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Entretenimento 02/06/2021

Exposição no Instituto Tomie Ohtake tem murais de Di Cavalcanti

Em 2022, São Paulo começa a celebrar o centenário da Semana de Arte Moderna, mas o Instituto Tomie Ohtake brinda um dos seus principais nomes já a partir desta quarta-feira (2), com a exposição “Di Cavalcanti, muralista”.

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A mostra é centrada nas obras de grandes dimensões do pintor carioca Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque (1897-1976), em seus  painéis e murais. O curador Ivo Mesquita contextualiza a produção do artista dentro do movimento, que teve como grandes representantes os mexicanos Diego Rivera, David Siqueiros e José Clemente Orozco,  além do próprio colega da Semana de 22, Cândido Portinari.

São 23 obras organizadas de maneira cronológica que demonstram a evolução do estilo de Di Cavalcanti. Na primeira parte, painéis criados entre 1925 e 1950 e, na segunda, aqueles pintados de 1950 a 1976. Em todas, percebe-se como ele constrói a sua figuração e como os personagens bem brasileiros que escolhe retratar aparecem: os trabalhadores, os pescadores, as prostitutas, mas com um quê de festa, Carnaval, sensualidade e boemia, em contraponto a Portinari, de natureza claramente militante.

Entre as obras exibidas no Instituto Tomie Ohtake estão “Serenata” e “Devaneio”, ambas produzidas em  1927, que dão sinais do primeiro mural modernista brasileiro, criado por Di em 1929 para o Teatro João Caetano, no Rio: “Samba e Carnaval”, que permanece lá e  foram representados na exposição em duas reproduções em vinil, seguindo a mesma escala do original. 

Nos anos 1930, ele faria mais três murais de grandes proporções – tudo isso sendo perseguido pelo governo de Getúlio Vargas: no Cassino do Quartel do Derby, no Recife, e na Escola Chile, no Rio de Janeiro, ambos em 1934 e pintados diretamente na parede, e o painel para o Pavilhão da Cia. Franco-Brasileira de Cafés na Exposição Internacional de Artes e Técnicas na Vida Moderna, em Paris, onde ficou exilado. Este último parece estar desaparecido, mas ganhou medalha de ouro no evento enquanto o do Cassino do Derby foi destruído pelos militares em 1937.

Outro grande destaque é o painel “Trabalhadores”, um óleo sobre tela pintado  em 1955, além de “Brasil em 4 fases”, que utilizou a mesma técnica e foi feito dez anos depois. 

Instituto Tomie Ohtake – Av. Faria Lima, 201 (Entrada pela Rua Coropés, 88).  Tel.:  2245- 1900. Exposição abre hoje. Ter. a dom., das 12h às 17h. Grátis. Até 17/10.