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Entretenimento 30/07/2021

Ney Matogrosso 80 anos: imparável

Por : Angela Corrêa - Metro

Domingo, 1º de agosto, Ney de Souza Pereira completa oito décadas sobre a Terra. Difícil não adotar tom um tanto místico para descrever essa figura andrógina, meio etérea, meio animalesca e definitivamente teatral que Ney Matogrosso encarna sobre o palco.

 Fora dos devaneios de quem o vê de longe, o cantor “de voz de mulher” está mais para “Inclassificáveis”, música de Arnaldo Antunes que gravou em 2008, do que para “O Vira”, que cita figuras míticas, seu primeiro hit com o Secos e Molhados.

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  A comemoração dos 80 não vai contar com festão no palco. Durante a pandemia, Ney se divide entre o apartamento no Rio e o sítio de Saquarema, onde vive a mãe, dona Beíta, 98 anos. Também trabalha na gravação de um novo álbum, “Nu com a Minha Música”, que deve sair até o fim do ano.

 No entanto, a celebração veio de outras formas. O jornalista Julio Maria lançou  “Ney Matogrosso – A Biografia” e a Paris Filme anunciou a produção de “Homem com H”, filme desse artista que enfiou o pé na porta e inspira ativismo  até hoje, mesmo sem querer.

Nas telonas

Ainda vai demorar um pouquinho, mas a Paris Filmes anunciou nesta semana a produção da cinebiografia “Homem com H”.  O homenageado está envolvido na criação do projeto, que está bem no início e ainda não tem protagonista definido. A direção é de Esmir Filho (da série “Boca a Boca”) e vai passar por todas as fases da vida do cantor, desde a infância no Mato Grosso do Sul. As filmagens devem começar em 2022.

A ideia foi pinçar músicas antigas que Ney nunca havia gravado antes para “Nu com a Minha Música”. Algumas têm assinaturas bem clássicas, o que causa muita curiosidade para saber que “cara” o intérprete vai dar a pérolas como “Sua Estupidez”, de Roberto Carlos. No domingo, além da canção que empresta o nome ao álbum, Ney lança prévia com mais três faixas: “Se não for amor, eu cegue”, de Lenine e Lula Queiroga, “Gita”, de Raul Seixas e Paulo Coelho, e ainda “Unicórnio”, do cubano Silvio Rodríguez.

Nas faixas

Ney nunca foi de nomear seus amores ou levantar bandeiras sociais. Em entrevistas, costuma dizer: “Eu sou a bandeira”. Mas topou colaborar com Julio Maria para contar essa história libertária, que desafiou os costumes, a ditadura e a epidemia de AIDS que vitimou alguns namorados. O biógrafo fez um trabalho minucioso, de cinco anos entre pesquisas, cerca de 200 entrevistas e escrita. O volume também traz fotos exclusivas.

Nas páginas

   Julio visitou Bela Vista, no Mato Grosso do Sul, onde o cantor nasceu, a vila militar onde ele passou boa parte da infância e adolescência, em Campo Grande, e o quartel da Aeronáutica no Rio, onde se alistou, ironicamente, para se ver livre das repressões do pai, o sargento Matto Grosso.

“Ney Matogrosso: A biografia”

Julio maria

R$ 89,90

512 págs.

Cia das letras

  O jornalista volta muitos anos no passado e explica as origens dos avós de Ney, e chega até o início deste ano, quando ele tomou a vacina contra a covid-19. No meio disso, porém, fala de suas andanças entre Rio, Brasília e São Paulo depois que o serviço militar acabou. 

  Foi analista em laboratório e depois cuidador de crianças com câncer no Hospital de Base, em Brasília, artesão, iluminador de teatro, aderecista e, enfim, ator, seu maior sonho, alternando estada entre cariocas e paulistanos.

  A música acabou entrando “tarde” na sua vida, aos 31 anos. A amiga Luli fez a ponte com o mentor do Secos e Molhados, João Ricardo, que procurava uma voz como a sua. Estourou. Performou quase nu, maquiado, requebrando e lançando olhares desafiadores para a plateia. Enfrentou, sem saber, os censores. O período na banda foi curto, mas a história já estava feita.