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Esporte 18/04/2015

Ana Moser lembra de Luciano do Valle como revolucionário

| Band

Neste domingo completa um ano do falecimento de Luciano do Valle | Divulgação/Band

Ana Moser lembra de Luciano do Valle como o grande revolucionário do esporte no Brasil. A ex-jogadora de vôlei destacou que o narrador da Band conseguiu fazer com que os outros esportes ganhassem a mesma dimensão do futebol.

“Foi um jornalista, empresário visionário, audacioso que viu lá no início, quando o Brasil começou a criar uma geração no masculino consistente, com talento e com constância, organização. Começou a galgar lugares no mundo. O feminino também tinha uma geração que tinha carisma e ele ousou a sair do lugar comum da monocultura do futebol. Introduziu um outro esporte na televisão em rede nacional”, disse em entrevista exclusiva ao Portal da Band.

Neste domingo completa um ano do falecimento de Luciano do Valle. O ex-narrador da Band morreu aos 66 anos em Uberlândia (MG), depois de passar mal durante voo e ser internado em um hospital particular da cidade. Ele saiu de São Paulo (SP) para narrar a estreia do Corinthians no Brasileiro do ano passado contra o Atlético-MG.

De tão revolucionário, Ana Moser até lembrou do fato de Luciano do Valle levou uma partida de vôlei para o estádio do Maracanã. No dia 26 de julho de 1983, no Grande Desafio de Vôlei, vencido pela seleção brasileira masculina de vôlei sobre a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) por três sets a 1. Foram 95.887 pagantes, um recorde que não foi batido até hoje.

“Foi exatamente o início de tudo. Lá atrás ele viu uma novidade de alavancar uma modalidade. Aquele jogo no Maracanã foi uma grande ousadia, de um visionário, empresário que tinha muita coragem. Ele ficou conhecido como Luciano do Vôlei”.

A ex-atacante se considera privilegiada o fato de conviver com o narrador. “Realmente é um orgulho ter tido marcada a história com a narração do Luciano do Valle”.

Para Ana Moser, todos os jogos que tiveram a narração do locutor da Band foram especiais. “Nas Olimpíadas, principalmente em Barcelona, que trabalhamos mais perto, também em Atlanta (96)”.

Atualmente, Ana Moser comanda o Instituto Esporte & Educação, ONG criada em 2001 que já atendeu 2,6 milhões de crianças e jovens em todo o Brasil, e é presidente da Atletas Pelo Brasil, uma iniciativa de esportistas para influenciar políticas públicas da área esportiva.

A ex-jogadora de vôlei ficou satisfeita com a volta de Serginho à seleção brasileira. “É um atleta fora do normal, fora de série. Mais do que o desempenho dentro da quadra, ele é um líder”.

Ana Moser não tem dúvidas de que o Brasil tem plenas condições de conquistar medalhas olímpicas nos Jogos Olímpicos Rio 2016.

“O Brasil nas últimas décadas, tanto o masculino quanto o feminino estiveram entre os primeiros de todos os campeonatos. O que se espera que se mantenha a geração, que não tenham grandes mudanças e que tenha essa constância de títulos”.

Para ela, não pode haver pressão pelo Brasil conquistar medalhas olímpicas. “É tudo uma questão do ambiente que se cria também. No caso do vôlei, os jogadores e jogadoras são bem tarimbados, experientes e saber se preservar antes da competição e focar, ter atenção”.

Veja a entrevista completa a seguir:

Portal da Band: Faz um ano do falecimento do Luciano do Valle. O que ele representou pra você?
Ana Moser: Ele ficou conhecido como Luciano do Vôlei. Foi um jornalista, empresário visionário, audacioso que viu lá no início, quando o Brasil começou a criar uma geração no masculino consistente, com talento e com constância, organização. Começou a galgar lugares no mundo. O feminino também tinha uma geração que tinha carisma e ele ousou a sair do lugar comum da monocultura do futebol. Introduziu um outro esporte na televisão em rede nacional. Ajudou muito a formar a história daquela geração e das seguintes. Eu fiz vários jogos narrados por ele em Olimpíada e realmente é um orgulho ter tido marcada a história com a narração do Luciano do Valle.

Portal da Band: Ele até levou o vôlei para o Maracanã
Ana Moser:
 Foi exatamente o início de tudo. Lá atrás ele viu uma novidade de alavancar uma modalidade que tinha alguns nixos de público no Rio, em São Paulo, em Minas, tinha um pouco nordeste, norte, sul e ele apostou que seria uma modalidade que daria muita torcida, que teria uma aderência grande do público da televisão. Isso lógico, vazou para os estádios, ginásios. Aquele jogo no Maracanã foi uma grande ousadia, de um visionário, empresário que tinha muita visão e coragem.

Portal da Band: Qual foi seu jogo inesquecível narrado por ele?
Ana Moser: 
Nas Olimpíadas, principalmente em Barcelona, que trabalhamos mais perto, também em Atlanta. Esses jogos nas Olimpíadas sempre são importantes e mobilizam e ficam muito marcados.

Portal da Band: Você costuma rever esses jogos?
Ana Moser:
 Hoje com a internet você tem tudo ai pendurado em vários sites. Volta e meia eu vejo e sempre as gravações mais marcantes são da época em que ele narrava nossos jogos.

Portal da Band: Como você viu o Serginho de volta à Seleção?
Ana Moser:
 É um atleta fora do normal, fora de série. Mais do que o desempenho dentro da quadra, ele é um líder. Esses são os predicados que o Bernardinho foi buscar de volta. Tem toda a condição  de jogar bem no ano que vem  a Olimpíada. É um jogador de uma experiência de firmeza de conduta na seleção, especialmente que é modelo para qualquer geração. Acho que os jogadores terão a oportunidade de jogar com ele só tem a ganhar com isso.

Portal da Band: O vôlei brasileiro, tanto o masculino quanto o feminino, estão preparados para ganhar medalhas na Olimpíada?Ana Moser: O Brasil nas últimas décadas, tanto o masculino quanto o feminino estiveram entre os primeiros de todos os campeonatos. O que se espera que se mantenha a geração, que não tenham grandes mudanças. O Brasil está se preparando há muitos anos e cuidando do ciclo olímpico, da renovação, do amadurecimento de determinados jogadores precisa sempre manter nível de performance dos dois técnicos. Eles estão ai e há alguns ciclos olímpicos. É uma questão dentro de um planejamento bem a longo prazo. O Brasil vai bem sim, mas se vai ganhar medalha ou não vai ter que esperar pra ver.

Portal da Band: Como fica a pressão em cima dos jogadores?
Ana Moser:
 É tudo uma questão do ambiente que se cria também. No caso do vôlei, os jogadores e jogadoras são bem tarimbados, experientes e saber se preservar antes da competição e focar, ter atenção. A performance na Olimpíada vai ser sempre a partir da preparação dos meses anteriores e o objetivo que tiver na hora da competição. Se criar um ambiente propício a isso, com imprensa, torcida, com redes sociais. Ia ter um espaço preservado em torno do atleta, que faça que não perca o foco, não atrapalhe a sua preparação. Essa é a melhor receita e o pessoal do vôlei está preocupado com isso.

Portal da Band: O que pensa à respeito da corrupção que aconteceu no vôlei?
Ana Moser: 
É um assunto meio velho, que já passou. Falei muito sobre isso e não tenho mais o que falar.

Portal da Band: Você conhece o Ricardo Trade, que assumiu a CBV?
Ana Moser:
 O conheço desde os 16 anos. Ele foi preparador-físico de vôlei. É um gestor de gabarito. Participou da organização do Pan-Americano, da Copa do Mundo. Como gestor não tem do que falar.