Esporte

Biografia repassa trajetória esportiva e política de Sócrates

Aguillera, Wilson Campos, Nei, Manoel e Mineiro; Mário, Lorico e Sócrates; Zé Mário, Arlindo e João Carlos Motoca. Quem nasceu em Ribeirão Preto (SP), tem mais de 40 e torce pelo Botafogo sabe essa escalação de cor.

Esse time é responsável pela conquista da maior glória da história do clube, o título da Taça Cidade de São Paulo, o equivalente ao primeiro turno do Campeonato Paulista, em 1977. Pouco? Claro que não!

O maestro dessa equipe – não precisa parar no bar Pinguim para perguntar – era o camisa 8 de nome esquisito: Sócrates. Um jovem de 23 anos, magro como um varapau e motivo de orgulho da  torcida não apenas por sua refinada técnica, mas também pela inteligência acima da média. Afinal, que time do futebol mundial – e isso se aplica ainda hoje – poderia ter o privilégio de ter em sua linha um estudante de medicina e ainda mais com nome de filósofo grego? Essa é uma daquelas coincidências que só acontecem uma vez na vida e, para minha grande sorte, aconteceu bem diante dos meus olhos.

Este é um pequeno fragmento da minha história com o Doutor, craque que aprendi a admirar já na primeira vez que o vi em campo no estádio Santa Cruz envergando um uniforme impecavelmente branco com listras vermelha e preta coladas ao peito. Mas há outras, muitas outras, como as que o jornalista e escritor Tom Cardoso narra em seu livro “Sócrates – A História e as Histórias do Jogador mais Original do Futebol Brasileiro”, lançado pela editora Objetiva. E engana-se quem pensa ser este apenas outro livro sobre futebol. É algo mais.

“Sócrates” – Tom Cardoso (Ed. Objetiva, 264 págs., R$ 30)

Nesta biografia, Cardoso repassa não apenas a trajetória de Sócrates pelos gramados com as camisas do Corinthians, Fiorentina, Flamengo, Santos e Seleção Brasileira, como também sua postura política (e por vezes autoritária) à frente da Democracia Corintiana, seu engajamento na campanha das “Diretas Já”  e sua relação com Lula e o PT.

Também não ficam de fora a veia “artística” do craque, que se aventurou como  compositor, cantor (desafinado…) e dramaturgo, nem a onipresente boemia e sua autodestrutiva relação com a bebida.

Único, Sócrates partiu cedo, aos 57 anos, em 2011. Além das muitas histórias, deixou um legado de gols quase impossíveis, passes precisos e toques mágicos com o calcanhar. Quem o viu em campo, jamais esquecerá.

Tags

Últimas Notícias


Nós recomendamos