais de qualidade. Ele também falou sobre os ecobarcos para a retirada do lixo flutuante da Baía de Guanabara, projeto do governo estadual. Eles entraram em operação no ano passado, mas, segundo o secretário, o trabalho foi suspenso e está sendo reestruturado.

“Nós tivemos um evento-teste no ano passado, onde a Baía de Guanabara funcionou muito bem, foi elogiado pelos atletas. E nos pontos onde há competição, que são aqueles pontos mais próximos à boca da barra, onde há maior troca de oxigênio, os níveis de balneabilidade e coliformes fecais são de padrões internacionais. Em 2016 nós vamos ter condições ainda melhores”. Os ecobarcos para a retirada do lixo flutuante da Baía de Guanabara, projeto do governo estadual, entraram em operação no ano passado, mas o trabalho foi suspenso e está sendo reestruturado.

O prédio onde funcionará o Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem (LBDC) está pronto e seus equipamentos adquiridos. A responsabilidade da obra é do governo federal. Cabe ainda ao governo federal, a construção, reforma e compra de aparelhos de quatro locais de treinamento oficial para 12 modalidades dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Após o evento, as estruturas vão integrar a Rede Nacional de Treinamento do Ministério do Esporte.