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A verdade sobre o pânico satânico retratado em ‘Stranger Things’

Se você assistiu aos episódios da quarta temporada, pode ter ficado curioso sobre essa temática apresentada em ‘Stranger Things’.

A estreia da parte 1 da 4ª temporada de ‘Stranger Things’ na última sexta-feira, 27, na Netflix, já fez muitos fãs maratonarem os episódios. Um dos temas abordados pela nova temporada é o pânico satânico que surgiu nos Estados Unidos na década de 1980. Se você não sabe o que é, nós te explicamos.

De maneira simples, a terminologia “pânico satânico” foi o nome usado na década de 1980 para designar uma espécie de histeria moral que atingiu os Estados Unidos e que levava as pessoas as pensarem que a adoração do demônio estava desenfreada em todo o país e teria se tornado uma prática comum.

Freqüentemente comparados aos julgamentos de bruxas dos anos 1600 ou ao macarthismo nos anos 1950, grupos conservadores de pais culpavam a música, os filmes e os jogos pelo que eles acreditavam ser um aumento repentino no envolvimento com o ocultismo, e alegavam os jovens estavam metidos em rituais satânicos em larga escala e bem organizados.

O pânico satânico “oficialmente” começou com um livro publicado em 1980 chamado ‘Michelle Remembers’. O livro, escrito pelo psicólogo Lawrence Pazder sobre sua paciente (e, eventualmente, sua esposa) Michelle Smith, relata a história real das experiências de Michelle como criança vítima de um culto satânico.

Através do uso da hipnose, Michelle alegou ter sido esfregada no sangue de bebês, abusada sexualmente, trancada em jaulas e ter testemunhado o assassinato de pessoas do culto. O suposto abuso terminou após um ritual contínuo de 81 dias que deveria ter apagado as cicatrizes de Michelle e removido as memórias do abuso até “a hora certa”.

O livro e toda a história de Michelle foram desacreditados, mas já era tarde, o pânico se instalou na sociedade norte-americana da época. Com o tempo, esse pensamento foi difundido para outros países ocidentais.

Ao longo de uma década, houve centenas de relatos de rituais satânicos em todo o mundo. Um dos primeiros e mais prolíficos casos foi o caso da pré-escola McMartin no sul da Califórnia.

Em 1993, uma mãe alegou que seu filho estava sendo abusado por seu ex-marido e que ele também pode ter sido abusado em sua pré-escola. Isso fez com que uma carta da polícia fosse enviada aos pais na escola. Eventualmente, centenas de crianças foram entrevistadas, com técnicas que mais tarde foram desacreditadas.

Algumas das alegações mais bizarras das crianças incluíam bruxas voadoras, viagens em balões de ar quente, crianças sendo levadas pelos banheiros para salas secretas e uma rede de túneis subterrâneos sob a escola onde os rituais de culto eram realizados.

Entre as investigações pré-julgamento e o próprio julgamento, o caso McMartin durou sete anos e não resultou em uma única condenação. Todas as acusações foram retiradas em 1990.

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